A água viva!


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A liturgia da Igreja nos apresenta neste terceiro domingo da Quaresma a catequese da “água viva” que Cristo oferece à samaritana e que nos lembra o nosso batismo! Com fé em Deus e apoiados nos seus ensinamentos vejamos o que a Palavra tem para nos ajudar.
 
Primeira Leitura - Êxodo 17: Após a saída do Egito e a passagem do Mar Vermelho, o povo de Israel, guiado por Moisés, começa a viagem para atravessar o deserto do Sinai e chegar à terra prometida. O início desta viagem foi glorioso, aconteceram grandes prodígios, todos estão certos de que Deus está do lado deles, houve cânticos festivos e gritos de alegria. Depois começaram as dificuldades: o calor sufocante do deserto, o cansaço, as serpentes, a fome e sobretudo a sede. É muito difícil encontrar água no deserto. Quando os israelitas percebem que não há água, têm medo de morrer, duvidam da fidelidade de Deus às suas promessas. A experiência de Israel que sai do Egito se repete na vida de todo cristão. Este também, como os israelitas, é alguém que se deixou convencer a abandonar a “terra da escravidão”, a vida antiga: tornou-se catecúmeno e aceitou o Batismo.
No começo tudo parece fácil. Começaram depois os desencantos: continuaram as dificuldades de sempre. Até os membros da comunidade cristã não são aquelas pessoas exemplares que imaginava.A esta altura, o cristão, como o povo de Israel, começa a duvidar que Deus realmente acompanhe a comunidade na sua caminhada, que a proteja, que a defenda, que a abençoe como muitas vezes lhe foi dito.  Note-se que no texto deste dia Deus não reage com castigos ao desafio que o povo lhe lança. Ele conhece a fragilidade e as dificuldades dos seus filhos. Sabe que existem situações nas quais é muito difícil para o homem continuar acreditando. 
 
Segunda Leitura - Rom 5: Em meio às dificuldades e incerteza da vida, podemos chegar ao ponto de pensar que Deus nos tenha abandonado e que a nossa esperança não tenha nenhuma base sólida. Paulo nos ensina que a nossa esperança não está fundada nas nossas boas obras, mas no amor de Deus. Este amor não é fraco, nem inconstante, nem inseguro como o nosso. Estamos capacitados a amar somente os bons, os amigos, os que nos proporcionam o bem. Para esses poderíamos até, em algum caso extraordinários, estar dispostos a dar a nossa própria vida. 
Deus é diferente de nós. Deus ama os homens também se são seus inimigos; de fato, enquanto eles recusavam o seu amor e o desprezavam e estavam longe dele, mandou-lhe o seu Filho. A nossa esperança, diz Paulo, nunca será em vão, não porque nós somos bons, mas porque Deus é bom.
 
Evangelho - Jo 4: Antigamente o poço era o lugar onde as pessoas se encontravam. A Bíblia relata muitos desses encontros junto ao poço. O Evangelho deste domingo nos conta um destes encontros, que tem como protagonistas Jesus e uma mulher da Samaria. O poço em questão ainda existe, encontra-se ao longo da estrada que conduz da Judéia para a Galiléia é muito fundo e ainda fornece água boa e fresca, como no tempo de Jesus. 
Jesus cansado da viagem, senta-se junto ao poço, à espera dos seus discípulos, que foram comprar alimentos no vizinho povoado de Sicar. É meio-dia quando chega uma mulher para buscar água e Jesus lhe pede de beber. O espanto dessa mulher é muito grande. Os rabinos ensinavam que, se durante a viagem, alguém precisasse pedir informações a uma mulher, devia limitar ao mínimo a conversa. 
Sendo esta a tradição, compreende-se o espanto dos discípulos que, ao voltar do povoado vizinho, encontram Jesus que conversa tranquilamente com uma samaritana. Este comportamento muito liberal e independente do Mestre nos leva a pensar. Ele não se deixa influenciar por regras que discriminam e não têm sentido.  Desde o início o Evangelho de João apresenta Jesus como o esposo, e a humanidade pecadora como a esposa que ele veio buscar novamente. Com o seu amor quer torná-la novamente fiel.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br

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