Deus sempre comunica a sua bondade dentro da nossa vida. Deus é bom! Reunidos na Eucaristia vamos ouvir a Palavra de Deus e compreender seus ensinamentos. Os textos sagrados reservados para hoje são Zacarias 9 (Primeira Leitura), Romanos 8 (Segunda Leitura), Mateus 11 (Evangelho).
Primeira Leitura — Zacarias 9: A primeira leitura apresenta o rei messiânico humilde. Naquele tempo, os judeus já não tinham rei próprio. Os direitos régios estavam nas mãos de reis estrangeiros, Alexandre Magno e seus sucessores. Zacarias exprime a ‘saudade do futuro’, o anseio por um rei não violento e opressor, um rei que fosse justo e não recorresse à violência. O profeta imagina este Esperado de Deus, o Messias, como rei diferente: em vez de entrar na cidade sentado num cavalo guerreiro, está sentado num jumento, animal que simboliza, ao mesmo tempo, mansidão e paz, pois, sendo animal de carga serve para o bem-estar do povo e não para a destruição. Esse rei acabará com os carros e os arcos de guerra e estenderá, como outrora Davi, um império de paz de um mar a outro. Ele é justo e dedicado a Deus, que o ajuda e faz dele o salvador do povo que tinha sido dispersado pelo exílio babilônico e por outras violências.
Segunda Leitura — Romanos 8: Na segunda leitura, encontramos uma mensagem semelhante: viver conforme o Espírito. Fechado a Deus, o ser humano é ‘carne’, existência humana limitada, sem perspectiva. Se ele não se abre a Deus, também seu intelecto é ‘carnal’. Quem se abre ao Espírito, até seu corpo se torna espiritual, destinado para a vida verdadeira.
Os critérios da vida nova em Cristo, ou seja, da vida espiritual são bem diferentes dos da vida antiga, carnal. O Espírito é a força vivificadora e transformadora que nos é dada em Jesus Cristo e da qual sua ressurreição é o sinal. É difícil convencer-se disso. Estamos sempre prestando contas a critérios humanos, que nos são impostos sem a mínima ‘razão razoável’: moda, consumo, aparência, ditadura, medo. Temos medo da liberdade do Espírito dos filhos de Deus. Ora, não estamos devendo nada àquilo que, nesses critérios mundanos, se oponha à vontade de Deus.
Evangelho — Mateus 11: O evangelho de hoje sugere que Jesus é quem leva à plenitude o ‘messianismo diferente’ presente em Zc 9. Sua relação com Zc 9 está, sobretudo, no tema da mansidão. Jesus acolhe os humildes e revela a eles, e não aos sábios e entendidos, algo que não vem de instância humana, mas do Pai. E, por causa de sua mansidão, seu ‘jugo’, sua doutrina e orientação, são leve e suave. O contexto do evangelho de hoje é o seguinte: Jesus acaba de censurar as cidades da Galileia por causa de sua auto-suficiência e orgulho. Em oposição a esse orgulho, surge a figura do mestre humilde, do revelador de Deus que se dirige aos simples e pequenos. Aqui, o que vale não são os critérios de grandeza humana, mas o puro dom gratuito de Deus: Jesus é o Filho, aquele que conhece o Pai por dentro e pode dispor de tudo o que é do Pai.
Concatenada com essas palavras de júbilo, segue outra sentença: um convite aos humildes para que acolham o ‘jugo’ do mestre humilde. Jesus é um mestre diferente. Seu jugo, à diferença do de outros rabinos, não pesa nem machuca: é suave, dá paz e descanso às almas. Jesus é o mestre humilde e manso de coração. O contrário da humildade são o orgulho e a ostentação, que caracterizam os ‘grandes’ de todos os tempos. A violência não converte ninguém. Da violência não se pode esperar resultado válido e duradouro. Só a ‘mansidão’ desmancha os argumentos da violência, lição do grande Mahatma Gandhi e, sobretudo, de Jesus crucificado.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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