Como pode? Mesmo depois da série de manifestações pela ruas do país, políticos profissionais querem tirar proveito das situações por eles mesmos provocadas
Somente pela ausência dos partidos nos manifestos, podemos afirmar que o recado para a classe política foi dado. A população não acredita mais nos partidos e na classe política de uma forma geral. O que mais entristece, e poucos têm a coragem de dizer, é que o discurso da presidente da República, semana passada, foi muito infeliz. Apenas ratificou promessas de campanhas eleitorais passadas, tanto de seu partido, quanto de outros que nunca foram cumpridas. Essa é a verdade!
Apesar de tudo o que ocorreu, será que ainda acreditam no ‘poder da enganação’? Em sua fala, a presidente tentou passar a ideia de que os manifestantes estão apoiando as ‘mudanças’ em seu governo, que de fato nunca ocorreram. Também afirmou que ‘se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer melhor e mais rápido muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas’.
Ora, senhora presidente. O Brasil ainda não fez muitas coisas em razão dos ‘interesses ocultos’ da classe política, que somente pensa em seus próprios interesses e de seus protegidos. Apesar de saber exatamente o que seria o melhor para a população, não fazem as mudanças necessárias para não possibilitarem surgimento de novas lideranças políticas; para manterem os cidadãos dependentes de suas ‘quirelas’ atiradas na quantidade mínima para sobrevivência e dependência; para continuarem dominando o legislativo através de ‘acordos de gabinetes’; para continuarem gastando com o que não tem nada a ver com serviços essenciais; continuarem centralizando a arrecadação na União e Estados-membros para que os municípios (onde vivem os cidadãos) continuem a depender de convênios, acordos e obras mantidas pelos seus recursos; não colocando em votação os projetos que realmente beneficiam os cidadãos etc.
Não podemos aceitar que mais uma vez a demagogia se sobreponha. Como exemplo: para que trazer seis mil médicos do exterior para melhorar a saúde? Senhora presidente. Os médicos brasileiros são capacitados. O que lhes falta é condições de trabalho, motivação e salários condizentes. Como querer que um médico atenda plantões em locais que não comportam o número de pacientes? Que não possuem equipamentos básicos? Que, por vezes, não têm, sequer, medicamentos mínimos necessários?
Quanto a ‘arruaceiros e vândalos’, esse é o lado negativo das manifestações,. Em nossa visão, muitos foram infiltrados para denegrir os atos da população. Uma triagem mais aprofundada, com certeza, detectaria suas ligações com partidos políticos.
A propósito, anos atrás quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014 e prometeu realizar obras, em artigo publicado na seção ‘Brasil em Discussão’ deste Comércio nos colocamos contrários aos gastos que seriam efetuados, que somente os dirigentes da FIFA levariam vantagem e o dinheiro arrecadado. Alguns nos criticaram. Pois bem. O ‘tempo é o senhor da razão’. A resposta ai está: R$ 30 bilhões gastos para alguns jogos em um mês, quando o que mais precisamos é de investimentos nas áreas sociais. Assim, senhora presidente, mais uma vez sua argumentações sobre limitações econômicas ‘caem por terra’. Administrar é gerenciar prioridades, e a prioridade elencada pelo seu partido foi contrária aos interesses coletivos. Agora, tenha um pouco de humildade em aceitar que estão errados, já que não aproveitaram os bons anos de nossa economia para investir em saúde, educação, segurança e previdência social.
Caros leitores. Pelo teor das iniciativas espontâneas da população, alguém deveria ter sensibilidade e coragem de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, com prazo determinado, e que os que vão fazer tal reforma política não sejam filiados a nenhum partido, e que não possam ser candidatos no futuro, para que não a façam pensando em seus benefícios mais à frente. Defendemos, em nossas palestras que a forma atual de Estado que temos, está no fim de seu ciclo. É como sempre ocorreu na história da humanidade, pois surge, cresce, atinge o ápice e depois de certo tempo, entra em declínio até se acabar, com o surgimento de novas formas de convivência social. Muitos acham utopia, mas utopia é não acreditar que existam pessoas com a capacidade de estudar, analisar e achar alguma nova forma de convivência mais justa e ética. Isto é evolução!
VIGÍLIA NO SENADO
A propósito das manifestações, na quinta-feira, quando o Congresso Nacional, em razão da grave crise, deveria estar discutindo soluções, vimos apenas seis senadores preocupados, mantendo-se em ‘vigília’ para que qualquer solução que viesse a ser tomada pudesse ser ratificada pelo Legislativo.
FUNCIONAMENTO DO FÓRUM
Infelizmente, no momento em que os poderes estatais deveriam dar exemplo de trabalho e dedicação aos cidadãos, para auxiliar nas soluções de problemas do povo, recebemos o comunicado de que a partir de 19/07/2013 o Fórum Estadual passa a funcionar das 10hs às 18hs. O mais interessante são as justificativas: adequar o serviço judiciário aos interesses dos jurisdicionados; limitações orçamentárias a determinarem a consonância com a produtividade; que a produtividade elevou-se significativamente; e, reduzir o estresse a que estão submetidos os servidores do judiciário. Com exceção do estresse dos servidores, não podemos concordar com nenhuma das outras razões. O interesse dos jurisdicionados é que seja dada solução ao litígio o mais rápido possível, arguir limitações orçamentárias é aceitar que a justiça está nas mãos do Poder Executivo. E, se a produtividade aumentou, isso deveria ser agradecido ao servidores. O assunto dispensa mais comentários. Como acreditar que estamos em um País sério?
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
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