Superação: deficientes visuais de Franca fazem sucesso no goalball


| Tempo de leitura: 4 min
Sorrindo, Expedito arremesa em treino
Sorrindo, Expedito arremesa em treino

É através do esporte que um grupo de deficientes visuais supera obstáculos e mostra ao mundo toda sua capacidade de vencer na vida. É através do goalball que eles se socializam, viajam e se divertem. É muito mais que um passatempo para os atendidos da Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos (SFITC). Os praticantes do esporte paraolímpico estão conseguindo ótimos resultados.

Comandado pelo técnico Luiz Fernando Estevam de Castro, o time feminino de Franca conquistou, no início do mês, o vicecampeonato estadual e garantiu vaga na Copa Brasil, que acontecerá em novembro, em Goiânia. A equipe é composta por quatro atletas, sendo duas de Franca: Pollyana Patrocínio e Sirlene Bento. As outras atletas - Sônia e Luciana - são de Campo Grande-MS e Uberaba-MG.

O time masculino está nas semifinais do Campeonato Paulista, que será em São José dos Campos, em setembro. A equipe tem seis atletas: Expedito Carlos, Wellington Oliveira, Luís Carlos e Edmilson (todos de Franca), além de Paulo Sérgio (Claraval-MG) e Cirlanio Barbosa (Pratápolis-MG).

Mesmo com as conquistas, o grupo carece de colaborações. As viagens para os campeonatos deste ano foram realizadas graças a economia feita com o dinheiro dado pelo antigo patrocinador. Como não houve renovação do contrato, resta procurar apoio na cidade para poder disputar campeonatos, fazer viagens, adquirir novos uniformes e equipamentos adequados. “Esperamos contar com o apoio de todos para continuarmos o trabalho. A felicidade desse grupo é formidável e cativante. Os interessados em conhecer o projeto podem vir até a entidade”, disse Luiz Fernando.

Inventado em 1946, o goalball é um esporte baseado na percepção tátil e auditiva. O esporte é disputado em uma quadra que tem 9 metros de largura por 18 de comprimento - as dimensões de uma quadra de vôlei. Cada equipe conta com três atletas titulares e três reservas. Os gols, que têm nove metros de largura por 1,2m de altura, ficam nas extremidades. Os três jogadores são ao mesmo tempo arremessadores e defensores. Os arremessos só podem ser rasteiros. Para definir o jogo, existem dois tempos de 12 minutos cada. Os deficientes visuais contam com equipamentos de proteção, joelheira, cotoveleira e óculos além de um tampão, que impede sensibilidade à claridade. Assim como no futebol, a bola -76 cm de diâmetro com 1,25 kg, semelhante a uma de basquete - no goalball possui guizos que emitem sons e permitem aos atletas saberem sua direção.

A primeira aparição do goalball em Paraolimpíadas foi em Toronto, em 1976. As mulheres disputaram a modalidade pela primeira vez em 1984, nos EUA. No Brasil, o goalball começou a ser difundido no ano seguinte. A modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Deporto para Deficiente Visuais (CBDV). Hoje, o esporte é praticado em 112 países.

BRINCALHÃO, EXPEDITO LEVA VIDA COM BOM HUMOR 
Mesmo diante do obstáculo que para alguns é a deficiência visual, o massoterapeuta e atleta da equipe francana de goalball, Expedito Carlos de Oliveira, de 40 anos, leva a vida com muita alegria e bom humor. Durante os treinamentos e viagens, Expedito é taxado pelos companheiros como o mais “brincalhão” do grupo. “O sorriso não paga imposto. Então vamos rir”, afirmou o extrovertido atleta.

Mas, nem sempre foi assim. A tristeza foi grande quando ele descobriu ainda muito jovem que não enxergaria mais. Aos 15 anos, Expedito perdeu a visão durante uma brincadeira com outro colega. Ele teve um dos olhos atingido por uma pedra. O local infeccionou, passou para o outro olho e ele ficou cego. “Desarrumei o cabelo dele e enfurecido ele me jogou uma pedra. Ela atingiu meu olho. Tive que aprender a viver novamente”, declarou. 

Criado por um irmão, Expedito foi deixado então na Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos, onde viveu por 16 anos. Para ele, o processo de adaptação foi muito bom e estar no instituto colaborou a desenvolver novas aptidões. “Aqui aprendi a viver como cego. Nesse período me desenvolvi em cursos, aprendi braile e a andar sozinho”, disse.

Nessa fase, o esporte foi fundamental em sua vida. O trabalho também. Com frequência, Expedito Oliveira vai para Minas Gerais a serviço. O massoterapeuta é contratado pelo Grande Hotel de Araxá. “Desenvolvo esse trabalho e gosto muito de estar lá. Sou bem tratado por todos e pelos hóspedes também”, disse. 

Segundo Expedito, antes mesmo de praticar o goalball, ele participou do time de futsal, atletismo e natação. “Sou um super atleta (sic). No futsal, era complicado arrumar o número de pessoas necessárias para jogar. Sem falar que machuca mais. Mas no goalball já estou desde 2006”, relatou.

 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários