Estamos vivendo o período da quaresma: tempo de forte catequese sobre a nossa conversão. Hoje a Palavra de Deus nos anima a caminhar neste processo permanente de mudança interior. Vejamos os ensinamentos da Sagrada Escritura: Gênesis 2 (primeira leitura), Romanos 5 (segunda leitura), Mateus 4 (evangelho)
Primeira Leitura: Gênesis 2: A narrativa apresenta o homem, que vive num jardim plantado de frutas raras. Pode servir-se à vontade. Há, porém, uma árvore que não pode mexer; reservada para Deus.
É um símbolo. Indica limite. Ao criar o homem, Deus lhe deu liberdade de fazer o que quisesse, menos decidir o que é bem e o que é mal. Só Deus pode comer dos frutos da árvore, isto é, só ele tem capacidade de distinguir o bem do mal. Quando o homem se esquece que é uma criatura e quer se igualar a Deus,se destrói, porque não sabe fazer escolhas certas, se deixa guiar por suas paixões; por orgulho, ira, inveja, luxúria, e acaba chamando de bem o que é mal, e achando que amargo é doce e que doce é amargo. A tentação é representada pela serpente. Ninguém a percebe, mas é perigosa e provoca a morte. O homem que julga poder substituir a Deus começa decidindo sobre o bem e o mal. A conseqüência do pecado é a maldição. Quando o homem não respeita a lei de Deus, e quer substituí-la por lei moral própria, se castiga: acaba com o casamento, emprego, amizades, destrói a criação e acaba por se tornar infeliz. A história não quer contar o que aconteceu somente uma vez, mas o que acontece todos os dias, para todos os homens, quando não querem dar ouvidos à palavra de Deus.
Segunda leitura: Romanos 5: O tema central é a contraposição entre Adão e Cristo. Adão quis ser senhor do bem e do mal e obteve, como resultado, a morte. Cristo, ao invés, reconhece sua própria dependência de Deus, sempre foi fiel e obediente ao Pai e se torna o Senhor da vida. Todos os que o seguem e o imitam na obediência são transformados em justos.
Evangelho: Mateus 4: A Carta aos Hebreus diz que ‘Jesus está em condições de compreender nossas fraquezas porque também ele foi submetido à prova, em tudo, como nós. Porém, não pecou’. A tentação não é ruim, é momento de verificação sobre a solidez de nossas escolhas. Mateus, após a morte e ressurreição de Jesus, revê o que aconteceu ao Mestre e testemunha que, durante toda sua vida, ele foi tentado. Sintetiza, então, em três tentações simbólicas as provas que Jesus enfrentou e venceu.
A primeira, é a do pão. Como o povo de Israel, Jesus é conduzido ao deserto, lá permanece por quarenta dias e sente fome. Respondendo ao tentador, Jesus afirma que ‘nem só de pão vive o homem’. Se não se alimentar do outro pão, a palavra de Deus, não conseguirá a verdadeira alegria e a paz.
A segunda, é a dos sinais. O povo de Israel, no deserto, quando teve fome e sede, desafiou o Senhor para que fizesse brotar água do chão e fazer cair pão do céu. Diferentemente desse povo, Jesus se recusa a pedir sinais Não precisa de provas para acreditar que o Pai o ama e que está permanentemente a seu lado.
A terceira tentação,a do poder, da adoração ao que não é Deus. O povo de Israel no deserto se cansa de seu Deus e adora um bezerro de ouro. Jesus não aceita inclinar-se diante de ídolo algum: não se deixa seduzir pelo poder político, dinheiro, força das armas, amizade dos grandes deste mundo, ganância de sucesso. Só ouve a voz do Pai. Nós sempre estamos sujeitos à tentação de escolher um deus poderoso, que concede domínio sobre os demais, que dá fama, títulos honrosos, empregados, reverências... Quem oferece essas coisas não é Deus, é Satanás. O Pai de Jesus oferece aos seus filhos somente serviços a prestar, com humildade, aos irmãos.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral - seganti@comerciodafranca.com.br
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