È preocupante saber que os carros vendidos pela indústria brasileira só em agosto, se fossem enfileirados proporcionariam um engarrafamento de São Paulo a Salvador
É difícil tratar de tal tema, pois a prorrogação da concessão de isenção de impostos para a indústria automobilística, que a propósito vai significar algo em torno de R$ 5 bilhões de reais a menos nos cofres públicos, é positiva para os trabalhadores, para as indústrias automobilísticas e para os cidadãos que sonham em adquirir um carro zero quilometro, mas para nós analistas políticos e ambientalistas, a simples alternativa somente irá nos trazer mais transtornos, pois sabemos que em todos os municípios brasileiros já não cabem mais carros nas ruas. Parece-nos que o governo somente se preocupa com a evolução em números, não se preocupando com as consequências que podem advir de tal política, basta ver que a maioria dos cidadãos estão sendo induzidos a adquirir produtos, no caso em análise os veículos, através de endividamento a longo prazo, pois poucos adquirem veículos à vista. Dessa forma estamos inflando uma “enorme bolha” que se atingida por qualquer imprevisibilidade econômica fatalmente não terá estrutura para evitar um “enorme estouro” de consequências inimagináveis, como ocorreu nos EUA.
A pergunta que fica é: se o governo pode abrir mão de parte da arrecadação tributária, por que não a faz buscando baratear o transporte coletivo? Poderia, por exemplo, conceder isenções nas aquisições de veículos, nos combustíveis, nos pneus, na reposição de peças, abrindo mão de sua taxa de administração etc., ou seja, tudo o que for utilizado pelas empresas de transporte público. Assim estaria auxiliando na redução dos preços praticados e fomentando a utilização do transporte público, ao invés de cada cidadão sair diariamente sozinho em veículo que poderia transportar cinco passageiros. Acreditamos que não podemos medir nossa riqueza somente através do número de veículos nas ruas e dos eletrodomésticos dentro das casas. Bem a propósito, a comunidade internacional já vem efetuando estudos para a construção de novos indicadores de crescimento, pois o PIB (Produto Interno Bruto) atualmente utilizado está completamente defasado, pois o PIB mede a movimentação da economia, mas não mede os resultados da economia.
Nossos governantes estão preocupados apenas com a quantidade de produção, independentemente das consequências negativas que poderão trazer para a qualidade de vida em sociedade.
O transporte público tem que ser privilegiado pelas políticas públicas e não o contrário, como ocorre, visto que o Estado incentiva a produção e aquisição de veículos, auxiliando no aumento da enorme fila (conforme falamos inicialmente), sem se preocupar com a falta de estrutura para a circulação, sem falarmos na insegurança existente no trânsito. Enfim, passadas poucas décadas, os veículos que serviam para agilizar e diminuir distâncias nos centros urbanos, hoje faz exatamente o contrário, ou seja, nos atrasa nos deslocamentos diários.
42 ANOS DA RODOVIA TRANSAMAZÔNICA
Em primeiro de setembro de 1970, iniciou-se a construção da Rodovia BR-230, a chamada Transamazônica. Passados 42 anos, muitos não entendem a relevância de tal empreendimento para a soberania brasileira e, apenas sabem criticar sem aprofundarem nas questões que envolveram todo o projeto chamado PIN - Plano de Integração Nacional. Resolvemos abordar o tema em razão de artigo publicado, onde autor afirma que a rodovia não alcançou nenhum objetivo, além de dizer que não sabia para o que servia a Transamazônica. Acreditamos e supomos que o autor deva ser um jovem pesquisador, que não vivenciou a realidade daquele momento difícil de nosso país, assim sendo, não pode efetuar uma análise mais profunda dos acontecimentos. O que muitos “intencionalmente” não divulgam é que o Brasil foi obrigado a traçar um PIN, pois a comunidade internacional estava prestes a promover, contra o Brasil um, podemos dizer, processo de “usucapião”, pois afirmavam que o Brasil não tinha tomado posse de seu território. Em síntese estávamos prestes a perder praticamente quase todo os Estado do Amazonas e outras áreas nas proximidades. A propósito ainda hoje o sonho de muitos líderes mundiais é efetivamente “tomar” a Amazônia do Brasil.
A Rodovia Transamazônica independentemente de não ter sido concluída, faltando pouco mais de 687km entre as cidades de Lábrea e Benjamin Constant, foi e é uma importante rota de comunicação e facilitação para as comunidades que se utilizam dos seus 4.079km construídos. Para nós que tivemos a oportunidade de acompanharmos e vermos o quanto os nossos compatriotas são dependentes daquela rodovia, não podemos concordar com críticas sem fundamentação real. A verdade é que os governos que sucederam o regime militar não quiseram acabar a obra que em sua maioria já estava com toda infraestrutura pronta e, destaque-se no meio da selva, apenas para “não darem o braço a torcer” e terem que aceitar que o projeto era o melhor para se alcançar uma saída para o Oceano Pacífico através do Peru. Os nossos “pensadores” preferem aprovar e desmatar outra área para o mesmo objetivo, ou seja, interligar o Brasil ao Oceano Pacífico. Coisas do Brasil!
A UNESP E O PRÍNCIPE
Para defenderem a “Liberdade de Expressão” acadêmicos da Unesp não deixaram que o príncipe herdeiro da família real brasileira, Dom Bertrand de Orleans e Bragança proferisse palestra. Foi uma vergonha, pois se não concordamos com alguma ideia ou pensamento basta não comparecermos ao evento que assim estaremos efetuando uma manifestação cívica educada. Para nós que tivemos a oportunidade de ministraros aulas na Unesp por quase cinco anos e termos vivenciado outras manifestações, igualmente repugnantes, concordamos com as palavras do nosso amigo, diretor do campus de Franca, dr. Fernando Andrade Fernandes, que afirma tratar-se de manifestação de grupo isolado que não representa a forma de agir da comunidade Unespiana, a qual possui mais destaque positivo do que negativo, com o que concordamos plenamente.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
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