Todo dia, quando termina o dia, faço ligeiro balanço emocional e mental
Duas simples perguntas. Mudei algo – mínimo, que seja – na postura diante da vida? Aprendi alguma coisa que me fará repensar questões comezinhas e corriqueiras que incomodam no cotidiano, ou naqueles conflitos existenciais que emergem pós duas ou três doses de cachaça? Respostas positivas, profundas ou superficiais, as consequências aparecem. No balanço de ontem, percebi, a mais importante mudança interna: se eu quiser manter amizade com amigos petistas – que adoro, à parte convicções políticas – deverei aprender a calar a boca, não criticar, não dar opinião sobre nada: nem Lula, nem mensalão, nem Dilma e muito menos sobre a forma esquisita de tratamento que ela exige. Onde já se viu presidenta? Perguntei um dia. Petista presente me provou ser correto, justificou que Machado de Assis usa a forma em algum dos seus textos e que se Machado usa, está certo, muito certo. Certíssimo. Pois continuo achando ridículo. Muito ridículo. Ridicularíssimo. E cafona.
O balanço de ontem me fez acreditar que continuarei a odiar o fundamentalismo petista. Perdi amigo quando ousei comentar em rede social que a pena de morte seria solução para moralizar a política brasileira. Ele invadiu minha página, deu pitacos, me xingou e desapareceu. E ainda apagou minha opinião. Petistas são mágicos: sumiram com a Rose, com o Palocci, Zé Dirceu sorveteu e o próprio Lula – à semelhança de Fidel – que ninguém comum sabe localizar, só os mais íntimos, talvez. Na sequência, cobrei-me mais reivindicações nas próximas passeatas: redução da idade penal dos brasileiros; proibição do uso de jatinhos da FAB por políticos e autoridades; fechamento de embaixadas brasileiras em países sem expressão; recursar para impedir o voto de quem recebe bolsas ou benefícios do governo; fechar a maioria dos ministérios.
E, finalmente, após pensar em tudo isso, tive que admitir que sim, tenho profundo orgulho do meu povo brasileiro. Daquele que levanta cedo, vai para o trabalho, para as escolas, oficinas, escritórios. Que vai feliz, embora preocupado com o salário, com suas necessidades de provimento do lar. Que contribui, que não reivindica nem recebe bolsas-esmolas indevidamente. Que sonha com o fim dos altíssimos impostos que paga, com o bom uso desses recursos colocados em bens como transporte, saúde, educação e segurança e não nos bolsos, privilégios e contas de políticos e acólitos. Que se imagina numa sociedade transparente regida por leis sérias e justas. Que confia nos representantes políticos que escolheu. Que tem, sobretudo, vergonha na cara. Ah! E nessa onda de importação de profissionais médicos – como se os nossos não fossem eficientes e tivéssemos excelente estrutura –- li que sugeriram trazer políticos suecos. Gostei da ideia. E os que estão aqui? Bem, já que estamos sonhando em saneamento, que tal acabar com a maioria deles?
Minissérie
Em 1985 o Brasil acompanhou o drama de Ralph de Bricassart e Maggie, sobrinha de Mary Carson, rica fazendeira também apaixonada por Ralph. Ele, padre, hesita entre seguir ambiciosa vida religiosa e deixar tudo pelo amor da linda moça. Quando ele opta por fazer carreira eclesiástica, ela se casa com outro e se tornam todos infelizes. Thorn Birds, romance escrito por Collen McCullough, ganhou roteiro de Carmen Culver e se transformou na minissérie Pássaros Feridos, dirigida por Daryl Duke.
Polêmica
A minissérie deu o que falar no Brasil de 1985, quando o SBT – que a apresentava – superou a audiência na Globo que, dizem, não quis comprá-la. No Ibope, o SBT chegava a registrar 47 pontos contra 27 da Globo quando Pássaros Feridos estava no ar. Premiada com quatro Globos de Ouro, ainda recebeu mais quatro indicações em outras categorias. Ganhou cinco Emmy e mais cinco indicações. Deu o que falar nos EUA, porque a ABC, produtora, lançou o romance do padre e linda moça justo numa Semana Santa, o que enfureceu a Igreja Católica. Na história, que cobre cinco décadas, o padre de Bricassart (vidido por Richard Chamberlain) quebra seus votos de celibato para manter relações sexuais com Maggie, sem contudo abandonar a igreja depois.
Elenco
Outros artistas que participaram de Pássaros Feridos: Rachel Ward, Piper Laurie (de Carrie, A Estranha), Bryan Down, Christopher Plummer, o eterno coronel de A Noviça Rebelde. Curiosidade, a personagem Mary Carson, a rica fazendeira apaixonada pelo seu protegido, o padre Ralph, foi oferecida à atriz Audrey Hepbrun, que não aceitou o papel. No formato minissérie é considerada a segunda maior audiência dos EUA e só perde para Raízes, outra espetacular produção. A fotografia é deslumbrante. O enredo, meloso: a menina Maggie e Padre Ralph se conhecem e se tornam próximos. Ao crescer, Maggie percebe que, embora se amem, Ralph não deixará a igreja: ele sonha em se tornar Cardeal. Ele parte, ela se casa com outro. Anos mais tarde quando se reencontram, vivem tórrido romance. Mas ele a abandona outra vez para voltar ao Vaticano. Ele jamais saberá, Maggie ficou grávida de um menino que ao crescer decide se tornar padre.
Desdobramentos
Richard Chamberlain assumiu ser gay, está com 77 anos, aparece esporadicamente em algumas produções (Brothers & Sisters, Desperate Housewives, Chuck e Leverage e Forbidden Love). Bryan Brown, 64 anos, continua ator (The Good Wife, F/X Assassinato sem morte) e é produtor. Rachel Ward, 54 anos, faz mais televisão, que cinema. Se Bryan e Rachel em Pássaros Feridos formaram casal desajustado, na vida real casaram-se em 1983, e têm três filhos. Eu, que nunca consegui ver a série, achei-a por acaso numa loja de filmes, matarei a curiosidade este final de semana. Haja pipoca: são seis CDs!
Quem?
“Na Venezuela, quem manda é um morto. Na Coréia do Norte quem manda é o filho do morto. Em Cuba quem manda é o irmão do morto. Na Argentina quem manda é a mulher do morto. E no Brasil quem manda é um que se finge de morto.” (Internet)
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