Maratona


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“Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”
Hubert Humpherey,
político americano

 

Um contingente de 130 milhões de eleitores brasileiros - 29,5 milhões deles, paulistas - são esperados, dentro de exatos dois meses e dois dias, nas milhares de urnas espalhadas por todo o território nacional, para escolher quem deve liderar o país, dirigir os Estados e representar a população no Senado da República, na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas. Para quem é candidato e sonha com a vitória, há um longo e emocionante caminho a ser percorrido nestes 63 dias que nos separam do inadiável 3 de outubro. Qualquer um deles, independente da coloração partidária ou matiz ideológica, corre em busca de um único e - nobre - objetivo: convencer o eleitor de que é a melhor opção.


No plano nacional, a escolha do presidente da República, obviamente, monopoliza as atenções. Há uma enxurrada de informações disponíveis, a qualquer hora, em qualquer meio de comunicação, a respeito de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Vale o mesmo para a disputa aos governos estaduais e, em menor medida, mas ainda assim, em volume suficiente, ao Senado. Das propostas gerais destes candidatos à sua agenda de campanha, das alianças firmadas às movimentações de bastidores, está tudo registrado nos principais veículos de comunicação, sejam impressos, sejam eletrônicos.


O quadro muda radicalmente quando se analisa a disputa por uma vaga de deputado. Há poucas informações disponíveis. Para deixar tudo ainda mais difícil, o inacreditável número de candidatos - são mais de 2,6 mil homens e mulheres que sonham em ser deputados paulistas - e as limitações da legislação eleitoral - que restringe duramente as possibilidades de campanha sob o questionável pretexto da “igualdade” de condições - criam um buraco negro na cobertura de imprensa sobre a disputa eleitoral para deputado em grande parte dos municípios brasileiros. No caso de São Paulo, o espaço dedicado à cobertura da disputa para deputado tende a zero nos jornais sediados na Capital. Na TV, é ainda pior. Simplesmente inexiste.


Sobra o horário eleitoral gratuito no rádio e TV, obrigatório a partir de meados de agosto, mas que pouco contribui para mudar a situação. Com a avalanche de candidatos e o foco centrado nas disputados majoritárias - presidente, governador e senador - muito pouco tempo é reservado para aqueles que tentam uma cadeira de deputado estadual ou federal. Para deixar tudo ainda mais difícil, os candidatos a deputado ainda têm que disputar espaço com os grandes caciques, que não são exatamente cartesianos na hora de dividir o parco tempo restante. Resultado: candidato a deputado que nunca ocupou cargo eletivo e tem base eleitoral no interior pode se considerar homem de sorte se conseguir duas veiculações de 5 segundos cada durante todo o período de horário eleitoral gratuito no rádio e TV. Mais que isso é lucro, e dos bons.


Neste contexto, o projeto de cobertura intensiva do processo eleitoral iniciado pelo Comércio e pela rádio Difusora AM 1030khz há cinco anos, a partir do ponto de vista e dos interesses dos eleitores e da população de Franca e região, ganha importância crescente. A partir das eleições de 2006 definimos como prioritária a cobertura dos processos eleitorias. Desde então, uma equipe inteira é destacada exclusivamente para a cobertura da disputa eleitoral. Editores e repórteres ganham a missão de acompanhar todos os passos dos candidatos baseados na cidade. Um caderno diário exclusivo é planejado e executado para garantir máxima cobertura. Todos os candidatos com base eleitoral na cidade e na região têm amplos espaços no Comércio e na Difusora durante todo o processo eleitoral. As sabatinas, uma inovação que lançamos em 2006, garantem tempos e condições idênticas a todos tanto no programa transmitido ao vivo pela rádio quando no registro posterior nas páginas do jornal. Neste ano, com a parceria da TV Bem, que vai transmitir a íntegra das sabatinas, tudo fica ainda mais interessante.


De comunistas a liberais, de verdes a sociais-democratas, esquerdistas ou direitistas, anônimos ou veteranos do cenário político, pouco importa. São todos bem-vindos. Nossa missão é clara: queremos extrair de cada um dos candidatos o que pensam, o que pretendem fazer caso eleitos e quais suas concepções de mundo. É justo que os eleitores tenham acesso a estas informações para decidirem, de forma consciente, em quem votar.


Até agora, 11 dos 14 candidatos convidados para as sabatinas de deputado confirmaram participação. Apenas três ainda são dúvida: Graciela Ambrósio (PP), Tirso Meirelles (PSDB) e Roberto Engler (PSDB). A primeira há quatro dias se recusa a atender a reportagem do GCN. Seus assessores dizem que ela está “avaliando” a pertinência de participar das sabatinas. Deve anunciar sua decisão nas próximas horas. Tirso Meirelles e Roberto Engler alegam “compromissos” assumidos para colocar em dúvida sua participação.


O candidatos são soberanos na suas decisões, mas é estranho imaginar que alguém que luta para conquistar o voto do eleitor tenha compromisso mais importante do que se dirigir diretamente a eles num encontro democrático, trasmitido por rádio, TV, internet e reproduzido nas páginas de um dos mais tradicionais jornais do interior. Cerca de 500 mil pessoas são alcançadas por nossos noticiários em mais de 30 cidades da região. Abrir mão deste contato é um risco e tanto para qualquer candidato mas, inegavelmente, também é um direito. Só não vale reclamar depois do impacto desta ausência no saldo final das urnas.


Terça-feira, a partir das 10h45, com transmissão ao vivo pela Difusora, Paulo Afonso Ribeiro, candidato petista a deputado federal, entra em cena para apresentar suas ideias e propostas. A partir das 22h do mesmo dia, a TV Bem exibe a íntegra da sua sabatina no canal 10 da Net. E, no dia seguinte e no domingo da mesma semana, haverá amplos registros nas páginas do Comércio. Paulo Afonso e outros 10 candidatos farão aquilo que se espera de qualquer candidato: de forma aberta e direta, apresentarão suas ideias e debaterão com jornalistas. Nada mais democrático. Difícil é imaginar que alguém que decida participar da vida pública não se sinta à vontade neste ambiente e pense que se esquivar de jornalista - ou apostar no horário eleitoral gratuito - seja o caminho para conquistar o voto do eleitor. A história - e as urnas - tem mostrado que esta pode não ser a melhor opção. E o jogo já começou.

 

CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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