Com a graça de Deus nos preparamos para ouvir os ensinamentos da Palavra de Deus neste domingo, dia dedicado ao Senhor. Vejamos as belas lições que os textos sagrados reservam para nossa vida. As leituras para hoje são Isaías 58 (primeira leitura), I Co 1 (segunda leitura) e Mateus 5 (evangelho).
Primeira leitura — Isaías 58: O jejum é prática religiosa conhecida por todos os povos. Desde sempre os homens sempre recorreram à oferta de sacrifícios voluntários para forçar Deus e forças sobrenaturais a intervirem. Durante dias de jejum era costume roupas rasgadas, jogar pó sobre o corpo, renunciar a relações conjugais, ficar sem banho, andar descalço, dormir no chão.
A leitura recorda uma dessa situações. Encontramo-nos no V século antes de Cristo. O povo, confiante nas promessas dos profetas, voltou do exílio da Babilônia, mas as coisas não correm bem. O profeta responde ao povo: a culpa não é do Senhor, é o vosso jejum que não presta. Explica qual é o verdadeiro jejum: consiste em ‘dividir o próprio pão com quem tem fome, abrigar em casa quem não tem teto, vestir quem está nu’. Para Essas são a única luz que ele deseja ver brilhar no seu povo.
Segunda leitura — I COR 1: Neste trecho da carta, Paulo desenvolve o tema da preferência de Deus pelo que é humilde, desprezado e sem valor. Diz que não foi para Corinto para apresentar nova doutrina. Ao contrário, anuncia uma mensagem estranha, humanamente absurda; um homem condenado à morte. Depois, passa a apresentar a si mesmo como pregador: um homem fraco, medroso, pouca facilidade para se comunicar. Não obstante esta falta de recursos, constata que o Evangelho se difundiu muito. A palavra de Deus é forte por si mesma e a sua penetração não depende de meios humanos. A leitura é um convite à reflexão.
Evangelho — Mateus 5: O Evangelho apresenta duas parábolas: a do sal e a da luz. Na primeira Jesus apresenta seus discípulos como o sal da terra. A expressão quer dizer que devem ser aqueles que proferem discursos que dão sabor à vida dos homens. O sal não serve somente para dar sabor aos alimentos. É usado também para conservar, impedir que estraguem. O cristão é o sal da terra nesse sentido. Com sua presença impede que a humanidade se corrompa, não permite que a sociedade, conduzida por princípios perversos, apodreça e descambe à ruína. Onde falta alguém que estabeleça a presença do sal do Evangelho, espalham-se vícios: imoralidade, ódio, violência, exploração, vingança. Num mundo onde cada qual procura o próprio interesse, o cristão é chamado para ser o sal que conserva. O Evangelho é como o sal: não perde o sabor, mas podem aparecer pregadores tontos que estragam tudo.
A segunda comparação é a da luz. Jesus a explica através de duas figuras: a da cidade construída sobre monte e que não pode ficar escondida e a da lâmpada que dever ser colocada num lugar elevado. Para que serve a luz? Para iluminar. Não existe para ser olhada diretamente. Se alguém fixa o olhar no sol ou numa lâmpada muito forte, o que vê? Nada, só estraga a vista. Não se deve olhar para a luz, mas para o que ela ilumina. Os cristãos são luz, mas não podem praticar as boas ações para serem admirados. Jesus ensina que os homens devem enxergar ‘as boas obras’ (não os cristãos) e glorificar ‘o Pai (não a nós)!
Os cristãos, diz Jesus, têm por missão, difundir a luz que ele trouxe ao mundo. Sua preocupação deve ser a de não escondê-la, de não ocultar aquelas partes de doutrina que causam um pouco de enfado, ou que parecem muito difíceis (por exemplo, a partilha dos bens, o perdão sem condições, o amor gratuito até para o inimigo, a renúncia total ao uso da violência.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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