O test-drive realizado pelo caderno de Veículos do Comércio da Franca neste domingo é diferente de todos os outros. Diferente porque, para começar, não foi realizado em nenhum carro lançamento ou em um zero quilômetro. O modelo que andamos nesta semana foi um Volkswagen Fusca ano 1973 que, de original, tem apenas a lataria, o motor 1.500 e o chassi. O restante - desde os bancos até os faróis e a cor - foi modificado pelo proprietário, o advogado Acir de Matos Gomes.
De 2007 (ano em que comprou o carro) até agora, ele estima que investiu no veículo cerca de 11 vezes mais do que pagou por ele - R$ 1,8 mil - na época. Tudo no Fusca é novo ou refeito: pára-choque, farol dianteiro do Polo Classic, traseiro do Fusca, bancos do Cross Fox (em couro), pintura (ele era branco, agora é prata), laterais internas das portas feita especialmente para ele em couro e madeira, rodas aro 17, pneus de perfil baixo, som, DVD, travas e vidros elétricos, retrovisores com seta, luz de neon por dentro, insulfilm e direção. Agora, depois de cerca de R$ 20 mil investido no “sonho”, Acir acredita que o carro esteja pronto e completo, mas não vê problema em dizer que, caso mude de ideia ou descubra que falta algum detalhe, volte a transformar o veículo.
Visto de longe o carro lembra um New Beetle, da Volkswagen, mas nenhuma peça, segundo Acir, foi sequer inspirada no carro. Suas rodas e faróis imponentes chamam a atenção e despertam interesse por onde o veículo passa, mas quando se está na direção a sensação é a mesma de estar pilotando um Fusca comum- exceto, é claro, pelo conforto interno. Pedestres, motoristas e passageiros não conseguem ficar alheios ao carro, que estacionando ou em movimento é o centro das atenções.
O Fusca é agora o principal assunto na casa do advogado e a paixão do filho, Gabriel Leite Matos Gomes, de 7 anos. O pequeno gosta tanto do carro que o escolheu como tema do aniversário neste ano e pediu aos pais que colocassem o “brinquedinho” na porta do salão, recepcionando os convidados. “Cada parafuso e cada detalhe do carro foi escolhido especialmente. Não tínhamos pressa para nada e queríamos apenas que tudo ficasse como planejamos. Hoje, além de um carro bonito e que não tem preço, ele é um importante elo entre eu e meu filho. Ele me ajudou na escolha de tudo”, conta, emocionado, o advogado.
Há três anos, o carro, segundo Acir, estava pronto para ir para o desmanche, sem a mínima condição de uso. Enferrujado e feio, a transformação foi o caminho encontrado pela família Gomes para mantê-lo nas ruas. Eles não se arrependem. “Já ofereceram para comprar e até para trocar em carro zero, mas não queremos. É a paixão do meu filho, e isso não tem preço que pague”.
LEGISLAÇÃO
Mas para mudar as características de um carro dentro da lei, como fez Acir, não é tão simples assim. Como advogado ele sabia todo o trâmite que enfrentaria até ter autorização para continuar com o processo, que pode durar até um ano e custar cerca de R$ 800. O primeiro passo, segundo ele, é estar em dia com a documentação do veículo; em seguida é preciso procurar um despachante para pedir ao delegado da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), através de um requerimento, autorização para as mudanças. Na petição deve constar todos os pedidos do que vai ser mudado. Depois de autorizado é necessário passar por uma vistoria do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e da Ciretran. No documento do veículo todas as autorizações de mudanças estão listadas.
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