Vida solidária


| Tempo de leitura: 3 min
Hoje é domingo, dia do Senhor. Reunidos para participar da Santa Missa, Deus, através da sua palavra, fala conosco. Eis os textos sagrados reservados para hoje: Atos dos Apóstolos 6 (Primeira Leitura), 1ª Carta de Pedro 2 (Segunda Leitura), João 14 (Evangelho). Vejamos os ensinamentos do Senhor.
 
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 6: A leitura apresenta a primeira tensão séria surgida no seio da comunidade de Jerusalém. Em Jerusalém a comunidade é formada, inicialmente, por judeus que pertencem a dois grupos distintos: judeus e helenistas. Os primeiros, da Palestina são muito apegados às tradições de seus antepassados e à lei de Moisés. Aceitam e consideram fora de discussão os ensinamentos e as interpretações transmitidos pelos rabinos.
 
Os helenistas, ao contrário, nasceram no exterior. Em contato com outros povos conheceram e adotaram hábitos de vida que seus conterrâneos condenam como corruptos. São liberais em relação às tradições e normas ensinadas pelos rabinos. Isso sugere duas reflexões úteis para nossa vida, hoje: A primeira é que a Igreja, formada por homens e não por anjos, sempre teve que se preocupar com invejas, ciúmes, incompreensões entre pessoas de mentalidades e cultura diferentes. A segunda, é que diante das crescentes necessidades da comunidade, os apóstolos não reservam para si toda a autoridade, não querem assumir todo o trabalho, com o risco de não cumprir bem nenhum. Reservam para si um só ministério: o anúncio da Palavra.
 
Segunda Leitura — 1ª Carta de Pedro 2: Pedro compara a Igreja a um edifício espiritual. O construtor é Deus, e o material, não tijolos de terra, mas pedras vivas, que são os homens. A construção começou com pedra angular sólida, colocada como fundamento de todo o edifício. Esta primeira pedra é Cristo. Sobre ele, Deus foi colocando outras pedras: os que acreditam nele, e os recém-batizados. Unidos com Jesus, formam um novo e imenso templo. O antigo templo de Jerusalém, construído com pedras materiais e lugar onde eram oferecidos sacrifícios materiais, é substituído por este novo templo. Nele, todos oferecem, junto com Cristo, sacrifícios espirituais que agradam a Deus: vida santa, irrepreensível e repleta de obras de amor. 
 
Evangelho — João 14: O trecho é de um dos três discursos de despedida pronunciados por Jesus durante a última Ceia. Começa com frase que pode ser mal interpretada: ‘Na casa do meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-vos uma. Quando a tiver preparado, voltarei e vos tomarei comigo. Vós conheceis o caminho para ir aonde eu vou’. Jesus afirma se deve percorrer um ‘caminho’, difícil, e acrescenta que os discípulos devem conhecer muito bem esse ‘caminho’, porque falou dele muitas vezes. Trata-se do caminho para a Páscoa, difícil porque exige sacrifício da própria vida. Quanto à questão das ‘muitas moradas’, não é o paraíso, mas a comunidade cristão, que tem muitos serviços a fazer, muitas funções a serem desempenhadas. Há muitas formas de concretizar o dom da vida. Os ‘muitos lugares’ são, também, os ‘diversos ministérios’, diversas situações nas quais cada um pode se colocar à disposição dos irmãos suas próprias capacidades. O lugar que Jesus prepara é avaliado com base de outro critério: aqueles do serviço. O melhor ‘lugar’ é aquele onde se pode servir o irmão mais e melhor. A segunda parte do evangelho está centrada na pergunta de Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta’. Para ver o Pai não é preciso raciocinar. Basta contemplar o Cristo, observar o que faz, o que diz, o que ensina, como se comporta, como ama, a quem prefere. Numa palavra, Jesus é, de fato, a face humana de Deus. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários