Os últimos acontecimentos de nosso país, com tristeza, nos levam a concluir que um Estado Paralelo toma mais corpo e força, a cada dia. Autoridades não querem admitir que o Brasil vem perdendo poder sobre seu próprio território, mas, como não admitir? Vemos casos nos quais, para retomar controle, têm-se de montar operações de guerra, inclusive com apoio das Forças Armados, visto que as policiais militares não conseguiriam sozinhas.
O mais grave é ver que a população desses locais, na grande maioria, prefere a permanência desse Estado Paralelo no comando de seus bairros, que retomada pelo governo, já que a contrapartida em serviços públicos e assistência social que o Estado brasileiro (União, Estados-membros, Distrito Federal e municípios) coloca à disposição dos cidadãos é ínfima. Os líderes do tal Estado Paralelo auxiliam muito mais as populações locais que qualquer outro órgão público.
Tornou-se possível por causa da ausência do Estado em determinados locais, por décadas. O crime organizado, com a ascensão do tráfico de drogas nos anos 80, assumiu a ‘administração’ das comunidades, impondo suas leis. Cresce, então, esse poder paralelo. O Estado, por sua vez, abandonou o povo à própria sorte. Na sua ‘região’, a liderança do tráfico substitui o Estado realizando — quase sempre, em troca de favores — o trabalho social para os carentes, distribuindo alimentos, remédios, brinquedos etc., conseguidos em assaltos e outras formas criminosas. Ai também atua como se fosse um ‘juiz’ na resolução das contendas. Sua palavra, sua decisão, não se discute. Cumpre-se.
Isso está ocorrendo nas pequenas, médias ou grandes cidades. Basta olhar, com atenção, o que ocorre quando a polícia prende um determinado ‘líder local’. Imediatamente, os populares, beneficiados pela ação da criminalidade, tentam evitar a prisão geralmente alegando excesso e violência da polícia, se rebelam colocando fogo em ônibus, promovem quebra-quebra, causam tumulto, pânico, provocam saques etc.
Senhores detentores do poder! O povo já está cansado de ‘marketing’, de ações cinematográficas meramente paliativas, ineficientes e ineficazes que não levam a nada, ações que somente colocam a polícia na linha de frente apenas como ‘bucha de canhão’, além de não dar condições para que os policiais possam, efetivamente, agir. Não há medicina que consiga extirpar um câncer generalizado, enraizado. Não há policia que consiga por fim, de vez, ao crime organizado, principalmente com tantas ramificações, como denota haver. É necessário que se faça um grande trabalho de conscientização, paciência, perseverança, inteligência, e que se corte todo o mal pela raiz. Quando falamos em cortar o mal pela raiz, significa agir em todas as instâncias estatais onde for comprovada corrupção de apoio ao tráfico, de apoio ao crime organizado.
É preciso vontade política para realmente querer mudar. Não podemos ver criminalidade como algo aceitável e inevitável. Somente através da união de autoridades e população poderemos recuperar a soberania do Estado. Só assim a ordem pública voltará a ser respeitada por todos, e não somente por alguns.
PUNIÇÃO MESMO: Aproveitando o tema anterior, é impressionante as diferença do combate à criminalidade aplicada nos países chamados de primeiro mundo, e o nosso. A televisão mostrou, dia destes, a prisão de um adolescente de 16 anos nos Estados Unidos, depois que ele promoveu ataque em escola. Detido, foi visto com algemas, acorrentado pelos tornozelos, com uma aparente camisa de força e um grosso cinto de couro, tudo aceito em prol da vida harmônica em sociedade. Fosse no Brasil, todos os policiais estariam respondendo processos disciplinares e o menor (vítima da sociedade!) solto, continuando a delinquir.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
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