Quando se aproxima ano novo o desejo de renovação se manifesta. Fenômeno antigo e cíclico, comum. Hora de fazer listas: de desejos, de sonhos, aspirações
Nelas estarão presentes tudo aquilo que não fizemos - no ano que termina ou nos anteriores - por inércia ou preterição: a dieta, a procura do amigo que sumiu ou do velho amor do passado que ainda assombra o presente, aquela viagem, a retomada de projeto antigo ou término de algum outro, a busca da coragem para uma difícil decisão, a mudança radical de atitude com relação a desafetos, a determinação para abandono de alguma prática maléfica e a busca da coragem para virar o ano e a mesa.
Sonhos mirabolantes. Natural que fiquem abandonados na beira da estrada durante o percurso, no perpassar dos próximos trezentos e sessenta e cinco dias substituídas pelas atitudes menos heróicas e mais comezinhas, próprias do cotidiano. ‘Este ano eu vou - eu juro que vou!’ - e se seguem os sonhos, em forma de verbos de todas as formas e de conjugações. O peito se enche de coragem, os olhos se abrem como a sugar força, as mãos fazem gestos enfáticos. Lentamente o dia a dia se instala, brotam as justificativas e desculpas latentes (há pouco apenas sementes), a preguiça renasce das cinzas da euforia, a frustração encontra espaço. Passa o ano, lentamente postergamos as decisões, relegamos os desejos, comemos arroz com feijão. Se não morremos de tédio ou de doença provocada por ele, olha ali a gente no final do ano com calendário novo do ano seguinte na mão, já fazendo listas. De novo. Pois é. Levando tudo isso em conta, esse ano eu vou - juro que vou! - fazer lista menos pretensiosa, menos afetada, mais realista.
Ainda em fase de elaboração e projeto, termino-a em breve, pretendo, antes do dia 31 de dezembro.
A tendência 2013 é para decálogo que me impeça de cometer pequenos pecados e arranjar desculpa para justificar. Por exemplo, quando estiver dirigindo entrar na contramão porque é ‘só um pedacinho de rua’; comer o doce que a dieta impede porque ‘que mal faz um pedacinho só?’; estacionar em vaga específica para deficientes físicos porque ‘há muitas outras ali perto’; não recolher o cocô do Totó na rua, quando for passear com ele porque ‘ninguém faz isso, pelo menos eu nunca vi’; não devolver o troco errado (em meu favor) porque ‘se fosse o contrário, o comerciante nem ligaria’; cruzar com alguém na rua, no elevador, nos corredores do shopping, nos salões de beleza e não cumprimentar: ‘por que vou dar o primeiro passo?’; quando em estradas e fora do âmbito do radar ultrapassar o limite de velocidade sugerida: ‘meu carro tem estabilidade e não tem guarda por perto’; abandonar o carrinho do supermercado no estacionamento de carros porque ‘tem gente para fazer isso’; no trânsito, não esperar alguém sair da sua garagem porque ‘estou com pressa’, não deixar o pedestre passar porque ‘estou com pressa’, não dar lugar para ultrapassagem porque ‘estou com pressa’, não aguardar o evidentemente inexperiente motorista estacionar porque ‘estou com pressa’ e estacionar em fila dupla na porta da escola porque ‘é só um minutinho’... Coisas assim, bem pequenas, que possam melhorar o cotidiano de todos. Todo mundo sabe, o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani combateu a violência da Big Apple punindo pequenos delitos, antes dos grandes. Minha lista não terá nada de grandioso, só de pequenos gestos, mas acredito que poderá melhorar a vida de algumas pessoas. Começando pelo próximo, quem sabe chego em mim?
Bem, projetos de mudança tenho efetivamente. Lista pronta, ponho-a em prática se o mundo não acabar nos próximos dias, como estão vaticinando.
LISTA
‘Faça uma lista de grandes amigos: quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais? Faça uma lista dos sonhos que tinha, quantos você desistiu de sonhar? Quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece: na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava? Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber? Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava, hoje assovia pra sobreviver? Quantas pessoas que você amava, hoje acredita que amam você?’ (A Lista, de Oswaldo Montenegro. Quem diria...)
PERDA
Pela segunda vez, no prazo de um mês, perdi e recuperei meu celular. Em ambas, tentava guardá-lo na bolsa ou no bolso. Em ambas, as pessoas que o encontraram despenderam tempo tentando devolvê-lo. O aparelho em si tem algum valor, mas a agenda que existe nele não tem preço. Desta vez foi achado pelo sr. Carlos, de quem não tenho o sobrenome, mas sei que mora no Residencial Amazonas. Muito obrigada.
NATAL
Este ano, em jantar comemorativo de Natal, pediu-se que amigos, filhos e familiares levassem panetones que serão entregues em instituição que cuida de idosos. Na próxima semana netas e amiguinhos dos anfitriões, que estiveram presentes na reunião, deverão embrulhar, enfeitar e levar, em comitiva, para dá-los como presentes. Os pequenos ‘artistas’ preparam apresentação para a cerimônia de doação.
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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