Proclamar a fé sem medo


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O tema deste domingo é o reconhecimento e gratidão pela graça de Deus, manifestada nos profetas e, sobretudo, em Jesus Cristo, e que nos leva à convicção e à coragem de professar a fé, apesar de ameaças, escárnio ou pouco caso que esse testemunho encontre. Em que pesem as dificuldades e perseguições, sabemos que Deus está conosco.
 
Primeira Leitura — Jeremias 20: A situação vivida por Jeremias não tem comparação com as dos demais profetas.Foi chamado a profetizar num período crítico, vésperas da ruína do reino de Judá, no século VI a.C. Sua mensagem demolidora contra as instituições provoca-lhe ameaças, calúnias, processos e perseguição. Anuncia ‘o terror de todos os lados’, que culminaria na deportação e exílio em Babilônia. Seus adversários o acusam de terrorista. Até amigos foram subornados e armaram-lhe ciladas. Pela confiança que depositava em Deus podemos captar a ação de seus inimigos : fazem-lhe violência física para eliminá-lo e procuram arrastá-lo ao tribunal para, mediante falsas acusações, condená-lo à morte. Javé é seu guarda-costas e advogado de defesa, e desmascara tudo. Não quer dizer que o conflito seria eliminado, porém, faz o profeta viver na certeza da libertação: sua luta não é estéril.
 
Segunda Leitura — Romanos 5: São Paulo põe em contraste figuras que representam opções de vida diferentes: Adão e Jesus Cristo. Adão, o homem velho, por meio do qual o pecado entrou no mundo, traz como consequência a morte. Contrasta com Jesus Cristo, o homem novo, mediante o qual a graça de Deus se torna presente no mundo, trazendo vida em plenitude. A humanidade inteira é solidária de Adão: todos pecam. Jesus, com sua morte e ressurreição, rompe o circulo fechado do pecado e nos salva por sua misericórdia e poder. É solidário conosco por causa de nossa incapacidade em salvar a nós mesmos. 
A misericórdia de Deus se manifesta no fato de quebrar o círculo vicioso do pecado que gera novas mortes para introduzir a humanidade na esfera da graça e da vida. É assim que Paulo sintetiza o projeto de Deus realizado em Cristo Jesus. 
 
Evangelho — Mateus 10: Jesus enviou seus discípulos para anunciar e implantar o Reino de Deus. Hoje, lhes ensina-lhes a firmeza profética. Também a não ter medo dos que matam o corpo, a viver a confiança em Deus. O evangelho de Mateus nasceu de comunidade que já havia experimentado a violência da perseguição por causa de Jesus. Para os primeiros cristãos, a perseguição entrava na lógica do anúncio evangélico: aconteceu assim com Jesus, assim acontecerá com os que lhe forem fiéis. Contudo, os cristãos se perguntavam: não existe outra forma de viver o evangelho sem ser perseguido? Essas perguntas tratam da missão da comunidade cristã diante de conflitos e perseguições por causa de testemunho. A expressão ‘Não tenham medo’ aparece três vezes no texto. É uma espécie de refrão, marcando com força a ideia de que é preciso ter coragem. O versículo 28 mostra a quem a comunidade deve temer, mas temer, significa obedecer. Sabemos de que medo se trata: é o das consequências que a prática de Jesus suscita hostilidades, perseguições, sentenças sumárias e morte. Jesus garante: o que está encoberto será descoberto, e o que está escondido será revelado.
Declarar-se a favor de Jesus é superar o medo e enfrentar inclusive a morte. Para os primeiros cristãos o martírio era o momento solene em que podiam proclamar, antes de serem executados, que razão animava suas vidas. Por causa disso perdiam a vida, sem que ninguém os defendesse. Contudo, o contexto recorda outro processo, diante de Deus: os que confessam Jesus o terão por advogado diante do Pai. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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