Pimenta pura


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Nenhum outro povo, a não ser o inglês, conseguiu escrever e protagonizar melhores, nem mais estonteantes histórias de amor

Amor, mesmo. Ou paixão. Daquelas avassaladoras, que deixam o sujeito ‘estaqueado no meio do pátio’, nas palavras de Cortázar. O povo bretão é sanguinário, briguento, cheiro e cor de pimenta pura. Prova disso, lembrar lendas, mitos, ficção e realidade envolvendo nomes e personagens como Robin Hood, Príncipe Valente, William Wallace, Ricardo Coração de Leão.

No entanto, em termos de deixar chacoalhar a planta e deixar cair a rosa da roseira, basta notar dos exemplos de muito amar – concretos alguns ou idealizados outros. Lembremo-nos de casais e personagens fictícios, Mr. Darcy e Elizabeth Bennet, Catherine Earnshaw e Heathcliff; e verdadeiros, como a Rainha Elizabeth I, a própria Elizabeth II, Victoria e Albert, Wally Simpson e o ex-rei Edward e, mais recentemente, Camila e Charles.

Violentos e intensos, os habitantes da ilha são capazes de gestos e atitudes atordoantes e significativos no quesito demonstração de amor. Ou paixão que, embora sentimentos diferentes, são muito parecidos.

Victoria, jovem rainha - feinha, baixinha e gordinha - se apaixona pelo primo, Albert da Baviera, alemão de não se jogar fora. Ela propõe casamento, de acordo com o protocolo. Ele se torna príncipe consorte, o único da história inglesa. Tiveram 9 filhos. Morreu cedo, deixou-a inconsolável. O amor deles está celebrado em castelos e monumentos que viraram museus e salas de espetáculo.

Camila e Charles viveram romance escondido por décadas. Ele, casado com uma das mulheres mais glamourosas do mundo: linda, loira, elegante, midiática. Ele feio de doer, sem graça, o oposto da idealização de príncipe que nos ensinaram a tecer. Tiveram filhos. De repente a revelação: ele nunca se esquecera de Camila, plebéia com livre passagem na corte, casada com homem que ela nunca amou, arranjo para que ficassem perto um do outro. O mundo olhou estupefato o desandar da carruagem. Os olhos humanos viram a mulher feia, de aspecto tosco, desengonçada, superar a graciosidade e a leveza da rival, muito mais nova que ela. Ninguém entendeu, mas o sorriso de Charles nunca se mostrara tão aberto e feliz.

Anterior, teve o caso Wallis Simpson e Edward - Duque e Duquesa de Windsor. Ela, norte-americana, duas vezes divorciada. Ele, cobiçado e nada desprezível rei da Inglaterra. O amor deles foi responsável por crise constitucional no Reino Unido e no Império Britânico, que culminou em abdicação ao trono para ele se casar com Wallis porque não via como ser rei, sem ter ao lado a força e a companhia da mulher amada. A reação contrária foi tão intensa, que foram acusados de simpatizantes do nazismo.

Filmes sobre dois desses romances reais já existem, só sobre Charles e Camila é que não, talvez por falta de atores convincentes, talvez porque a fantasia não tenha como superar a realidade. The Young Victoria - de 2010, conta parte da história de amor de Alberto e Vitória, embora a rainha tenha sido favorecida, representada pela bela Emily Blunt.

Em 2011 foi lançado W.E., a história do rei e da elegantíssima plebéia que estarreceu o mundo. Escrito e dirigido por Madonna, é um filme bonito, conta história linda, deixa o peito da gente emocionado e nos mostra o quanto desconhecemos e somos preconceituosos sobre análise das atitudes alheias. E ignorantes do que seja o amor diferente da nossa idealização.

SURVIVAL
É a música tema da Olimpíada de 2012. Para ver o clipe, acesse Youtube e peça Survival - Muse. De arrepiar. Cenas espetaculares, reações dos esportistas humanas e intensas, a música acompanha o ritmo e a mensagem de esperança, coragem, decepções, vitórias, conquistas, desespero, alegria -emoções que são potencializadas nestas competições esportivas. Fantástico. E emocionante. Ver, também, kids 2012 p&g london 2012 olympic games. Have fun!

RELATIVIDADE
Para você perceber o valor de um ano, pergunte para o estudante reprovado na escola. Para perceber o valor de um mês, pergunte para a mãe que teve seu bebê prematuro. Para perceber o valor de uma semana, pergunte ao editor de jornal semanal. Para perceber o valor de um dia, pergunte à diarista que não pode ir ao trabalho. Para perceber o valor de uma hora, pergunte aos namorados que estão esperando para se encontrar. Para você perceber o valor de um minuto, pergunte à pessoa que recém perdeu o trem. Para você perceber o valor de um segundo, pergunte àquela pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você perceber o valor de um milésimo de segundo, pergunte a alguém que perdeu a medalha de ouro em uma Olimpíada. Entendeu? Valorize cada momento que você tem. E valorize mais, porque você deve dividir com alguém especial o suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Ontem é história. Amanhã é mistério. O Hoje é uma dádiva, por isso é chamado de presente. Aproveite o máximo de cada instante. (Do mini-livro Eu preciso saber, presente de minha irmã Maria Helena, quando eu voltava para casa, depois de cirurgia para extirpar um câncer na bexiga, preocupada com o tempo que teria me sobrado para viver.)

AVISO
A função das pistas e espaços do Poliesportivo é a prática de esportes. As pistas não são pinicos de cachorro nem são destinadas ao lazer de animais. Ou estou enganada?

Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br

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