PEPS. Que tal?


| Tempo de leitura: 3 min

Outubro é recheado de importantes datas. Terceira Idade, Criança e N. Sra. Aparecida, Professor, Médico e Livro são algumas delas. São louvados, pela ordem, Experiência, Alegria, Proteção, Orientação, Segurança e Cultura — bases de qualquer bem viver. Dentre todas, duas deveriam ser exaltadas: as dedicadas ao Professor e ao Médico, figuras cujos perfis sofreram mutações, com consequente perda de brilho e veneração que mereceriam.

O estereótipo ideológico do antigo professor com jaleco, giz na mão, caderneta e artefatos como o espalhafatoso mimeógrafo foi substituído pela imagem do profissional com roupas modernas, computador sob o braço, que utiliza mídias fantásticas para ilustrar e animar aulas. O que não acompanhou o progresso foi a reverência que mereceria por ser condutor e elo entre gerações. Nem reverência espiritual, nem reconhecimento material: seu salário é desonroso e infame. Para cumprir necessidades materiais familiares, não raro, obriga-se a cumprir três jornadas de trabalho sob as piores condições possíveis. Comparado aos de deputados, vereadores, senadores, promotores e juízes, é ridículo. Alguns dos mestres francanos dos anos 60 optaram por seguir a carreira do magistério e abandonar a magistratura porque salários - e prestígio social - eram equivalentes. Crime dos crimes, a professora virou tia, o que descaracterizou o sistema de parentesco — afinal, tia é a irmã do pai ou da mãe, confundiu a relação entre aluno e autoridade e, sobretudo, deu falsa conotação de afeto a relação que deveria ser, antes, fundamentada no respeito mútuo. Professores não ensinam tudo, mas são imprescindíveis na transmissão de conhecimento e ferramentas de aprendizagem.

É médico, por definição, ‘aquele que pode restabelecer a saúde física ou moral’ de quem esteja acometido de algum mal ou dor. É médico aquele que protege, escuta, acompanha, ajuda, apalpa, mede, perscruta, examina, olha, investiga, compara, analisa, busca o alívio, se interessa, compartilha, acalma, tranquiliza, interroga, desmistifica, recompõe, acolhe, repreende, elogia, esquadrinha, corrige, reajusta, aconselha, teme, fica alegre se acerta e mostra dor quando não consegue. Dispensaria o CRM oficial para se mostrar competente profissional, mas precisaria do ‘c’ de conivência com o paciente, ‘r’ de respeito por ele e ‘m’ de memória comparativa para bons diagnósticos. Médicos não ressuscitam ninguém, mas podem aumentar a qualidade de vida e a esperança das pessoas.

Pessoalmente acredito que professores e médicos, juntos, tirariam esse imenso país da lama e nós, do lodaçal que tolhe a marcha brasileira rumo ao desenvolvimento. Fornecessem aos médicos aparelhos, equipamentos, instrumentos, remédios e equipes para cuidados com a população — sem quadrilhas políticas intermediando, como a que roubou 110 milhões de reais para comprar 1000 ambulâncias — tornar-se-ia desnecessário alugar médicos cubanos do governo Castro e, em algum tempo, a saúde pública estaria resgatada. No paralelo, equipes competentes de técnicos, não amadores ou apadrinhados dos partidos políticos, colocadas em cargos estratégicos dentro do Ministério de Educação transformariam escolas e professores. Um sonho: imediato reajuste e compatibilidade dos salários dos professores com a realidade. Fundamental: reestruturação da programação nos horários nobres da televisão, supressão de estúpidos roteiros de novelas promotoras de bandalheiras e de lições de como vencer na vida usando expedientes, substituídos por lições de cidadania, educação, depoimentos e relatos de trabalho e dignidade. Que poderiam até, tomar o formato de novela.

Um atalho para alcançar tal Nirvana? A rápida criação, implantação e execução do PEPS (Plano de Extermínio do Político Sacana) que atuaria no olho do tumor: restaurar a decência política é que é fundamental. Reestruturar Saúde e Educação seriam o passo seguinte. Que tal?

Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários