A vocação de Abrão e a nossa


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Hoje celebramos o segundo domingo da Quaresma. O tema central da Palavra de Deus é ‘Vocação’. Vamos analisar as leituras sagradas reservadas para hoje e refletir os ensinamentos sagrados para nossas vidas. Os textos são Gênesis 12, na primeira leitura; IIª Leitura a Timóteo 1, na segunda leitura e Mateus 17, no evangelho. 
 
Primeira Leitura — Gênesis 12: Esta leitura fala da manifestação de Deus a Abraão chamando-o a ser pai de um grande povo. Por volta do ano 1850 a.C., acontecem na Mesopotâmia perturbações políticas e gera-se tal confusão que muitos emigram. A família de Abraão pertence a um dos grupos. Deus manifesta a ele a sua vontade e Abraão sabe interpretar, nos acontecimentos que o envolvem e deixa-se conduzir por ele. Custa-lhe abandonar tudo para dirigir-se a nação desconhecida, habitada por povo pouco hospitaleiro, mas, confia. Sabe que Deus o conduzirá. 
O que aconteceu a Abraão é imagem do que acontece na vida de todos os catecúmenos. Deus o convida para deixar a ‘vida antiga’ na qual, certamente, encontrou alguns prazeres, alcançou certo equilíbrio, serenidade e alguma satisfação, ainda que não tenha provado a verdadeira alegria. Invade a sua vida, rompe o falso equilíbrio, promete-lhe vida autêntica. Deus não revela para Abraão, no início, para onde o conduzirá, e nem indica as dificuldades Por quê? É evidente: Abraão desanimaria. 
 
Segunda Leitura — IIª Leitura a Timóteo 1: Timóteo é ainda muito jovem quando começa a dedicar a vida à causa do Evangelho. É bom e desfruta da estima de todos, mas é retraído. Quando lhe foi enviada a carta, já era Bispo de Éfeso. O autor quer reanimar discípulos em suas duras provações. Lembra-lhes que a fidelidade a Cristo implica riscos e sofrimento. Não é próprio de Deus conduzir os homens por caminho fáceis. Na segunda parte, outro ensinamento importante: a vocação cristã é totalmente gratuita; nada podem fazer os homens para merecê-la. É um dom. 
 
Evangelho — Mateus 17: Mateus quer levar os cristãos das suas comunidades, a compreender quem é Jesus. Apresenta-o como o novo Moisés, como aquele que dá ao novo povo, representado pelos três discípulos, a nova lei, a revelação definitiva de Deus. O semblante resplandecente e as vestes luminosas indicam, sempre conforme o simbolismo do tempo, a presença de Deus na pessoa de Jesus. O mesmo sentido tem a nuvem luminosa que envolve a todos com sua sombra. Era o sinal de Deus que acompanhava o seu povo. A voz do céu é o modo de apresentar o que Deus pensa de um determinado acontecimento. 
Quem são Moisés e Elias? O primeiro é aquele que deu a Lei ao seu povo, o outro é considerado como o primeiro dos profetas. Para os israelitas estes dois personagens representam todo o Antigo Testamento. Tentemos resumir: todo o Antigo Testamento (Moisés e Elias) fala com Jesus, isto é, orienta para Jesus, adquire um sentido por Jesus. É ele a explicação e a realização de toda a Lei e de todos os Profetas.
Pedro, como de costume, não entende o significado do que acontece. Ainda julga que Jesus é somente um grande personagem, e, por isso, sugere que sejam construídas três tendas iguais. Neste ponto Deus intervém para corrigir a falsa interpretação de Pedro: Jesus não é somente um grande legislador, ou um simples profeta, é o ‘Filho predileto’ Dele. É a ele e somente a ele que os discípulos devem dar ouvidos. É por isso que se observa que, quando os três discípulos levantam os olhos, não veem mais ninguém a não ser Jesus. Moisés e Elias desapareceram, já cumpriram a sua missão de apresentar ao mundo o Messias, o novo profeta, o novo legislador.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário Geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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