A Igreja celebra o martírio de Pedro e de Paulo na mesma data porque eles estiveram unidos no mesmo propósito: seguir Jesus até a morte. Ambos são alicerces vivos do edifício espiritual que é a Igreja. Pedro evangelizou os judeus, Paulo fez a mensagem de Jesus chegar às demais nações. A incessante pregação de ambos foi fecundada com o martírio. Não foram pessoas apenas de palavras, mas testemunhas de que a fé remove as montanhas do egoísmo.
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 12: Na primeira leitura, Pedro é envolvido no mesmo destino de Jesus, primeiro porque foi preso na festa dos pães sem fermento (a Páscoa). Sua prisão não é fato isolado. O governante condena pessoas inocentes para garantir a própria popularidade, algo semelhante ao que foi feito com Jesus. Os detalhes sobre como Pedro era vigiado pelos soldados apenas asseguram que uma fuga seria impossível. Enquanto Pedro estava preso, a Igreja reunida orava, solidarizando-se com a situação dele. O texto enfatiza que Pedro dormia enquanto esperava julgamento e condenação. Teve dificuldade para saber se o que estava acontecendo era real, o que significa que não esperava a libertação. Mesmo assim conseguia dormir porque confiava plenamente em Deus e estava preparando para morrer por sua fé. Herodes não conseguiu seu intento de destruir a Igreja.
Segunda leitura — IIª Carta a Timóteo 4: O texto se refere a Paulo, preso e pensando se seria condenado à morte. Suas palavras não revelam amargura, mas serenidade de quem se abandonou nas mãos de Deus.
O apóstolo estava pronto a ser imolado. Além disso, considerava que morte, por causa do evangelho, é aceita por Deus como verdadeiro sacrifício.
A vida do cristão é comparada a batalha ou esporte de olimpíada: ‘Combati o bom combate, terminei minha carreira’, mas em tudo a fé saiu vitoriosa. Faltava apenas subir ao pódio e receber a coroa de louros que confirmava a vitória. Significa que apóstolo sabe que Deus não deixa sua morte sem resposta: a última palavra não é da morte, mas de Deus, que dá vida plena aos que nele se abandonam.
Evangelho — Mateus 16: Jesus faz duas perguntas aos discípulos. Na primeira, quer saber o que as pessoas em geral dizem a respeito dele. Na segunda, qual o pensamento dos discípulos. Jesus sabe que da correta assimilação de sua identidade depende a correta compreensão de sua mensagem.
Se alguém entende de forma errada quem é Jesus, compreenderá erroneamente sua mensagem, e terá uma práxis diferente daquela que ele espera. Na resposta dos discípulos à primeira pergunta, são explicitadas as diversas esperanças messiânicas de Israel. Pedro toma a iniciativa de responder à pergunta sobre a identidade de Jesus. A resposta da comunidade representada por Pedro é profissão de fé no ‘Cristo, filho do Deus vivo’.
Essa profissão de fé não é fruto da lógica e do esforço humano, mas é revelação divina. Quem o revela à comunidade é o próprio Pai, que está no céu. O fundamento da Igreja é Jesus, pedra angular, confessado Messias/Cristo pela comunidade de seus seguidores. A comunidade dos seguidores confessou a verdadeira identidade de Jesus como Messias/Cristo, e, por isso, recebeu ‘as chaves do reino’. Cuidar do Reino significa fazer que ele cresça neste mundo. Em função do avanço do Reino, uma das tarefas da Igreja é ‘ligar ou desligar’, mas isso não diz respeito a autoridade soberana do líder da Igreja. O sentido de ‘ligar ou desligar’ diz respeito ao âmbito da comunhão entre o fiel e a comunidade, ao sacramento da reconciliação.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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