Fomos ‘agraciados’ com mais uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), em uma situação de corrupção que envergonha a todos. Porém, como já dissemos, não é a primeiro nem será a última
“Estamos perdidos há muito tempo... O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza desse rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte que o País está perdido!”
No ano de 1871, Eça de Queiroz escreveu o texto acima em Uma Campanha Alegre, mas a impressão que fica é de que escreveu para este momento que passamos em razão da condução política. Mais uma vez, o que já está se tornando rotineiro, nós brasileiros fomos “agraciados” com mais uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), em uma situação de corrupção que envergonha a todos, porém, como já dissemos, não é o primeiro nem será o último apresentado pela mídia. O que nos preocupa é que as denúncias com o passar do tempo, ficam como palavras “soltas ao vento”, porque não há consequência. Em todos os casos, assistimos às lideranças do governo, usarem de todos os meios para impedirem a investigação e apuração dos fatos, violando-se inclusive a Constituição Federal, para obstruir que a competência das minorias, no Congresso Nacional seja exercida em sua principal atividade que é de fiscalizar o Poder Executivo. E, em todas às vezes a liderança do governo atual para tentar justificar os empecilhos e as manobras para evi
tar as apurações, alega questões de governos passados.
Em que pese o desencanto com determinadas atitudes e posturas, na CPI como, por exemplo, a não convocação para prestarem depoimentos na CPI os senhores Fernando Cavendish (empresa Delta) e Luiz Antonio Pagot (Dnit), a população tem que insistir, persistir, buscar, para que nossas autoridades ofereçam à sociedade brasileira as respostas que ela espera, deseja e exige para mais um evento que envergonha nosso país perante a comunidade internacional desde os tempos de Cabral. Um governo sério apura denúncias como estas, através de investigação isenta e, ao final, impõe a punição mais rigorosa que a legislação possibilite, ou se eventualmente o acusado comprovar a sua inocência, resgate a sua credibilidade diante da opinião pública do País. Esse é o procedimento natural que se exige de quem governa com responsabilidade pública. Essa prática de omissão é um estímulo para a permanente corrupção e provoca grande indignação nacional.
Como inicialmente utilizamos palavras de Eça de Queiroz, para finalizar gostaríamos de lembrar um diálogo dos sermões do Padre Antônio Vieira, entre um pirata pequeno ladrão de barcaça, e Alexandre, o Grande. Certa vez, Alexandre, o Grande, invasor e saqueador de países inteiros, chamou um pequeno pirata para, supostamente, dar-lhe uma lição de moral. Ele pergunta: “Quem é você, que está por aí roubando as barcaças da cidade?” O pirata, então, que não era bobo nem covarde, olha para ele e diz: “Quer dizer que eu, que roubo pequenas barcaças, sou um ladrão; e V. Exª, que rouba nações inteiras, é um imperador?” Qualquer semelhança é mera coincidência.
‘SOPA DE LETRINHAS’
Para as próximas eleições, novamente teremos uma verdadeira, podemos dizer “sopa de siglas”. As coligações que ocorrem a cada eleição, apenas demonstram a falta de ideologia partidária e o artificialismo das agremiações políticas, dominadas, em geral, pelos grupos patrimonialistas, sem nenhuma preocupação de ordem ética e organizacional. Particularmente somos contra as coligações partidárias em primeiro turno, seja para as eleições majoritárias (presidentes, governadores, senadores e prefeitos) ou para as proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores). E vamos mais longe, pois para se acabar com os acordos políticos pós-eleições, ou seja, a busca do eleito no Executivo da maioria nas Casas Legislativas concedendo cargos no primeiro escalão em troca de “apoio” nas votações, também defendemos que o registro das candidaturas deveria ser por chapas completas, igual tínhamos nos tempos de diretórios e grêmios estudantis, onde os concorrentes registravam já de início todos os nomes e composições para o futuro mandato. Assim teríamos antecipadamente, antes de votarmos, os nomes do candidato a prefeito, vice-prefeito e todo secretariado e dessa forma não seríamos surpreendidos com nomes para os quais não votamos. A titulo ilustrativo tivemos no último dia 19/06/2012 o deferimento de mais um pedido de registro de partido político junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) do PEN (Partido Ecológico Nacional), mais um para engrossar o “caldo” da nossa “sopa de letrinhas”.
BIG BROTHER FRANCA
Apesar dos vários comentários já efetuados, não poderíamos deixar de comentar o descaso de nossas autoridades, de vários segmentos, para com a segurança pública dos comerciantes e cidadãos francanos. Enquanto algumas cidades ainda lutam para conseguirem a compra e instalação de equipamentos de vigilância em tempo real, Franca possui os equipamentos e em razão de “picuinhas” políticas, os equipamentos estão sem a utilização adequada. Interessante é a contradição da administração pública ao alegar falta de recursos para manutenção dos equipamentos enquanto outros equipamentos são adquiridos e obras são iniciadas. Infelizmente nos parece que questões de imagens antigas ainda não foram apagadas da memória de alguns e o problema atual passou a ser não da segurança dos cidadãos, mas sim da segurança e domínio das imagens detectadas.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
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