Três semanas, três festas. Nada mal para uma estadia londrina
A primeira, de adultos: funcionários do Banco do Brasil – ingleses, portugueses, italianos puros e brasileiros, com restrições: apenas os de nacionalidade européia –, e (um) acompanhante: ninguém burla a vigilância e leva dois. Coquetel em pé, espaço que imitava jardim tropical, plantas exuberantes, típicas de clima quente. A iluminação favorecia o espetáculo: meia luz no ambiente, luzes verdes no nível do chão, foco nas copas das árvores. Faltou a Chita. Vinhos, champanhes, refrigerantes, todo mundo enfeitado, salto alto, nenhum cavalheiro em manga da camisa e nenhum salgadinho. Lá fora, frio danado. Lá dentro, por causa da floresta, ou do calor humano, quente. Durante o jantar, sorteio de passagens para o Brasil. Vinte e três horas, todo mundo voltou para casa meio de pilequinho. O metrô para à meia noite, ninguém dirige depois de goles e taxi custa caro.
A segunda festa foi pouquinho mais animada. Apresentação de Natal na Escola Oakdale, em South Woodford, onde Lucas, meu neto, estuda. O salão, de festas: o mesmo das refeições de todos os dias. (No dias comuns ocupam mesas, com cadeiras acopladas. Aliás, curiosa, perguntei-lhe como faz quando precisa de alguma ajuda, como abrir a caixinha de refresco. Disse que, sem sair do lugar, levanta a mão e Miss Fleming – supervisora – vai até ele. São mais de sessenta crianças entre três e seis anos sentadas, e não amarradas, durante o tempo do lanche. Depois é que vão para o imenso espaço do parque, literalmente sob neve ou sol.) Metade do salão, cadeiras infantis, para os artistas. De frente, cadeiras de adultos, para avós, pais, tios, padrinhos. Espaço de corredor de dois metros entre as duas alas. As letras da música contam história do Homem da Neve. Calculo dois milhões e meio de fotos tiradas naquela hora e vi todos os adultos abanarem a mão para alguma criança. Meu neto entrou mudo e saiu calado. Achei maravilhosa sua participação. Lacônico, porém profundo e muito expressivo. Às vezes mexia a boca, não mexia? Pois é.
A terceira festa, a do aniversário de Lucas. Cinco anos. São comuns aqui espaços abrigados, que oferecem diversão a crianças pequenas. Os brinquedos são revestidos com espuma e plástico, os adultos – se solicitados – as acompanham nas escadas, túneis, labirintos, pontes. Há lanchonetes e salas especiais para comemorações de aniversários. Pois foi numa dessas. Chegaram pais, e pequenos convidados. Na entrada, identificaram-se e escolheram o cardápio preferido pelo filho ou filha: pizza, batata frita e cachorro quente. As crianças se dispersaram e os pais que se conheciam, conversaram. Os que não se conheciam, ficaram calados. Na hora da festa as crianças foram chamadas, seguiram em fila à sala indicada, sentaram-se em volta das mesinhas dispostas em U. Os pais ficaram em pé, atrás delas. Chegaram pequenas vasilhas de isopor, identificadas com o nome de cada criança. Tomaram refrescos, não refrigerantes. (Aos pais não é oferecido nem copo de água, porém comem uma batatinha ou outra dos filhos.) Na hora do parabéns, o bolo. Vela acesa, quase em sussurro, cantou-se a internacional melodia. Ninguém bateu palmas. Alguns brasileiros ameaçam emendar e repetir a nosso modo, o momento. Ficam com medo de assustar as crianças com barulho. O bolo foi cortado, enrolado em guardanapo, colocado no saquinho surpresa, imediatamente distribuído junto com bexigas. Os pais botaram os casacos nas crianças, despediram-se, agradeceram e foram embora. Acabou a festa.
Voltamos para casa com os carros abarrotados de presentes e, com cuidado especial, trouxemos os cartões com mensagens escritas pelas crianças. O tipo de comemoração pode variar, mas espontaneidade, alegria e sinceridade das crianças são universais. Idem, a emoção de pais e avós.
MEDO
A espera de diagnóstico médico gera expectativa angustiante. O tempo se recusa a passar, as pessoas nos olham com comiseração, a situação nos coloca frente a frente com nossa fragilidade e medo. Quando chega o resultado, se é de bom augúrio, o tempo passa, esquecemos daqueles sofrimento e agonia. Se não é, sabe-se lá de onde, surgem força e garra para encararmos e brigar com o mal que instalou à nossa revelia. Aos conhecidos, ou desconhecidos que aguardam veredito sobre a saúde, todo meu apoio e solidariedade. Em especial, quem aprendi a admirar por seu talento.
MARILYN
My Week With Marilyn, filme dirigido por Simon Curtis (David Copperfield), com Michelle Williams, Eddie Redmayne, Kenneth Branagh e Julia Ormond atraiu, na Inglaterra, fãs de cinema e da própria atriz, morta em circunstâncias sobejamente esclarecidas, nunca totalmente convincentes. Que nem Tancredo, no Brasil. Torçamos para que chegue aos cinemas de Franca com legendas. Os diálogos são inteligentes, Branagh dá show de interpretação como Laurence Olivier. E, ao fim, todos saímos apaixonados por Marilyn.
ASPAS
“Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício, então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.” (Ayn Rand)
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.