Na ponta do lápis: saiba quanto seu carro gasta


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Analise o seguinte quadro e diga se você nunca foi pego nessa situação: prestes a fazer uma viagem, depois de economizar centavos do minguado salário que recebe todo mês, você vê seu carro parar do nada no meio da rua. Na oficina, o mecânico diz com a maior simpatia do mundo que o conserto vai ficar nuns “oitocentinha”. Adeus ao seu final de semana em Buenos Aires. A máxima de que um carro vale por uma família nunca deve ser esquecida. Se por um lado comprar um automóvel zero quilômetro está relativamente fácil, com todas as promoções que surgem por aí, é na hora de manter o bólido que você pode se complicar. Gastos não previstos, oficina fora de hora, impostos, estacionamentos, combustível, seguro e a depreciação depois da compra podem significar metade do que foi pago na loja logo no primeiro ano de uso. Com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nos carros zero quilômetro, muita gente correu às concessionárias para trocar o antigo por um novo ou adquirir um veículo pela primeira vez, deixando de vez o transporte público para trás. Mas o consumidor, por sua vez, deve prever as despesas com seguro e principalmente manutenção. E é aí que sobram motivos para muita gente não conseguir manter um carro na garagem por muito tempo. O veículo, normalmente de passeio, pode ser o bem mais desejado e mais caro que uma pessoa compra na vida, depois de uma casa própria. Mas há uma diferença enorme entre os dois: o carro se desvaloriza mais rapidamente, o que requer uma boa análise de mercado do consumidor antes de escolher o modelo. De início, o comprador já pode sair perdendo ao sair da loja -quando o carro carro já valerá 15% ou 20% a menos que a tabela. No caso de um carro de R$ 25 mil, esse valor pode chegar a até R$ 4 mil. Se for algum modelo que está sendo fabricado pela última vez, saindo de linha, essa desvalorização pode ser ainda maior. Nos anos seguintes, a depreciação vai diminuindo. Ainda tomando por base o preço acima, as despesas podem chegar a R$ 12 mil no primeiro ano (confira detalhes no quadro). São gastos comuns, feitos no varejo, como estacionar em área de zona azul e limpeza, além dos mais pesados, como seguro e IPVA. Por isso, é preciso colocar todos os prós e contra no papel e ver se vale a pena mesmo sair daquele carro que ainda está servindo para entrar em outro. Para muita gente, no entanto, carro significa liberdade. E carro zero, além da liberdade, significa manter-se longe de oficinas e de gastos constantes como manutenção. O professor de matemática do Uni-Facef, Heleno Paim, disse que é preciso analisar principalmente as taxas de financiamento e todos os gastos que virão agregados ao produto. “Falando mais como consumidor que como professor, é necessário que se pese a importância que veículo terá. Um carro zero vai significar sossego por pelo menos quatro ou cinco anos, conforto e autonomia”, disse ele. Outros fatores, que não foram considerados nesta abordagem, como pneus e o pagamento da dívida, também podem pesar muito para o comprador. Garantia de segurança, os pneus podem pegar muita gente de surpresa. Mas a menos que você rode mais de 35 mil quilômetros no primeiro ano, não deverá se preocupar com o equipamento. Já financiamentos muito longos redundam em parcelas altas por causa da taxa de juros. Há dois anos, a vendedora Vilma Barbosa Rodrigues, 28, fez dois financiamentos simultâneos para comprar um carro que já tinha sete anos de fabricação. O primeiro, para a entrada de R$ 5 mil, divididos em 24 meses, e o segundo, para o restante da dívida, que só vai acabar daqui a três anos. “Na época eu precisava e achei que tinha feito bom negócio. Mas depois de algum tempo as prestações já começavam a pesar e ainda têm os custos de oficina que estão ficando constantes”, disse.

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