<i>"Ela é mulher, não precisa de treinamento nenhum.
Ela já nasceu com todo o treinamento necessário"</i>
<b>O comandante da operação Swanbeck, interpretado pelo ator
Anthony Hopkins, no filme Missão Impossível 2</b>
Cleópatra foi rainha do Egito cinquenta anos antes do nascimento de Cristo. Belíssima e pragmática, fez da sedução instrumento de sobrevivência. Conheceu o imperador romano Júlio César durante suas campanhas militares na África e, consciente da superioridade dos exércitos do "amigo", tratou de estabelecer uma aliança. Sem perder tempo, engatou logo um romance com Júlio César e foi viver em Roma com ele. De lá só saiu três anos depois, quando César foi assassinado num complô. De volta ao Egito, Cleópatra não ficou muito tempo sozinha. Logo começou um novo romance. Outra vez, com um líder romano. Marco Antônio foi o eleito. O general fazia parte de um triunvirato - ao lado de Octávio Augusto e Lépido - que controlava Roma, o maior e mais vasto império de todos os tempos. O problema é que Marco Antônio já era casado com a filha de Octávio Augusto que, compreensivelmente, não gostou nem um pouco da situação. Teve início uma intensa disputa de poder. Absolutamente encantado por Cleópatra, Marco Antônio parecia indiferente ao poder que detinha. Deixou tudo para trás para se casar com a rainha do Egito, com quem teve três filhos.
Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, ou simplesmente Eduardo VIII, foi rei da Inglaterra. Antes de assumir o trono, lutou no front de batalha na Primeira Guerra mundial. Popular e bom orador, era muito querido. Ainda príncipe, esteve em terras estrangeiras para estreitar os "laços de amizade". Numa destas visitas, conheceu uma mulher nos Estados Unidos. Wallis Simpson era seu nome. Eduardo VIII ficou fascinado pela senhora Simpson, que era divorciada uma primeira vez e novamente casada. Aparentemente, começaram a se relacionar imediatamente. Pouco tempo depois, Eduardo foi coroado soberano inglês, em 1936, aos 42 anos. Foi um brevíssimo reinado. Durou apenas onze meses. Eduardo não deixou de ser rei porque morreu, foi assassinado nem deposto. Voluntariamente, abdicou do trono. A razão, uma só: Wallis Simpson. A legislação britânica não permitia que um monarca se casasse com uma mulher divorciada duas vezes. Entre ser soberano do Império Britânico e marido de uma americana divorciada duas vezes, Eduardo VII nem pestanejou. Escolheu a segunda opção. Conquistou a mulher, perdeu a majestade.
Fernando Collor foi presidente do Brasil. Assumiu o cargo em 1990. Foi apeado de lá pouco mais de dois anos depois. O estopim das denúncias que resultaram no impeachment do presidente Collor foi uma bombástica entrevista de seu irmão, Pedro. Na entrevista, Pedro denunciava inúmeros esquemas de corrupção no governo do irmão. Deu nomes, detalhou operações, apontou caminhos do dinheiro desviado. Pedro prestou um grande serviço ao Brasil, mas suas motivações estavam longe de ser nobres. O caçula dos Collor queria vingança. A razão do ódio era uma só: ciúmes. Até hoje ninguém confirma a história, mas os boatos eram muito fortes na época. Tudo leva a crer que Fernando Collor tenha mantido um tórrido romance com sua cunhada, Tereza, a exuberante morena casada com Pedro. O suposto relacionamento teria ocorrido durante o tempo em que Collor foi governador de Alagoas. Como a história mostraria, verdade ou mentira, pouco importa. Pedro nunca superou a dúvida. Quando teve chance, acertou o irmão duramente. Pedro morreu, Collor amargou o ostracismo. Ressurgiu agora, eleito senador da República. E, mais uma vez, encantado por uma jovem - e bela - mulher, a arquiteta alagoana Caroline Medeiros. Foi por ela que Fernando Collor deixou Rosane, a primeira-dama do Brasil durante seu curto mandato.
