<i>`Meu maior sonho é crescer sem perder a alma`</i>
<b>Luiza Helena Trajano Rodrigues</b>
A presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano Rodrigues, foi eleita nesta última semana “Executiva de Valor”. O prêmio, concedido pelo jornal especializado em economia Valor Econômico, de São Paulo, é uma homenagem aos melhores executivos de 24 setores da economia brasileira. Os premiados foram escolhidos por um júri formado por integrantes de dez empresas nacionais e estrangeiras especializadas em seleção e recrutamento de altos executivos. Os selecionados são pesos-pesados do empresariado nacional, a elite de executivos que comanda as mais importantes companhias sediadas no Brasil. A lista dos eleitos é composta por gente como Roger Agnelli, da Vale do Rio Doce; Benjamin Steinbruck, da Companhia Siderúrgica Nacional; Ivan Zurita, da Nestlé; Luiz Fernando Falco, da Oi; e Roberto Setúbal, do Itaú/Unibanco. Há apenas duas mulheres no grupo. Uma é Chieko Aoki, a nipo-brasleira que preside o Conselho de Administração da rede de hotéis Blue Tree. A outra é Luiza Helena Trajano Rodrigues. Ou para nós, de Franca, a “Luizinha do Magazine”.
Na história de Franca, algumas famílias se notabilizaram pela fortuna que amealharam, pelo poder político que detinham ou pelas empresas que construíram. Há os Caleiro, os Junqueira, os Petraglia, os Meirelles, os Betarello, os Ludovice, os Sábio de Mello. Companhias como Terra, Samello, N. Martiniano, M 2000, Agabê, Casa Higyno, Calçados Palermo, Amazonas, Democrata, Carmem Steffens, entre outros, foram - ou são - colossos empresariais com milhares de funcionários. Mesmo assim, nenhum destes ou qualquer outro grupo nascido aqui, em tempo algum, chega sequer perto do patamar alcançado pelo Magazine Luiza, de longe a maior e mais bem sucedida empresa de Franca de todos os tempos.
A saga protagonizada pelos Trajano, Donato e Garcia desde o início, com a pequena A Cristaleira, há mais de 50 anos, até o gigante do varejo brasileiro que hoje se estende por vários Estados, é única. Seria preciso um estudo histórico-econômico apropriado para se poder afirmar com certeza, mas a simples observação que a profissão impõe me permite duvidar que qualquer outra empresa francana tenha atingido, em qualquer época, faturamento equivalente a 10% das receitas anuais do Magazine Luiza. Nossos maiores grupos empresariais provavelmente atingiram, em suas épocas de esplendor, faturamentos anuais equivalentes hoje a R$ 250 milhões de reais, muito distante dos R$ 3,2 bilhões que passam pelo caixa do Magazine a cada ano.
Os números do ML são hiperbólicos. Além do faturamento medido na casa dos bilhões, os 15 mil funcionários espalhados por 465 lojas e diversos centros de distribuição fazem da rede a terceira maior varejista brasileira, atrás apenas das Casas Bahia e quase empatada com a vice-líder, o Ponto Frio. As vendas anuais do ML equivalem a quase uma década de orçamento da cidade de Franca e seu número de funcionários é cinco vezes maior do que a estrutura comandada pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Em seu auge, por exemplo, o Agabê empregava 3,5 mil pessoas. Não há nem nunca houve, na iniciativa privada da cidade, nada sequer parecido com o tamanho do ML.
À frente de tudo isso está Luizinha. Se o mérito da fundação, de fincar os alicerces, é de seus tios, Luiza e Pelegrino Donato, e o de levantar as paredes deve ser dividido com Onofre Trajano e Wagner Garcia, o fato incontestável é que a transformação do ML de uma empresa de porte médio num gigante é resultado direto do trabalho, das percepções e das convicções de Luizinha. Até o início dos anos 90, quando assumiu o comando da rede, o ML era uma varejista de pouco mais de 30 lojas, mais ou menos o porte das Lojas Xavier de hoje. Numa década, Luizinha liderou o processo que fez do Magazine Luiza uma empresa de relevância nacional. Partiram dela ideias e estratégias como o lançamento das lojas eletrônicas, onde muito antes da internet consumidores compravam examinando os produtos exibidos em telas virtuais, uma inovação que possibilitou levar o ML a bairros ou cidades que não comportavam uma loja de departamentos com estoque e produtos de mostruário. Foi Luizinha também quem, no varejo, primeiro acreditou no potencial da internet, anos antes de seus principais concorrentes, e colheu os frutos por chegar na frente.
Tudo isso sem falar da “Liquidação Fantástica”, uma revolução no comércio brasileiro reproduzida por dez em cada dez redes varejistas. A queima de estoque nas primeiras semanas de janeiro é hoje evento incorporado ao calendário dos consumidores, uma ideia tão simples quanto eficiente - e por isso mesmo, genial: depois do Natal, vender o que houvesse no mostruário a preços módicos, para alavancar as vendas num período de ressaca de vendas. Me lembro bem das primeiras edições da “Liquidação Fantástica”. O Comércio ficava na Ouvidor Freire e nos surpreendíamos com as filas que se estendiam desde a matriz do Magazine até a gráfica do jornal. Para nós, do jornal, era um evento importante. A movimentação, como acontece até hoje, rendia boas matérias com as histórias dos que chegavam primeiro na fila, muitos com economias acumuladas durante meses para maximizar o potencial de compra com os descontos oferecidos. Padarias inteiras eram contratadas pelo ML para fornecer pão e manteiga aos que chegavam de madrugada. Sempre foi uma festa alegre.
Funcionou tão bem que hoje vende-se muito mais do que mostruários na “Liquidação Fantástica” e suas variações, mas o princípio permanece o mesmo. A aprovação dos consumidores, idem.
Luiza Helena Trajano Rodrigues é quem comanda a maior e mais importante empresa de Franca de todos os tempos. Tem o privilégio de poder falar com o presidente da República ou com o governador do Estado quando deseja, o que acontece pelo simples fato de que o que tiver a dizer, seja qual for o assunto, tem relevância e deve ser ouvido sem hesitação pelas mais importantes autoridades do País. Esta mesma mulher também tem suas estratégias e ideias objeto de estudo da Harvard Business School, simplesmente a mais importante escola de negócios do mundo e símbolo da excelência acadêmica americana. Um prêmio como o concedido nesta última semana pelo Valor Econômico é importante, mas é apenas mais uma na longa lista da empresária. Jornais, revistas, entidades e universidades do Brasil e do Exterior tem rendido homenagens - todas justas - ao empreendedorismo e à ousadia da comandante do Magazine Luiza. Por tudo isso, é seguro dizer que nunca houve um francano - homem ou mulher - tão poderoso e influente quanto Luiza Helena Trajano Rodrigues. Para nós, seus conterrâneos, a sempre “Luizinha do Magazine”.
<b>CORRÊA NEVES JÚNIOR </b>
<i>é diretor-responsável do Comércio da Franca</i>
jrneves@comerciodafranca.com.br
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