Quem possui gota de sangue cigano, gosta de viajar
É sair de casa e da rotina; descortinar horizontes; conhecer lugares; entrar em contato com pessoas que pensam e agem de maneira diferente; exercitar a tolerância; aprender novas soluções para velhos problemas; sentir o quanto é bom estar dentro da paisagem apenas conhecida nas imagens de revistas, livros e postais.
São múltiplas as possibilidades de crescimento daquele que deixa seu entorno para enfrentar o desconhecido. Tipos de turistas? Muitos. Alguns até folclóricos. Se há o que se prepara para qualquer viagem (locais próximos ou distantes), sabe o destino, localização geográfica, informa-se desde sobre história local quanto a opções de passeio, possibilidades de hospedagens e até faz previsão de horários, há quem só queira o oba-oba: vai e volta sem saber direito por onde andou. Há quem traga pormenores do passeio, com detalhes do tempo despendido em cada diferente atividade. Metódico e preciso, é até chato em seus relatórios e observações: nas viagens, os acontecimentos fortuitos e inesperados têm, também, seu sabor.
Independente do tipo, a verdade é que turista, em geral, sofre. Quem diz isso, com propriedade, é querido amigo da família. E prova, ao listar razões que demonstram sua tese. Algumas delas: você sai de sua casa, do seu conforto e não sabe o que enfrentará. Deixa seu carro, sua cama, suas roupas, seus fornecedores. Vai a bares e restaurantes onde é absoluto desconhecido e é tratado como tal. Se tem piripaque é hospitalizado ou recebido por médico que nunca o viu e, pior, em certos casos nem fala sua língua. (Você se sente Tarzan, só com a Chita pendurada no pescoço.) Faz frio: você leu que faria calor. Faz calor, a previsão disse frio e ei-lo com casacos, calças de lã, suéteres e cachecóis: lembra-se com saudade das bermudas fresquinhas lá longe, no seu inacessível guarda-roupas. É obrigado a comer o que não conhece porque não entendeu a língua do cardápio, ou passa fome pela mesma razão. Os meios de transporte falham, você não tem para quem se queixar. Você pode, a qualquer momento, perder suas malas e dinheiro: está sob permanente tensão. Sofrimento constante esteja você sob a Torre Eiffel, aos pés do Cristo Redentor ou se respingando na Casca D’Anta. Ninguém escapa da Síndrome do Sofrimento do Turista, seja qual for o meio de transporte utilizado: da bicicleta ao avião, do pé dois ao ônibus espacial...
Fora isso, tem o turista propriamente dito. Tem aquele ávido que diz que dorme em casa, por isso vara noites e dias: volta feito um zumbi, com olheiras e certa amnésia: confunde-se ao relatar o passeio. Tem aquele que vai e volta e não acrescenta uma linha de aprendizado ao que já sabia: conhecida que foi à África voltou indignada. Imagine só, ela conta, pagou os tubos, viajou nem sabe quanto tempo que ela ia conhecer o Saara, sabe?, aquele deserto. Nem um shopping, nem uma barraquinha que vendesse souvenirs, nada. Só areia, areia, areia: passeio horrível! Nem um montinho verde, água ou coqueiro: na-da! Só areia. Ficou decepcionada. Outra, tem como único destino a Itália. Não quer conhecer mais nada. Lá, sente-se valorizada. Toma ônibus, bonde ou metrô - transporte coletivo - e não se senta. Deixa o traseiro disponível, como se estivesse distraída, aí os italianos ‘tarados’ passam a mão nela, ‘coisa simples, quase sem maldade’. Já na segunda década dos enta, acha o máximo o assédio. Sente-se valorizada. E se classifica ‘normal’...
Viajar é uma coisa, fazer a mala é outra. Já viajei com três, quatro malas que chamava delicada e individualmente de ‘Dona Redonda’. Renovava e levava praticamente todo o conteúdo do guarda-roupa, todos os sapatos, bolsas, temendo de súbito precisar de alguma peça. Ridículo. Sem poder ainda classificar-me minimalista, pelo menos melhorei nesse aspecto. E hoje percebo que ir é muito bom, mas voltar, coisa que nunca imaginei pudesse afirmar, é muito melhor.
FESTIVAL
Realizado desde 1951, o de San Remo é o mais importante festival da canção italiana. Em 1971 venceu a canção Il Cuore È Uno Zíngaro, cantada por Nicola di Bari. Para vê-lo (o cantor) e ouvi-la (a música) basta ir ao Youtube e digitar os respectivos nomes. Preparar cuore e lenço. Acompanhe com atenção a letra. E dispense ver Nicola. Ele é feio que dói.
CLASSIFICAÇÃO
Nature Boy, pensava, era canção gay. Não é. Há cinco, assim classificadas. Primeira: Y.M.C.A. (Village People). Segunda: Vogue (Madonna). Terceira: Don’t Rain on My Parade (Barbra Streisand). Quarta: Constant Craving (k.d. lang). Quinta: The Man That Got Away (Judy Garland). Estranhamente, It’s Raining Men, de Gloria Gaynor, não está classificada. Nem Macho Man, do Village.
TRÂNSITO
Mais carros que as ruas da cidade podem suportar. Motoristas mais mal educados que os indianos. Instinto de destruição maior que o dos religiosos extremistas de qualquer religião. Pedestres despreparados: entendem que o sinal verde é também para eles quando pretendem atravessar a rua. E o jeitinho brasileiro que elimina as multas por desobediência. Vamos enfrentar ainda muito tempo acidentes, mortes e barbaridades.
GIULIANI
Rudolph, prefeito de NY, combateu a violência na cidade começando por punir crimes mais leves. Irredutível, aplicava multa de cem dólares nos donos dos cachorros que sujassem as calçadas (ou parques) da cidade. Na reincidência, o dobro. Dono que não recolhesse dejetos do cão durante o passeio, além de mal educado, ficava com a carteira vazia. Queria muito que ele passeasse no Poliesportivo de Franca.
CUMPRIMENTOS
No Facebook deixei-lhe minha homenagem. Aqui, repito as palavras: Vanessa Maranha, estou muito orgulhosa de você! Parabéns pelo prêmio. E que venham outros, como reconhecimento do seu talento.
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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