Será outra ilusão?


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Mal acabou a ‘ilusão’ de que seríamos campeões do mundo jogando dentro de nosso país, começamos a vivenciar a ‘ilusão eleitoral’. Ilusão sim! Se lembrarmos as promessas efetuadas pelos então candidatos em 2010, que foram eleitos e assumiram o governo federal, estaduais, o Congresso e a Assembleias Legislativas estaduais, verificaremos que pouquíssimas foram cumpridas. A verdade é que a esperança que tínhamos com o fim dos 21 anos de governo militar, de vermos resgatada uma democracia que realmente buscasse o interesse público como objetivo principal, não ocorreu. Passados 29 anos, a cada dia o sonho se vai ruindo em razão do desmantelamento do Estado. Escândalos e corrupção crescentes — nossos senadores, deputados e vereadores legislam quase sempre em função de seus interesses pessoais e eleitorais —, nossas leis são interpretadas de forma contrária ao Estado de Direito e da segurança jurídica. Em processos administrativos onde o Estado, queira ou não, julga a si mesmo, os percentuais comprovam que os cidadãos e as empresas são as partes mais fracas. Desperdícios consomem além da alta carga tributária arrecadada, sem devolver aos cidadãos serviços básicos que são obrigação do Estado oferecer. Além de tudo vemos um governo que somente se preocupa com sua reeleição, deixando providencias econômicas essenciais para depois das eleições. É como, a exemplo, uma pessoa receber um diagnóstico de uma grave doença e deixar para iniciar o tratamento daqui a seis meses.
 
Em síntese, enquanto não efetuarmos grande reforma política em nosso país — e foi exatamente isso que o povo pediu nas manifestações de 2013 — e, simultaneamente, resgatar a autonomia plena do poder Judiciário através da retirada de nomeações políticas para os Tribunais, não conseguiremos sair do marasmo em que nos metemos. Vivenciaremos, isto sim, mais uma ilusão!
 
AINDA A COPA: Após o ‘desastre’ da seleção brasileira de futebol, em reunião familiar alguns priminhos e seus colegas vieram nos perguntar se o Brasil tinha ‘vendido’ a Copa, conforme comentários ouvidos aqui e ali. Respondemos que não podíamos acreditar em textos lançados na Internet. Em nossa opinião, em primeiro lugar faltou humildade da comissão técnica e dos jogadores, em reconhecer que o nosso time era inferior ao da Alemanha. Depois — e ai sim, é muito estranho — como é que treinador tarimbado, campeão do mundo e detentor de vários outros títulos tenha escalado um time totalmente aberto e vulnerável, o que não seria feito por nenhum treinador que tivesse realmente ‘estudado’, respeitado e se preparado para enfrentar os seus adversários... 
 
A VOLTA DE DUNGA: O nome de Dunga como novo treinador da seleção brasileira foi oficializado. Tem enorme rejeição em razão da pouca experiência como técnico de futebol e principalmente por sua passagem anterior pela seleção, quando chamava mais atenção pelo modo de vestir do que pelas novidades técnicas e táticas adotadas em campo. Sabemos que o trabalho feito por Dunga na Copa da África do Sul, em 2010, não foi tão humilhante como o da Copa no Brasil/2014, mas, convenhamos, há treinadores de futebol melhor preparados com mais currículo, experiência e trabalhos recentes apresentados que poderia contribuir em muito para superação desse momento crítico de nossa seleção. Infelizmente, mais uma vez, o corporativismo se sobrepõe a qualificação profissional, visto que após o anúncio de que Gilmar Rinaldi seria o novo coordenador geral de seleções e pela entrevista dada ficou claro que a amizade iria se sobrepor a tudo. Foi assim que o nome de Dunga ganhou força. Os dois atuaram juntos pelo Internacional e pela seleção brasileira, disputaram uma Olimpíada e foram campeões em 1994 nos EUA. Além do mais, são amigos próximos.
 
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
 

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