As financeiras e bancos restringem cada vez mais a liberação de crédito para novos clientes que desejam comprar uma motocicleta parcelada. O motivo seria a grande inadimplência dentre os que já fizeram financiamento anteriormente. Como consequência, as principais concessionárias de Franca registraram queda de 27% nas vendas de junho comparadas com o ano passado.
A reportagem do Comércio ouviu quatro concessionárias da cidade, que representam três marcas: Honda, Yamaha e Dafra. Elas venderam juntas no mês de junho deste ano um total de 306 unidades, número bem abaixo das 418 comercializadas no mesmo período de 2011. Segundo o economista Antônio Vicente Golfeto, quando a inadimplência começa a aumentar, as financeiras começam a barrar as pessoas que tenham tido alguma pendência no currículo para se proteger. “Mas geralmente elas fazem uma análise de caso a caso e se a pessoa resolveu o problema a bastante tempo podem aprovar.”
Com um leque de inadimplentes nas mãos e o medo de ter mais prejuízos com outros casos, as financeiras têm ampliado as exigências para autorizar o financiamento de motos. Alguns meses atrás, os clientes podiam parcelar uma moto em 48 ou até 60 vezes. Agora, todas as concessionárias consultadas admitiram ser possível pagar em no máximo 36 prestações.
Outra mudança importante para liberação do crédito é a entrada, que antes não era obrigatória. Agora o valor a ser pago varia entre 10% e 20% do total na retirada do veículo.
De acordo com o proprietário da Eagle Motos, Renato Quaglio, na sua autorizada da Yamaha, as vendas caíram 25% em junho. Ele afirma que a maior dificuldade de aprovação do novo cliente é quando em seu histórico financeiro consta uma negativação, mesmo que atualmente ele esteja com as pendências quitadas. “Antes, a cada 10 fichas de propostas de financiamento que passávamos para os bancos, eles aprovavam três ou quatro, agora eles aprovam uma a cada dez. O argumento deles é que o índice de inadimplência está alto e cada vez crescendo mais.”
Segundo o gerente da Tosin Motos, que representa a marca Dafra, Orlando Zanardi, a concessionária teve uma queda de 57,5% nas vendas de junho no comparativo com o mesmo período do ano passado.
Ele afirma que os bancos estão bem mais criteriosos com a documentação e revela mais uma exigência. “Têm bancos que só aprovam se a pessoa tem Carteira de Habilitação, caso contrário a ficha não é aprovada e muitas vezes é o pai que quer tirar uma moto para filho, mas o pai não possui a CNH”, disse Zanardi.
Para se adequar à situação, as concessionárias estão com foco em outro tipo de negócio. O consórcio é a alternativa para tentar fugir das baixas aprovações de financiamentos pelas instituições financeiras.
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