Alguns artifícios utilizados para vender determinados modelos de carros podem dar a dica de que o modelo não demora a deixar de ser fabricado ou a passar por uma reestilização. Se esta for a opção do comprador, em função de reduções no preço, a escolha é boa. Mas se o que se busca é um zero quilômetro que tenha o “visual do momento” por um bom tempo, é aconselhável redobrar a atenção para não dar de cara rapidamente nas ruas com a nova geração do modelo que se acabou de comprar.
Por questões que incluem a desvalorização imediata e a quebra do sigilo da estratégia de mercado, é raro uma montadora anunciar quando um modelo da sua linha vai mudar. Por isso a necessidade de manter olhos bem abertos e bom senso apurado.
Alguns compradores buscam um automóvel que está prestes a mudar desde que o preço esteja baixo. E realmente esse é um dos primeiros indícios de que o modelo pode estar chegando ao fim da linha (de montagem).
Outro sinal de que o fim está próximo é quando os anos passam e nenhuma mudança sequer é feita no modelo. Um exemplo é o VW Santana, que depois de ter sido um ícone da fabricante, deixou o mercado sem ter registrado uma única modificação de 2005 para 2006, ano do seu sepultamento.
Mais um indício é a generosidade excessiva das concessionárias. Quem acompanha o mercado automotivo provavelmente se lembra da oferta para levar o antigo Corolla, entre o final de 2007 e o início de 2008: às vésperas da reestilização, o comprador ganhava uma TV de plasma. Outro caso parecido aconteceu com o Fusion, da Ford, quando prestes a ser modificado presenteava o comprador com 60 mil pontos do programa Fidelidade da TAM e ainda podia ser financiado com taxa 0% em 24 vezes.
Entre as outras demonstrações de que um modelo vai ser reestilizado ou sair de linha está também o lançamento de séries especiais. Veja alguns exemplos: o Fiat Stilo Schumacher foi lançado antes do carro mudar no início de 2008; o Ford EcoSport Freestyle foi lançado antes da reestilização de outubro de 2007; o 206 Moonlight chegou pouco antes do lançamento do 207, em 2008, e o Gol Geração 3 teve cerca de seis séries entre 2004 e 2005, antes da chegada do G4. Fique atento também à vendagem do modelo que pleiteia. Quedas acentuadas podem indicar que a montadora está reduzindo a produção.
PODE SER BOM
Conforme citado no início da matéria, alguns compradores buscam um automóvel que está prestes a mudar justamente pelos benefícios em relação ao preço e à oferta de acessórios.
O gerente geral da Cofrana, Paulo Henrique Borges, explica que há diferença entre dois tipos de mudança. “Quando o carro vai sair de linha, acho que não compensa a compra. Mas quando ele vai ser remodelado, compensa sim, pois os descontos são muito grandes.”
Segundo ele, o consumidor paga em média 10% a menos em um modelo prestes a ser reestilizado, mas os abatimentos podem ser ainda maiores. “Já houve descontos de 15% (na compra do modelo anterior do Palio), quando, por exemplo, a Fiat lançou o modelo do novo Palio. Na Doblo (com alterações mínimas) demos 10%”.
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