O que nos faz voar, seja lá o que for, é a mesma coisa que atrai o marinheiro para o mar. Algumas pessoas jamais compreenderão isto e nós não podemos explicar-lhes. Se elas estiverem dispostas, poderemos mostrar-lhes, mas nunca dizer-lhes
Comemora-se hoje o dia do aviador. É sonho de muitos pilotar aviões, mas a aviação militar é indescritível, vestir um macacão de vôo (alguns com sistema anti gravidade), um capacete, sentar-se em um assento ejetável e principalmente ter a certeza que domina todo o painel de instrumentos, de que é capaz de ligar o motor, segurar o manche, decolar e pousar com segurança... Porém, entre os sonhos e a realidade de se tornar um aviador há um imenso caminho a percorrer. É preciso estudar muito, ter uma saúde perfeita e muita, mas muita disciplina.
Caros leitores pedimos licença para sairmos dos tradicionais comentários semanais, para sumariamente abordarmos o “dom de voar”, aproveitando a data comemorativa e o falecimento, dias atrás, de Godofredo de Barros Neto, um francano amante da aviação. Quando nos perguntam por que voamos, a resposta é simples: é porque não nos sentimos felizes quando não há um pouco de ar entre nós e o chão! Já repararam que, quando pilotos falam de aviões, nenhum deles faz menções a viagens? Ou a economia de tempo? Ou à utilidade do avião? Nada disso é tão importante e que não é essa a razão principal que leva homens e mulheres a alçarem seus vôos.
Voar é o vento, a turbulência, o cheiro do escapamento, o ronco do motor, é a chuva na face, o suor escorrendo do capacete, ouvir o vento gemendo nos tirantes, ter apenas um cinto de segurança entre o piloto e o chão em um vôo invertido. Apesar das várias experiências que tivemos, nos trás muitas recordações, uma em especial, quando na época da colheita de algodão, na cidade de Leme/SP., próximo à rodovia Anhanguera, utilizávamos uma pista em meio a um canavial, para fazermos vôos panorâmicos, ou um vôo com “mais emoção” a pedido do cliente. Começávamos a voar com o nascer do sol e não parávamos senão à noite. Filas e filas, pessoas querendo voar. Bons tempos aqueles, dias de céu azul, ar límpido e de liberdade indescritível.
Os tempos se foram, vá aterrissar hoje seu velho avião, em uma pista abandonada e muito provavelmente você irá, no mínimo, ser processado por invasão de domicílio, além de querer tomar o seu avião por perdas e danos e alegar que ameaçou a vida da família quando sobrevoou sua propriedade. Também não haveria clientes para voar, pois nem graciosamente alguém iria querer subir em um biplano de mais de sessenta anos, de nacele aberta, com o vento e o óleo em seus rostos, sem nenhum tipo de apólice de seguro. Realmente será que alguém pagaria para tudo isso? Enfim, parabenizamos nesta data comemorativa, a todos os colegas que voam pelo prazer de voar.
ONGS E DINHEIRO PÚBLICO
Surgem mais denúncias contra o ministério dos Esportes, por desvios de verbas públicas através de ligações com ONG’s – Organizações não Governamentais. Ora, a utilização de ONG’s para desvios de verbas públicas já é conhecida de longa data e não é surpresa nenhuma tais condutas. Anos atrás tivemos a chamada CPI das ONG’s, que, naquela oportunidade, revelou dados surpreendentes, como por exemplo, a de que receberam valores de quase 50% das transferências efetuadas aos Estados-membros e Municípios, numa clara inversão de prioridade, onde se privilegia e fortalece as ONG’s em detrimento e enfraquecimento das políticas públicas estaduais e municipais.
A título ilustrativo, para demonstrarmos a inversão que está ocorrendo e, que foi detectada pela CPI das ONG’s, enquanto uma creche, um asilo, que atende a população de uma cidade, necessita se submeter a uma burocracia sem fim para se cadastrar e conseguir o repasse de uns poucos reais do Poder Público, algumas ONG’s, recebem dinheiro do erário público, quase que sem se submeter a verificação de suas atividades. Não podemos aceitar que dinheiro público seja dado a essas instituições que, de acordo com o relatório da CPI, gastam mais de 60% das verbas repassadas pelo governo com gastos administrativos.
Dessa forma temos que: enquanto os municípios, onde realmente vivem os cidadãos, estão de “chapéu na mão” sempre a mendigar algum recurso que lhe possa suprir suas necessidades e cobrir parte de suas dívidas, as chamadas ONG’s estão a receber ‘farta’ quantia do erário público e isso é inadmissível. Modificações tornam-se necessárias, visto que essa distribuição de convênios entre o governo e as ONG’s, sem nenhum tipo de edital público para selecionar os melhores projetos e verificar as estruturas destas organizações, facilitam situações para a ocorrência de desvios de dinheiro público.
A verdade é que o Poder Público não está controlando as ONG’s de modo algum. Não só em razão da inépcia dos controles internos, interesses outros, mas também porque elas se encontram configuradas como qualquer associação da sociedade civil e suas ações são imunes à ingerência estatal, estando ao resguardo de dispositivo constitucional. Por isso “andam por aí” agindo como verdadeiras autoridades, ditando políticas e estratégias a serem seguidas pelas administrações públicas. Fenômeno que não acontece em países desenvolvidos, possuidores de mecanismos de salvaguardas de suas políticas e soberania.
Observa-se que o crescimento de importância das ONG’s não foi acompanhado dos imprescindíveis mecanismos de controle estatal, evitando que organizações sérias não tenham sua idoneidade “manchada” por outras que servem a “outros fins”, viabilizando propósitos nem sempre transparentes. A propósito, como podem se chamar Organizações Não Governamentais se na realidade vivem à custa dos recursos do governo? Enfim, todos nós que estudamos a área pública, sabemos que a forma mais fácil de desviar recursos públicos é através de ONG’s, também na Administração Indireta e contratos públicos sem gerenciamento e controle dos serviços praticados.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.