Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Geociências da Universidade Estadual de San Francisco, nos Estados Unidos, alerta para os riscos da hipertermia. Segundo o estudo, a temperatura dentro de um carro parado aumenta rapidamente, podendo levar uma criança à morte em pouco tempo. Basta meia hora para que a temperatura dentro de um veículo parado debaixo do sol e com os vidros todos fechados aumente 80%.
Os resultados da pesquisa norte-americana mostraram ainda que, após 60 minutos no sol, a temperatura dentro de um carro em temperatura ambiente de 25ºC subirá para 47,8ºC.
Segundo Wellington Machado, 48, físico, especialista em Astronomia e coordenador do Observatório de Franca, o carro fechado se transforma em uma verdadeira estufa. “Uma das razões técnicas para isso é que o metal (da lataria do carro) é um bom condutor térmico, enquanto os materiais de dentro do carro, como estofamentos e peças plásticas, retêm muito calor. Com essa energia retida, a temperatura interna vai aumentando e se cria uma espécie de ‘estufinha’ dentro do carro. A diferença para uma estufa normal é que a geração de calor, ao invés de estar interna - como quando você acende um forno -, vem da incidência do sol”, afirmou.
Isso representa um risco eminente para bebês. Conforme o estudo, crianças pequenas têm capacidade de respiração menor do que os adultos e absorvem mais calor em um dia quente. Ao mesmo tempo, os bebês têm menos condições de dissipar o calor do corpo pela transpiração. Se o corpo atingir a temperatura de 41,6°C a criança está sujeita a sofrer uma parada cardiorrespiratória.
A pesquisa aponta também que em um carro com o vidro traseiro semi-aberto a temperatura interna demora mais a subir, entretanto após 55 minutos alcança a mesma temperatura que teria se os vidros estivessem fechados. “O vidro é um isolante térmico, não deixa o calor recebido pelo sol ser liberado. Somente liberando essa energia, trocando calor com o meio, é possível refrigerar”, afirmou Machado.
Portanto, crianças trancadas em veículos correm sérios riscos de saúde em apenas 30 minutos de confinamento. No mês passado, um bebê de cinco meses morreu após ficar entre 8h40 e 13 horas dentro de um carro estacionado na Rua Salvador Mastropietro, na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo.
O caso ocorrido recentemente na capital não é isolado. Aqui mesmo, em Franca, em 2000, uma garotinha, de apenas 1 ano e 5 meses, morreu por asfixia ao ser deixada por seu pai, um servidor público, por quatro horas dentro do carro da família.
Nos Estados Unidos, levantamento feito pelo Departamento de Tráfego contatou que em 2008 42 crianças morreram vítimas de hipertermia após ficarem trancadas dentro de veículos. Este ano já foram registrados 31 casos.
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