‘Deus é pai e mãe’


| Tempo de leitura: 3 min
Em meio à alegria que o carnaval oferece, Deus vem a nosso encontro hoje, domingo, com os ensinamentos de sua Palavra, que nos provocam a verdadeira alegria. Vejamos os textos sagrados reservados para hoje: Isaías (primeira leitura), 1ª Carta dos Coríntios 4 (segunda leitura) e Mateus 6. 
 
Primeira Leitura — Isaias, 49: Segundo os usos e costumes do povo de Israel, marido que tivesse repudiado a própria mulher já não podia mais viver com ela; assim também se um pai tivesse expulsado de casa o filho, já não lhe era permitido readmiti-lo na família. No exílio, na Babilônia, Israel se sente como esposa repudiada e como filho expulso pelo pai.
A resposta de Deus é maravilhosa: ‘Esquece, por acaso, uma mulher do seu filho, a ponto de não sentir-se comover em suas entranhas, pelo fruto do seu ventre? Porém, se alguma mulher ainda pudesse esquecer, eu não me esquecerei jamais’. Nós corremos o risco de medir o coração de Deus pelo nosso. Aplicamos a ele os nossos sentimentos, lógica, injustiça, emoções, reações. A leitura nos convoca a aceitar um Deus que nos surpreende porque ama em medida completamente gratuita. A mãe não ama seu filho porque ele é bom, mas porque é seu filho.
 
Segunda leitura. 1ª Carta dos Coríntios 4: Quando aceitaram o Evangelho, cristãos de Corinto tinham se apegado às pessoas que o haviam anunciado. Da preferência a um pregador ou outro, surgiram discórdias. Paulo orienta: quem são os pregadores? São servos, empregados, que trabalham para a comunidade; e o patrão é Deus. O que aprontaram os cristãos de Corinto? Transformaram os servos em patrões. O que se pede de um servo? Que seja fiel no cumprimento do que lhe foi confiado, que preste contas dos bens que administra. Os pregadores do Evangelho, ensina Paulo, devem só se preocupar em transmitir fielmente a mensagem do Mestre, sem nada acrescentar ou tirar. 
 
Evangelho — Mt 6: O Evangelho apresenta dois perigos que devem ser evitados. Um, o apego ao dinheiro. O perigo que se transforme em senhor paira sobre todos, ricos e pobres. De que forma pode se transformar em deus? É fácil: Deus é o objetivo de todos os nossos pensamentos, atos, de nossa vida, mas pode acontecer que o homem substitua, em seu coração, o verdadeiro Deus por outros deuses, e comece a amá-lo de todo o coração, alma e forças. 
Estes ‘pequenos deuses’ são chamados na Bíblia, de ‘ídolos’. São o sexo, o esporte, o partido político, a bebida, a dança, a cultura. São coisas boas, mas perigosas quando se transformam em ‘ídolos’, fazendo-nos perder o juízo, praticar loucuras. Ídolos destroem o homem.  O pior de todos é o dinheiro. Proporciona muito: comida, bebida, saúde, prazer, carro, viagem... O que pede em troca? Exige tudo! Por amor ao dinheiro o homem deve estar disposto a perder a própria dignidade, a enganar, roubar, matar, arruinar a vida dos outros, perder amizades e, até, a renunciar ao afeto da mulher e dos filhos. Deixa de ser um homem e transforma-se em escravo.
O outro perigo é menos grave. Fica a impressão que o Evangelho de hoje seja convite à indiferença diante dos problemas da vida. Mas não é. Jesus não diz ‘parai de trabalhar, comportai-vos como as aves do céu, levai a vida como os animais, não mais é preciso semear nem colher’! Não convida à preguiça, à acomodação. O que recomenda é... ‘não fiqueis aflitos, não vos inquieteis’! 
A inquietação não traz nada de bom. Provoca desastres, acrescenta mais sofrimento. O motivo para manter  paz do coração, é a certeza de que a nossa vida está nas mãos de Deus, que jamais abandona seus filhos, acompanha sempre, abençoa esforços e seus compromissos. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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