<i>"As pesquisas que temos feito com os indecisos indicam que nós temos a maioria dos indecisos"</i>
<b>Paulo Maluf, deputado federal e ex-governador de São Paulo</b>
Estamos a menos de um ano das eleições gerais de 2010, quando milhões de brasileiros exercerão, nas urnas, o direito de escolha do presidente do País, dos governadores de Estado, de deputados federais e estaduais e também de parte dos senadores da República. Como sempre importante, a disputa de 2010 tem algumas particularidades. A principal delas, no campo nacional, é que será a primeira disputa desde a redemocratização do País e a retomada das eleições diretas para presidente da República, há 20 anos, em que os brasileiros irão às urnas sem ter entre os candidatos ao cargo mais importante da nação o nome de Lula. Derrotado em 1989 (Collor venceu), 1994 e 1998 (vitórias de Fernando Henrique Cardoso); eleito para dois mandatos sucessivos em 2002 e 2006, Lula está impedido pela Constituição, desta vez, de participar da disputa. Será, curiosamente, a primeira vez na vida que Lula vai votar em alguém que não ele mesmo para governar o Brasil. Afinal, a última eleição direta para presidente antes do golpe militar foi em 1960, quando Jânio Quadros acabou eleito presidente. Lula tinha na época 15 anos e não podia votar. Depois disso, houve os anos de chumbo da ditadura. E, desde a redemocratização, em 1989, Lula só votou em si mesmo. Tudo indica que será Dilma Roussef a primeira candidata a ter a honra de receber um voto de Lula para presidente da República.
Localmente, o quadro eleitoral indica uma forte estagnação, com pouquíssimo espaço para surpresas ou mudanças. Os números da pesquisa Comércio/Datalink divulgados na edição de hoje indicam claramente que os eleitores da cidade querem votar em gente daqui. Também estão, pelo menos aparentemente, satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelos atuais deputados - o federal Marco Aurelío Ubiali (PSB) e os estaduais Gilson de Souza (DEM) e Roberto Engler (PSDB) - e se mostram muito pouco propensos a mudar radicalmente de opção. Igualmente continuam arredios aos candidatos do Partido dos Trabalhadores, que não alcançam intenções de votos expressivas quaisquer sejam os nomes colocados para apreciação do eleitor, e tampouco parecem dispostos a escolher qualquer um dos derrotados na última disputa municipal para representá-los no Legislativo. Menos de 8% dos eleitores, no caso da disputa para deputado federal, e 5%, no pleito estadual, declaram ainda não saber em quem votar (diante dos cenários apresentados) ou pretendem anular seu voto.
Aos números, então. Foram simulados três cenários possíveis para a disputa de deputado federal e outros três para a corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa. Como o período eleitoral ainda está muito distante e as convenções partidárias, que oficializam os candidatos, idem, todos os cenários são hipotéticos. Foram considerados os nomes de políticos de múltiplos partidos e tendências que têm alguma projeção na cidade, além daqueles que já manifestaram, publicamente, intenção de disputar uma vaga de deputado.
No caso de deputado federal, não tem para ninguém. O médico Marco Aurélio Ubiali, eleito em 2006, obteve índices impressionantes nesta primeira rodada da pesquisa Comércio/Datalink. Suas intenções de voto vão de 68,4%, no melhor cenário, a 60,7%, na perspectiva mais pessimista. Se as eleições fossem hoje, Ubiali sairia de Franca com mais de 125 mil votos e teria imensas chances de garantir um segundo mandato. Independente das simulações feitas, ninguém lhe faz sombra. Professor Chiachiri (PV), Tito Flávio (PCB), André Jorge (PP), Tirso Meirelles (PSDB), Gilmar Dominici (PT), Paulo Afonso Ribeiro (PT) e o cantor Giovani (PDT) são, neste instante, modestos figurantes, com percentuais de intenção de votos muito abaixo dos 10%. Há duas exceções, ainda assim incapazes de redefinir o quadro. Fábio Liporoni (PMDB), advogado e ex-vereador, que alcança 10,7% das intenções de voto num dos cenários simulados, e Roberto Engler (PSDB), com expressivos 16,7%. Ainda assim, nenhum dos dois chegaria a 40 mil votos para deputado federal e não teriam, neste instante, quaisquer chances de conquistar uma vaga em Brasília.
