Observando as imagens divulgadas dos envolvidos na morte do cinegrafista Santiago Andrade, depois de presos, dá pena. Apresentam-se humildes, de cabeças baixas, tentando passar imagem de inocentes que não imaginavam que, acendendo um rojão e direcionando aos policiais. Tentam nos convencer que tudo foi feito sem maldade.
Agora, comparando-se imagens dos envolvidos durante a bagunça por eles provocadas, a mudança é fantástica. Agitam os braços, provocam os policiais, atiram pedras, queimam ônibus, quebram estabelecimentos comerciais, agridem inocentes que cruzam seus caminhos etc. Que tais manifestantes são financiados por interesses outros, todos nós sabíamos. Esta foi a fórmula encontrada pelos interessados (partidos políticos e aqueles que não querem mudanças), para acabar com a legitimidade de manifestações espontâneas e cívicas que tivemos ano passado.
Em simples palavras, as manifestações iniciaram-se de forma civilizada contra a omissão de nossos governantes, cobrando soluções para os problemas de interesse público e para que cumprissem suas promessas. Os políticos, num primeiro momento, se viram acuados, acabando por prometerem mudanças. Porém, tinham que acabar com a credibilidade das manifestações perante a população e a forma planejada foi a de infiltrar ‘arruaceiros’ pagos para tumultuar toda e qualquer manifestação, afastando cidadãos de bem que inicialmente foram às ruas pedindo mudanças. Assim, nossos governantes e representantes do Legislativo perderam, podemos dizer, o ‘medo inicial’ da força da pressão popular, inclusive esquecendo-se de suas promessas naquela oportunidade (junho-julho/2013) quando foi anunciado pela presidente, cinco pactos em resposta as manifestações de rua. Vamos recordar:
1 - Para o pacto da responsabilidade fiscal dos governos federal, estaduais e municipais, para garantir a estabilidade da economia e o controle da inflação nada foi feito, ou melhor, uma coisa foi feita, pois para tentar passar a ideia de que o governo tem contas ajustadas, adotou-se contabilidade criativa, a mágica contábil, ou seja, apresentaram números que não correspondem à realidade. Vemos uma verdadeira festa de empréstimos. Promessas de arrocho e austeridade ficaram apenas no papel;
2 - Quanto ao pacto pela reforma política que oferecia um novo modelo compatível com as aspirações dos cidadãos, o que ocorreu? Praticamente nada, e nada vai ocorrer principalmente porque estamos em ano eleitoral;
3 - Com referência ao prometido pacto pelo transporte público, nada se fez após as manifestações a não ser reuniões de estudos, mas nada de soluções diretas a respeito;
4 - Já o prometido pacto da educação, não passou de meras manifestações de intenções, pois o governo se recusa a estabelecer metas para serem cumpridas pelo Estado.
5 - O pacto pela saúde, igualmente à educação, também vivem de meras intenções, pois o governo federal não corresponde aos reclamos dos cidadãos e dos profissionais da saúde. É com vergonha que vemos o nosso sistema de saúde estar sempre classificado entre os últimos no ranking mundial.
Em síntese, os líderes dos arruaceiros que se misturaram aos manifestantes queriam, desde o surgimento dos Blacks blocs (manifestantes profissionais), pagos muito provavelmente com dinheiro público, que a polícia matasse alguém, para que assim pudessem legitimar os atos de vandalismo culpando a ‘opressão policial’. Havia, porém, alguém no meio do caminho, o cinegrafista Santiago Andrade, que infelizmente acabou sendo vítima. O que mais nos preocupa é que os serviços de inteligência de nosso país nada sabiam sobre os pagamentos aos arruaceiros profissionais (o que não acreditamos). Se não sabiam, omitiram-se, em razão de interesses outros, o que é ainda mais grave!
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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