A Igreja celebra hoje a solenidade da Ascensão de Jesus: sua volta para o céu. Ele não está longe. Está perto de nós. Vamos meditar sobre o significado da Palavra de Deus através da leitura dos textos sagrados reservados para hoje: Atos dos Apóstolos 1 (Primeira Leitura), Efésios 1 (Segunda Leitura) e Mateus 28 (Evangelho)
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 1: Lucas afirma que o Ressuscitado conduziu os discípulos em direção a Betânia e ‘enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu’. Eles, depois de o terem adorado, voltaram a Jerusalém em júbilo. Conforme Lc 24, a Ascensão acontece no dia da Páscoa, enquanto os Atos a deslocam para 40 dias após.
No tempo de Jesus a expectativa do reino de Deus é viva e escritores apocalípticos anunciam como iminente. Com a morte do Mestre, as esperanças se desfazem: ‘Esperávamos que teria sido ele que libertasse Israel’, dirão os dois de Emaús. Os anos passam e o Senhor não vem. Há ironias: ‘Onde está a promessa da sua vinda? Desde o dia em que nossos antepassados fecharam os olhos, tudo continua como no princípio da criação’. Lucas escreve neste cenário.
Serviu-se do arrebatamento de Elias para exprimir realidade que não pode ser verificada com os sentidos, nem descrita com palavras: a Páscoa de Jesus, sua Ressurreição e entrada na glória do Pai. A nuvem indica, no Antigo Testamento, Deus num determinado lugar. Os dois homens vestidos de branco são os mesmos que aparecem junto ao sepulcro no dia da Páscoa. A cor branca representa, na simbologia bíblica, o mundo de Deus. Por fim, o olhar voltado para o céu. Como Eliseu, também apóstolos e cristãos do tempo de Lucas permanecem contemplando o Mestre que se afasta. Seu olhar voltado ao céu é semelhante ao de cristãos de hoje que não consideram a religião, estímulo para comprometer-se concretamente, a fim de melhorar a vida dos homens. A esses, Deus diz: ‘Deixai de olhar para o céu, é na terra que deveis dar provas da autenticidade da vossa fé”. Jesus voltará, mas essa esperança não deve ser motivo para ausentar-se dos problemas do mundo.
Bem-aventurados serão aqueles que o Senhor, ao voltar, encontrar ocupados no trabalho para os irmãos.
Segunda leitura — Efésios 1: Paulo pede a Deus a sabedoria para os seus cristãos. Não se trata de sabedoria humana, mas de inteligência para compreender o mistério da Igreja. Pede a Deus para iluminar seus corações, a fim de entenderem quão grande é a esperança para a qual foram chamados. Embora comprometidos nas atividades da vida, sentem-se sempre como estrangeiros à espera que Cristo venha buscá-los para ficarem com ele para sempre.
Evangelho — Mateus 28: Em foco, o encontro de Jesus com seus apóstolos na Galileia, mesmo lugar onde Jesus iniciou sua vida pública. Acontece numa montanha, onde Mateus coloca Jesus em seus mais importantes momento. Quando esse detalhe é lembrado, compreende-se o sentido da cena: a missão dos apóstolos enviados ao mundo inteiro é relevante acontecimento. A observação de que ‘alguns dos Apóstolos ainda tinham dúvidas’ surpreende. Como era possível ainda ter dúvidas, já que haviam encontrado o Ressuscitado em Jerusalém, no dia da Páscoa? É possível acreditar e ter dúvidas? Sim! Nós, como os apóstolos, podemos ter convicção da ressurreição, mas não temos como verificar. As dúvidas dos apóstolos são conforto para nós. Acreditamos em Cristo, mas temos incertezas, fraquezas e pecados, mas não devemos desanimar: é a nossa condição humana, e Jesus veio para transformar isso, trazer redenção.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Cateral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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