Parece claro que a população francana gostou de ter um representante na Câmara Federal após um longo vácuo de 20 anos. O início de mandato atrapalhado, com a polêmica que envolveu o anúncio de que manteria também uma residência em Ribeirão Preto, parece estar definitivamente superado. Ubiali dá mostras de ter conquistado a aprovação da população que, neste instante, manifesta sua intenção de mantê-lo em Brasília. Os índices de intenção de votos alcançados por ele são ainda mais importantes porque Ubiali dificilmente será reeleito se repetir a votação de 2006, na casa dos 80 mil votos. Será preciso sair de Franca com mais de 100 mil votos para que tenha chances reais de vitória. Os números da primeira pesquisa Comércio/Datalink sinalizam ao deputado e sua equipe que o caminho traçado está correto.
Na disputa pelas cadeiras de deputado estadual, os cenários de disputa são igualmente semelhantes, com a diferença de que são dois a dividir a preferência do eleitorado. Roberto Engler e Gilson de Souza estão tecnicamente empatados, praticamente voto a voto, não importa qual dos cenários se considere ou quais sejam seus adversários. Basicamente, um terço do eleitorado está com Engler; o segundo terço prefere Gilson de Souza. O terço restante se divide entre os outros possíveis candidatos e os eleitores que estão indecisos ou pretendem anular seu voto.
Assim como no caso de Ubiali para federal, Engler e Gilson estão praticamente sozinhos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, com índices que variam de 33% e 31,9%, respectivamente, no cenário mais favorável, a 30,5% e 29,2%, no quadro mais desfavorável. É um cenário absolutamente estável, com variação muito pequena, independente de quem sejam os adversários. O presidente da Câmara Municipal, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), os vereadores Pastor Otávio (PTB), Zezinho Cabeleireiro (PTB) e Paulo Zamykhovisky (PSB), o professor Crico (PV) ou o ex-viceprefeito Cassiano Pimentel (PT) estão neste instante reduzidos à condição de coadjuvantes.
Há, de novo, duas exceções. O ex-candidato a prefeito pelo PT, Gilson Pelizaro, alcança 12,7% de intenções de voto numa das simulações. É o melhor resultado de um petista nos seis cenários para deputado (federal e estadual) simulados pelo Comércio, mas ainda assim pouco para levá-lo, neste instante, a ter chances concretas de vitória. A outra exceção é a vereadora e delegada Graciela Ambrosio (PP), que recebeu 19,5% das intenções de voto numa das simulações para deputado federal, o que projeta mais de 40 mil votos. É muito voto mas, ainda assim, insuficiente para colocá-la com chances reais de vitória. Para alcançar um resultado positivo, Graciela necessariamente teria que avançar sobre o eleitorado de Engler ou Gilson de Souza. Sem isso, poderia atrapalhar as chances dos dois, mas dificilmente teria ela mesma condições de ser eleita.
Por enquanto, a tanto tempo do período eleitoral, qualquer simulação ou projeção fica no campo das especulações. Isso não quer dizer, entretanto, que o exercício de projetar cenários e possibilidades seja inútil - ou errado. É claro que os que desejam ser candidatos e não tiveram o desempenho com que sonhavam podem ficar frustrados ou apelar, como sempre, para mágicas composições de votos x quociente eleitoral para justificar suas ambições. É legítimo que ajam assim, mas pouco provável que seus sonhos se tornem realidade.
Os primeiros números - com base científica - que procuram identificar a vontade da população de Franca revelam um eleitor conservador, pouco propenso a ousadias ou aventuras e, aparentemente, convicto do que quer. Ainda assim, há que se esperar o início do período eleitoral, as diversas composições que serão formalizadas até lá e o desempenho dos candidatos propriamente ditos para que novas rodadas de pesquisa confirmem - ou não - o cenário projetado. De um jeito ou de outro, até outubro de 2010, quando os eleitores, de forma soberana, vão confirmar sua vontade nas urnas, muita água ainda vai rolar debaixo desta ponte.
<b>CORRÊA NEVES JÚNIOR </b>
<i>é diretor-responsável do Comércio da Franca</i> jrneves@comerciodafranca.com.br
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