Chegou o domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor. É a festa mais importante para os cristãos. A Palavra de Deus é rica em ensinamentos. Meditemos, através dos textos sagrados reservados para hoje, uma das mais importantes do cristianismo: Atos 10 (primeira leitura), Colossenses 3 (segunda leitura), e João 20 (evangelho).
Primeira Leitura: Atos 10: Esta leitura é tirada de um dos discursos de Pedro. Ele, falando a um grupo de pagãos, resume em poucas palavras a mensagem cristã. Pedro a apresenta em quatro pontos: (1) Antes de tudo relembra os momentos principais da vida de Jesus. (2) O segundo ponto narra o que os judeus fizeram a este enviado de Deus: mataram-no, pregando-o numa cruz. (3) O terceiro ponto: diante desta maldade humana, como Deus reagiu? Ele diz Pedro não podia abandonar o seu ‘Servo’ fiel nas mãos da morte. Por isto o ressuscitou. (4) Por fim fala da missão dos discípulos: eles são testemunhas destes fatos.
Esta leitura é antes de tudo um convite a tomar consciência da verdade fundamental da nossa fé: a ressurreição de Cristo. Este trecho, em seguida, nos conduz à reflexão sobre a nossa missão de testemunhas da ressurreição. Os apóstolos são testemunhas de Jesus porque estiveram com ele, comeram e beberam com ele, ouviram os seus ensinamentos e viram os seus milagres. E nós, hoje, como podemos ser testemunhas?
Somos, se fizemos a experiência da ressurreição. Se nas nossas comunidades todos conduzirem a sua vida ressuscitados, se foram abandonadas as obras da morte: os ódios, os rancores, as invejas, se não se praticam mais violências, vinganças, adultérios... então podemos proclamar-nos testemunhas da ressurreição.
Segunda Leitura: Colossenses 3: Ao escrever aos cristãos de Colossos, Paulo lhes recorda que no dia do Batismo eles nasceram para uma vida nova, vida que tem sua plena realização não neste mundo, mas no mundo de Deus. A fé, neste mundo, é o que distingue os crentes dos ateus. Os ateus de fato julgam que o homem, contando unicamente com suas forças, consegue salvar-se e pensam que a salvação se consegue neste mundo.
Somente Cristo morto e ressuscitado dá uma resposta satisfatória a estas perguntas. As boas obras não podem faltar, nos dia a leitura de hoje, pois são uma manifestação da vida nova, e são sinais da sua presença. São como os frutos que podem aparecer e crescer somente numa árvore viva e viçosa.
Evangelho — João 20: Logo pela manhã, no primeiro dia depois do sábado, Maria de Magdala foi até o sepulcro. Era ainda escuro... Nestas primeiras palavras do Evangelho do dia da Páscoa se percebem, se tocam, quase se respiram os sinais da vitória da morte. Tudo é silêncio na terra, imobilidade, calma, enquanto uma mulher, sozinha e assustada, anda na escuridão da noite.
Também hoje no mundo existem regiões e situações nas quais a morte domina absoluta e o silêncio comemora a sua vitória. O poder, o princípio da força, a discriminação, a injustiça, o fermento da astúcia parecem por vezes esmagar definitivamente as forças da vida e o homem se sente como que retraído e inerte diante do triunfo do mal. Após esta explosão da vida eis que entram em cena dois discípulos. Um deles é bem conhecido: Pedro; o outro não tem nome. Diante dos sinais da morte (o túmulo, os lençóis, o sudário...) ele percebe a vitória da vida.
O comportamento dos dois discípulos diante do sepulcro vazio se repete ainda hoje. Há quem pense que o dom da própria vida seja somente morte, renúncia, destruição de si mesmo. Outros, ao contrário, compreendem que uma vida consagrada aos irmãos, como fez Jesus, não termina com a morte, mas se abre para a plenitude da vida em Deus.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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