Reunidos em torno da Palavra de Deus e da mesa da Eucaristia, Deus fala conosco. Diante dele não ficamos com fome: Ele está sempre conosco. Meditemos sobre os ensinamentos deste domingo. Isaías 55 (Primeira Leitura), Romanos 8 (Segunda Leitura), e Mateus 14 (Evangelho).
Primeira Leitura — Isaías 55: Na Babilônia, entre israelitas desanimados, que vivem em terra estrangeira, se levanta a voz de um profeta anunciando a iminente queda do império, a libertação, volta à pátria e o surgimento de novo Reino. Este período de plena felicidade é comparado a banquete com abundância de alimentos e bebidas. Para participar, será suficiente ter fome e sede. As palavras da leitura não se referem só a fome e sede materiais, mas também, à sede de felicidade, de justiça, fraternidade, amor, paz. O desejo desses bens é muito mais forte do que por iguarias e bebidas.
Infelizmente nem sempre o homem procura resposta para estas suas ansiedades onde, realmente, as pode saciar. Somente aqueles que têm a coragem de abandonar a situação de escravidão, e assume os riscos de uma longa viagem, encontra o banquete do Reino.
Segunda Leitura — Romanos 8: O que pode conduzir o homem ao abandono da fé? Circunstâncias as mais disparadas: acontecimentos tristes, mas também, sorte e sucesso. Quando tudo corre bem, pode-se cair na tentação de dispensar Deus, porque já se tem o que desejaria. Sobretudo são as contrariedades, trabalhos penosos, contratempos, desventuras é que levam ao desânimo e que tentam nos separar do amor de Deus e de Cristo.
Por causa das dificuldades da situação social, econômica e política na qual vivem muitos dentre nós, sempre é iminente a tentação de escolher vida contrária aos princípios do Evangelho. Paulo ensina que ‘nada nos pode separar do amor de Deus e de Cristo’.
Evangelho — Mateus 14: Compaixão diante das necessidades dos irmãos é a primeira condição para nos sentirmos motivados para a ação. Após ter dito o que Jesus sente, Mateus narra o que ele começa a fazer: cura doentes e, à tarde, sacia a fome da multidão. Como se pode observar, não se limita a proferir discursos espirituais ou prometer orações: esforça-se de maneira concreta para resolver os problemas concretos do homem.
O samaritano de quem nos fala o Evangelho não revolve todos os casos daqueles que no mundo caíram nas mãos de salteadores, mas resolve um, o seu, aquele que apareceu diante dele.
A distribuição do pães que Mateus narra logo depois tem elementos simbólicos que devem ser observados. Jesus não resolve sozinho o problema da fome da multidão. Serve-se do que o povo já tem à sua disposição: cinco pães e dois peixes. A mensagem de Jesus se torna clara. A comunidade deve colocar em comum o que possui para que se possa realizar o ‘milagre’ e haja alimento para todos. Somente quando os homens se decidirem a colocar em comum o que possuem — as próprias capacidades, seus bens, o tempo —, poderão ser resolvidos os problemas da humanidade.
As pessoas saciadas da fome são cinco mil. Esse número, segundo o simbolismo bíblico, indica todo o povo de Israel. Depois que Israel ficou saciado, restam doze cestos. O número doze indica o novo povo de Deus, representado pelos doze apóstolos. A este novo povo jamais faltará o pão que é Cristo, haverá sempre sobra para recomeçar a distribuição. Aquilo que Jesus fez deve continuar se realizando hoje. Através dos seus discípulos ele continua saciando a fome de todos os homens, em todos os tempos e de todos os lugares.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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