Com roupa simples, sapato surrado e chapéu, o boiadeiro aposentado Galdino Cardoso dos Santos, 74, transita tranquilamente pelas ruas de Buritizal. Não anda um quarteirão sem que alguém o pare para conversar. A maioria ainda o parabeniza pelo sonho concretizado. A partir de janeiro ele será um dos nove vereadores a participar das sessões da Câmara Municipal. Chegar lá não foi tão fácil assim. Há quatro anos, Galdino tentou realizar o sonho antigo e chegou a confeccionar “santinhos”. Seus planos foram frustrados ao ter seu pedido de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral. O motivo? Ele era analfabeto.
Galdino ficou triste, mas não lamentou por muito tempo. Decidido a se eleger vereador, procurou uma escola e se matriculou no curso de alfabetização. “Sempre sonhei em ser vereador. Por isso, entrei na escola no mesmo ano em que fui impedido de me candidatar. Me alfabetizei e hoje estou no supletivo.” Os planos de Galdino deram certo. No último dia 7 de outubro ele foi o sétimo vereador mais votado de Buritizal com 95 votos.
Com simplicidade, ele diz que sua campanha foi feita pelo povo. “Faltando um mês para as eleições machuquei o joelho e não podia sair de casa. Depois, peguei uma virose e fui internado. Os meus amigos pediram voto para mim”, conta, orgulhoso. Também foram os amigos que deram notícia da vitória. “Estava na carreata do prefeito eleito (delegado David) quando me contaram. Fiquei muito feliz.” Candidato pelo PP, o novo vereador conta que praticamente não teve gastos com a campanha. “Os santinhos foram pagos pelo partido e, como eu não tenho carro, não gastei com gasolina.”
Galdino recebe um salário de aposentadoria assim como aconteceu durante toda a vida em que cuidou de vacas em uma fazenda próxima à cidade. Sem saber quanto era o salário de um vereador, ficou surpreso ao tomar conhecimento de que receberá R$ 2.864,06 mensalmente. “Achei melhor não perguntar quanto era o salário antes para ninguém me acusar de interesseiro. Só quero ajudar as pessoas.” Entre os planos, estão pagamento de contas de água e luz para a população mais pobre. “Não penso em comprar nada para mim”, garante.
Faltando dois meses e meio para a posse, Galdino está com a roupa selecionada. “Vou de terno preto, gravata azul e sapato italiano que ganhei do meu vizinho.” Para acompanhar, uma rosa vermelha no bolso do paletó.
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