Ele saiu de produção há mais de uma década, quando a Volkswagen passou a lançar as novas e arredondadas gerações. O tempo, entretanto, só serviu para aumentar a fama do Gol quadrado, fabricado entre 1980 e 1996 - quando o derradeiro, com motor 1000, parou de ser fabricado.
Motivados pelo saudosismo e às vezes por um sentimento indescritível em torno desse veículo, os apaixonados pelo automóvel resolveram se juntar por todo o País. Em São Paulo, a maior comunidade virtual existe desde 2006. O Clube do Gol Quadrado (www.cdgq.com.br) tem mais de dez mil pessoas cadastradas no Estado, entre eles muitos francanos.
Uma mostra dessa mania pode ser conferida de perto neste domingo, a partir das 14 horas, na praça da Avenida Chico Júlio, de frente para o prédio da Receita Federal. Cerca de 60 modelos, dos mais variados acabamentos, estarão expostos na segunda edição do encontro - a primeira foi em janeiro. Atividades? Premiações? Shows? Nada disso. O objetivo dos “quadradomaníacos”, predominantemente jovens de 20 e poucos anos, é bem despretensioso: trocar ideias, exibir seus mais recentes feitos de tunagem automotiva e, claro, fazer novas amizades. Para aproveitar o espírito fraterno causado pelo carro mais vendido da Volks, os organizadores ainda pretendem arrecadar alimentos para doação.
“Gosto dele porque é um carro gostoso de andar e o estilo é diferente dos demais”, afirma o analista de sistemas Diego Marques Molina, 23, que comprou há quatro anos um modelo GTS cinza 1.8, fabricado em 1988, por R$ 6,5 mil. Até hoje já gastou R$ 2 mil com manutenção de rotina e uma média de R$ 100 por mês com combustível. Ainda pretende dar uma melhorada na pintura e colocar rodas novas. Vender? Nem pensar. “É meu primeiro carro e não vendo por nada”.
PAIXÃO CARA
Reza o dito popular que paixão não tem preço. Mas a do auxiliar acadêmico Adalberto Herbert Braghini, 21, por seu Gol quadrado vale pelo menos R$ 9 mil. Esse é o total gasto até hoje com adaptações em sua “máquina de estimação” adquirida há dois anos. O veículo, um Gol CL branco, 1992, com motor 1.6 a álcool, foi comprado por R$ 7,5 mil - totalizando R$ 16,5 mil com a tunagem.
Somente com o equipamento de som, que ocupa todo o porta-malas e os bancos traseiros, já foram R$ 3 mil. São nove alto-falantes e três amplificadores, baterias extras atrás dos bancos e três potências; um conjunto que faz com que qualquer música fique ensurdecedora no volume 15 (o máximo é 45).
Mediador local do fórum do Clube do Gol Quadrado, Adalberto também gastou R$ 300 com carpete vermelho que forra portas, piso e todo o porta-malas, material que ele próprio colocou durante suas horas vagas à noite e aos finais de semana. Contagiro, voltímetro, pedaleira e manoplas completam a configuração interna.
Do lado de fora, estilização com insulfilm nos vidros (R$ 635), lanternas traseiras e farol frontal de cristal (R$ 230) dão o retoque final. De quebra, uma revisão geral no motor, com pistão aliviado, cabeçote rebaixado, colocação de filtros esportivos de ar e carburador trabalhado fecham a sequência.
[FOTO2]
Adalberto pretende gastar mais R$ 3 mil até o fim do ano com suspensão a ar e rodas novas aro 16. “Gosto muito do carro pelo estilo e por ser um automóvel com mais de 15 anos que ainda ‘coloca banca’ em muitos 0 km. A baixa manutenção e a facilidade de encontrar peças é um outro motivo. Minha namorada fala que a maior concorrência dela não são outras mulheres e sim o Gol”, diz.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.