Neste domingo a Palavra de Deus é luz para a vida de todos sem excluir alguém. Ouvindo estes trechos estaremos diante de um espelho que mostra, de forma clara, o nosso íntimo.
Na Primeira Leitura, Sabedoria12. Entre os livros do Antigo Testamento, o da Sabedoria foi o último a ser escrito. Seu autor, um sábio judeu de Alexandria do Egito, provavelmente ainda vivia quando Jesus nasceu. Alguns israelitas espalhados pelo mundo tinham prosperado bastante, exerciam profissões rendosas, mas a maioria vivia em dificuldades de ordem econômica. Estes se perguntavam: Por que nós, embora fiéis à lei de Deus, somos permanentemente oprimidos e humilhados, enquanto os pagãos que se comportam como ímpios prosperam sempre mais e têm sorte na vida? Por que Deus não intervém para pôr um pouco de ordem nas coisas?
O texto do livro da Sabedoria, que nos é proposto hoje, responde a estas perguntas. Afirma: a força do Senhor sempre é grande, mas ele não a usa para castigar ou causar o mal para o homem, porque ele é indulgente com todos. O seu domínio é universal, estende-se sobre os justos e sobre os ímpios; ele não pode amar somente alguns. Os homens usam a própria força para incutir medo nos outros, para subjugá-los, para forçá-los à obediência e ao respeito. Deus não age assim.
O último versículo apresenta dois motivos pelos quais Deus age desta maneira. Antes de tudo, age assim para ensinar a seu povo que o justo deve amar os homens, todos os homens, não somente os bons; em seguida, para proporcionar aos pecadores a possibilidade de se arrependerem. Ele não ama somente os bons, ama a todos, também os maus, porque são suas criaturas, e o único desejo que ele tem é que mudem de vida, depressa, para que eles também possam sentir-se felizes.
Segunda Leitura, Romanos 8: Na leitura deste dia Paulo confessa com candura: ‘nós não sabemos como rezar”, não sabemos o que pedir a Deus; por isso o Espírito vem em nossa ajuda e nos sugere o que temos que dizer ao Pai. Esta oração que procede do Espírito sempre é atendida, porque ele sempre está em conformidade com os desejos de Deus. Rezar, portanto, é o mesmo que deixar-se guiar pelo Espírito que nos aproxima sempre mais de Deus e nos abre o coração aos irmãos.
Evangelho, Mateus 13: No tempo de Jesus o povo tinha certeza que, com a vinda do Messias, teria começado um Reino no qual somente teria existido o bem. E o mal? O que teria acontecido aos maus? Muito simples: teriam sido queimados por um fogo vindo do céu. Jesus não concordava com estes ensinamentos. Não só não queria destruir os pecadores, mas os recebia na sua própria casa, convidava-os para a refeição, encontrava-se com os ladrões, com os hereges, com as prostitutas. Os cristãos das comunidades perguntavam com insistência: Que espécie de Reino instaurou Jesus, se não conseguiu fazer desaparecer de imediato e para sempre toda espécie de mal? A esta angustiante interrogação o evangelista responde com a parábola do trigo e da cizânia. Consideremos antes de tudo os servos e o seu comportamento. Eles são até simpáticos; é comovedora a dedicação deles ao trabalho, o seu interesse pela lavoura. Cometem, porém, um erro: deixam-se levar pela impaciência e pela afobação de acabar logo com a cizânia. Gostariam de resolver logo decidida e rapidamente, sem hesitações. O patrão não pensa como eles: ele mantém a calma, não estranha, não se perturba, não condivide a sua agitação e a sua inquietação. A sua resposta revela a atitude de Deus em relação ao mal que existe no mundo, na Igreja, em cada indivíduo. O bem e o mal, diz o Senhor, não podem ser separados, devem crescer juntos, e assim será até o fim. Em cada ser humano há um pouco de bem e um pouco de mal, por isso não é possível intervir com o fogo do céu: tudo seria destruído, o bem e o mal.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br
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