Neste domingo, o Senhor nos convida a escutar os ensinamentos que nos conduzem a seu Reino: reino de justiça que gera a vida. Vejamos, nas leituras bíblicas reservadas para hoje (Eclesiástico 15 na primeira leitura; Primeira Carta aos Coríntios 2, na segunda; e Mateus 5, do evangelho) o que Deus quer colocar em nosso coração.
Primeira Leitura: Eclesiástico 15: Os homens nascem livres, responsáveis pelos próprios atos, pela própria vida. Se ficam condicionados por situações externas, sempre lhes resta a capacidade de escolhas decisivas. A leitura ensina que o homem se encontra como que numa encruzilhada: um caminho conduz à vida, outro à morte. Para decisão correta, Deus estabeleceu uma ‘sinalética’. O caminho da vida é o dos mandamentos de Deus; o da morte está marcado por vícios, paixões, corrupção.
Segunda Leitura — Primeira Carta aos Coríntios 2: Domingo passado Paulo disse aos cristãos de Corinto que não se apresentou a eles com sabedoria humana. Hoje, diz que entre os cristãos, existe ‘sabedoria’ que ‘não é deste mundo’. Pertence a Deus e é entendida só pelos ‘perfeitos’, pelos ‘cristão adultos’. Deus tinha grande plano de amor em benefício dos homens e não o tinha revelado. Este projeto é chamado por Paulo de ‘sabedoria de Deus’. Outras vezes, chama de ‘mistério’ escondido desde a eternidade.
Esta ‘sabedoria de Deus’ agora foi revelada. Sua obra admirável continua progredindo e, no fim do mundo, todos poderão contemplá-la. Aquilo que Deus está fazendo ultrapassa todos os desejos e as esperanças dos homens, como Paulo: ‘Olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou aquilo que Deus preparou para aqueles que o amam’.
Evangelho — Mateus 5 : A Palavra de Deus nos ilumina sobre a relação entre Jesus e a lei. Sua missão não é abolir nem facilitar, mas libertar do formalismo e do fundamentalismo. Para Jesus, não basta a observância externa para ‘ir para o céu’ após a morte. Exige radicalidade. A Palavra de Deus deve atingir o mais profundo do ser humano. É procura amorosa da vontade original de Deus. É necessário ver e ouvir por ‘trás das palavras’, encontrando-se pessoalmente com o Espírito da Lei. Para o cristão ser justo, conforme a exigência de Jesus, não basta observar preceitos, cumprir mandamentos, é preciso viver e realizar o bem proposto por Deus em sua Palavra.
Jesus alerta que podemos observar a lei em outro espírito, que não seja o de Deus. O espírito que motivava os fariseus não beneficiava pobres e pequeninos. Não era espírito de Deus, mas negócio, barganha. O que Deus deseja é justiça. Procurar a justiça verdadeira é olhar a vida com amor radical.
Cumprir toda justiça é a justiça que inclui lei e profetas. O essencial da lei é a prática da justiça e da misericórdia que ultrapassam a observância legalista. Jesus toma alguns exemplos para deixar claro até onde devem ir a justiça e a misericórdia. Vai até a raiz e mostra que o objetivo da lei é a defesa da vida.
Não basta ‘não matar’, é necessário construir uma sociedade humana, fraterna e solidaria, na qual a vida plena seja para todos. A lei é ‘não cometer adultério’, mas não basta; é preciso eliminar o desejo de posse sobre a mulher, extinguir todo machismo e todos os privilégios do homem, raiz de toda opressão presente nas relações humanas.
O bem-querer é a proposta de Deus. Nossa resposta é um amor verdadeiro, com raiz na totalidade da pessoa, o qual se insere na fonte do amor que é o próprio Deus. Não basta ‘não jurar falso’, temos que promover a convivência fundamentada na verdade, na integridade, na honestidade, na ética. O que a Palavra de Deus exige hoje de nós é cortar o mal pela raiz.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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