Os sete candidatos a prefeito de Franca se enfrentaram pela última vez no debate do GCN ontem. A três dias das eleições, os concorrentes elevaram o tom das críticas ao governo e se apresentaram como a melhor alternativa para corrigir as falhas da administração. Como ocorreu ao longo de toda a campanha, o setor de Saúde foi o mais explorado. Marcelo Bomba (PTC) foi o que mais bateu. “Eu vim para um debate e não para uma missa”, avisou logo na abertura. Gilson Pelizaro, do PT, também foi duro com o governo Sidnei Rocha. O candidato governista, Alexandre Ferreira (PSDB), se esforçou para defender a ideia de continuidade. Os demais se alternaram entre críticas pontuais à administração municipal e suas propostas.
O debate do GCN, que publica o Comércio, monopolizou as atenções na cidade. Os telefones da rádio Difusora ficaram congestionados. A capacidade de transmissão de imagens pela internet, que havia sido dobrada de cinco mil para dez mil acessos simultâneos, atingiu o pico e teve de ser elevada durante o programa para 15 mil.
Foram três horas de debate em que os candidatos foram questionados, tiveram a oportunidade de perguntar e de comentar as respostas de seus concorrentes. Do lado de fora, as torcidas aplaudiam, vaiavam e soltavam foguetes.
O confronto foi dividido em cinco blocos. No primeiro, o mediador Leandro Vaz perguntou a todos qual era o maior problema da cidade. Alexandre Ferreira foi o primeiro sorteado. Responsável pelo setor de Saúde nos últimos seis anos, ele apontou a área de Educação como a mais problemática. Os demais concorrentes discordaram e afirmaram em coro que o problema é outro. “Não sou eu que estou falando. A população que usa sabe que a grande crise deste governo é a Saúde”, disse Gilson Pelizaro (PT).
Alexandre citou os avanços obtidos, disse que esperava “fazer mais” e que não conseguiu “consertar tudo” em oito anos. Afirmou que as críticas ao setor são naturais. “É um processo tranquilo. Tem que reclamar. Gosto de quando apontam os erros.” O tucano voltou a afirmar que a Santa Casa não tem capacidade operacional de realizar cirurgias eletivas.
CRÍTICAS
A exemplo do ocorrido ao longo da campanha, os candidatos criticaram a atuação da administração para resolver problemas pontuais, como a falta de vagas em creche, falta de moradias populares para quem ganha até três salários mínimos, ausência de projetos para buscar recursos federais e inversão de prioridades. “Fico muito revoltado quando a Prefeitura compra um prédio velho sem necessidade. A reforma do esqueleto é uma obra maldita”, disse Hamilton Chiarelo (PSol).
Ao dizer a Graciela Ambrósio (PP) o que achava de só agora, na reta final da campanha, o município anunciar que vai asfaltar o Jardim Santa Bárbara, Cassiano Pimentel (PV) criticou as ações imediatistas. “Este governo não vai deixar nenhum legado de planejamento. É preciso planejar as ações.”
O governo não foi o único alvo. Ubiali (PSB) diversificou e também tentou criticar a atuação de Graciela Ambrósio na Câmara. “Enquanto vereadora, a senhora não se preocupou em buscar recursos.” A delegada foi dura na resposta. “O senhor teve oportunidade de trazer investimentos. Foi deputado e não fez nada. Eu vou fazer.” Ubiali, que já havia esgotado o seu tempo, disse que fez sim. Minutos depois, quando respondia sobre outro assunto, ele elencou investimentos que teria conquistado para a cidade em Brasília.
Ao fim do debate, os candidatos foram aplaudidos e se cumprimentaram. Deixaram a sede do GCN escoltados por suas torcidas que acompanharam o confronto nos telões e caixas de som.
O desempenho
Alexandre Ferreira (PSDB)
O candidato tucano pareceu apático durante todo o debate. Em muitos momentos, preferiu se distrair a prestar atenção às críticas que recebia dos adversários. Alexandre afirmou que os problemas da Saúde são “tranquilos” e que ações na educação são mais urgentes. Mostrou desconforto ao tentar explicar os motivos de sua campa-nha não ter conseguido apoio do secretariado da Prefeitura de Franca. “Eles têm que trabalhar e não fazer campanha”, rebateu.
Cassiano Pimentel (PV)
O candidato demonstrou tranquilidade durante todo o debate. Não atacou e não foi atacado. Defendeu ações de combate às drogas, principalmente entre os jovens. Ao ser questionado sobre Saúde, defendeu a implantação de novos núcleos do PSF (Programa de Saúde da Família) e contratação de mais médicos. Questionado sobre o uso de palavras pouco usuais em seus discursos, disse apenas que usa uma fala técnica e que se considera objetivo.
Gilson Pelizaro (PT)
Mais uma vez, não poupou críticas ao governo Sidnei Rocha (PSDB). Disse que em Franca não falta di-nheiro, mas projetos. Apontou a Saúde como prioridade e prometeu combater a questão das cirurgias eletivas. Criticou a propaganda eleitoral tucana, que segundo ele criou a “Sidneilândia”, uma cidade virtual e sem problemas. Sobre a ausência do ex-prefeito Gilmar Dominici em sua campanha, disse que “não tem constrangimento em ter o nome ligado ao do Gilmar”.
Graciela Ambrósio (PP)
Graciela Ambrósio (PP) reagiu com firmeza quando foi atacada. Foi contundente ao ter sua atuação na Câmara questionada e rebateu Hamilton Chiarelo (PSol) e Ubiali (PSB). Afirmou que o prefeito ignorou os servidores públicos. Fez críticas ao preço elevado das passagens de ônibus e à falta e planejamento dos tucanos. Ironizou o apoio de Sidnei a Alexandre. “Escolher o prefeito é como escolher alguém para cuidar dos filhos. Não basta ter carta de recomendação. Continuar é muito pouco. Precisamos evoluir.”
Hamilton Chiarelo (PSOL)
O candidato se manteve quase que imóvel durante todo o debate. Pouco olhou para os adversários. Muito concentrado, manteve as mãos firmes na bancada e não soltou o terço que mantinha na mão esquerda. Destacou a Saúde como o setor mais problemático e prometeu instalar 35 núcleos de saúde e um Hospital Municipal. Criticou a Prefeitura sobre a aquisição do “Esqueleto” e disse que devolveria o imóvel se fosse eleito. Defendeu a cons-trução de casas populares para famílias com renda de até três salários mínimos.
Marcelo Bomba (PTC)
Com tom de voz sempre agressivo, atacou os adversários, principalmente Alexandre Ferreira, praticamente todo o tempo. Disse que falta vontade política da administração atual para a cons-trução de casas populares e apontou a Prohab como um cabide de emprego. Criticou a dívida da Prefeitura e o fato de a cidade ter perdido os voos regulares e o porto seco (aduana). Disse que seu objetivo é “desmascarar” os adversários. Arrancou gargalhadas ao dizer que foi o candidato que mais cresceu nas pesquisas, ao passar de zero para 1% .
Marco Ubiali (PSB)
A Saúde foi apontada por Ubiali como o principal problema de Franca e que faltam médicos pela falta de estrutura adequada. Acusou a Prefeitura de não ter cobrado da Sabesp um novo ponto de captação de água e não ter planejamento para nenhum setor. Defendeu a implantação de escolas em tempo integral e a criação de cursos profissiona-lizantes. Acusou Graciela Ambrósio (PP) de não ter ido a Brasília em busca de projetos junto ao Governo Federal. Elencou os benefícios que trouxe para Franca como deputado federal.
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