Sílvio Berlusconi é primeiro-ministro italiano. Aos 72 anos e bilionário, é um dos vinte homens mais ricos do mundo, dono de um império de mídia e até de um time de futebol, o Milan. Durante 19 anos, foi casado com Veronica Lario. A união terminou em maio deste ano. Depois de acusar o marido de sair com prostitutas e menores, desabafou. "Não posso impedi-lo de se mostrar ridículo diante do mundo". A gota d`água na paciência de Veronica Lario foi uma viagem feita pelo líder italiano para participar da comemoração de aniversário da jovem - e belíssima - Letizia Noemi, uma italiana loira de 18 anos de quem Berlusconi diz ser amigo. Deu de presente à moça um colar avaliado em R$ 20 mil. O casamento chegou ao fim, a fraqueza de Berlusconi por mulheres bonitas, não. Desde então, já foi flagrado com todo tipo de mulher bonita em quase todo tipo de circunstância. Nenhuma delas muito honrada.
Não é de hoje que homens de todo mundo fazem loucuras para conquistar a atenção de uma mulher. Impérios foram sacrificados, fortunas desfeitas, amizades interrompidas, casamentos encerrados. Tudo por conta desta força mágica - e incontrolável - que as mulheres exercem sobre os homens. Mas o que até agora era visto como malandragem ganha novas alternativas com a divulgação de um estudo científico realizado por psicólogos holandeses. Publicado no Journal of Experimental and Social Psycology, o estudo mostra que o cérebro dos homens expostos a mulheres bonitas simplesmente para de funcionar corretamente. Fica mais lento e perde parte da sua capacidade cognitiva. A constatação é óbvia e um tanto patética: diante de uma mulher bonita e atraente, qualquer homem fica bobo. Mulheres menos interessantes não provocam os mesmos sintomas. Na presença delas, homens mantêm suas funções sob controle. Mas se a mulher for bonita, os efeitos são imediatos.
O tal estudo é sério. As vítimas, ou melhor, os homens que participaram da pesquisa, foram submetidos a testes de raciocínio e memória. Depois, foram expostos a mulheres bonitas - e outras nem tanto - para conversas nunca superiores a sete minutos. Na sequência, os testes foram reaplicados. Não deu outra. Os que tinham conversado com as mulheres mais atraentes tiveram resultados significativamente piores nos testes. Um dos cientistas que inspirou o estudo, por exemplo, sequer conseguia lembrar o endereço de casa após conversar com uma beldade.
O estudo sustenta que os homens foram geneticamente programados para reproduzir. Assim, diante de mulheres bonitas, o cérebro simplesmente para de realizar suas funções normais e direciona toda sua capacidade para tentar impressionar o alvo. O resto, fica em segundo plano. Ou terceiro, quarto... O inverso não se comprova. Mulheres, ainda que diante de homens belíssimos, não perdem qualquer uma de suas capacidades. Mantêm intactas suas funções cerebrais, sua capacidade cognitiva, a velocidade e a clareza de raciocínio. Segundo os estudiosos holandeses, a explicação também é genética. Homens querem reproduzir a qualquer custo, mulheres querem um bom reprodutor. Assim, mais importante que a beleza, para elas, é a aparência saudável, a jovialidade e a ternura do interlocutor.
Júlio César, Marco Antônio, Eduardo VIII, Fernando Collor e Sílvio Berlusconi são apenas exemplos conhecidos deste efeito. Fizeram muita bobagem dominados por esta força à qual não conseguiram resistir. Não justifica os erros, mas ajuda a entender como os processos acontecem. Os homens ficam inertes, encantados - e um tanto bobos - diante da mulher que desejam. O dramático é que a máxima de Vinícius de Morais - "as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental" - mostra-se mais verdadeira do que nunca. O poeta, que foi casado nove vezes, tinha razões de sobra para pensar assim.
No Brasil, terra de mulheres belíssimas e atraentes, o estudo holandês tem um mérito adicional. Pode ser decisivo para entender o comportamento um tanto incompreensível de nossos políticos. Afinal, se o grau de lerdeza e bobagens no comportamento masculino pode ser definido pela exposição a mulheres bonitas, é de cair o queixo imaginar o tipo de companhia da qual desfrutam nossos homens públicos das mais variadas esferas de poder. Ao lado deles devem estar, certamente, algumas das mais belas e atraentes mulheres do universo.
<b>CORRÊA NEVES JÚNIOR </b>
<i>é diretor-responsável do Comércio da Franca</i> jrneves@comerciodafranca.com.br
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