Descobrir como funciona a tecnologia dos motores bicombustíveis é um desafio para quem não entende “patavinas” de veículos e muito menos fala “mecanês”. Mas não se preocupe porque a compreensão é possível -passada a estranheza natural e com ajuda de alguns desenhos.
Um veículo bicombustível ou flex (há quem faça distinção entre os dois, mas vamos considerá-los iguais) é aquele que tem um único tanque de combustível e que pode rodar com qualquer mistura de álcool e gasolina, em qualquer proporção.
Isso quer dizer que você pode parar em um posto de combustíveis e colocar qualquer um dos dois ou ambos ao mesmo tempo sem problemas. Não é incrível? É claro que existem milhares de contas e teorias que tentam descobrir qual seria a melhor combinação para o carro e para o bolso.
Mas, voltando à mecânica... A flexibilidade de combustíveis nos motores se tornou possível com a invenção de um sensor de oxigênio, chamado sonda lambda. Ele é instalado no escapamento do carro e, quando o veículo é ligado, o sensor “hightec” analisa os gases emitidos pela queima do combustível.
O sensor “percebe” a quantidade de álcool presente no combustível e encaminha a informação para um chip, chamado de módulo de controle do motor, que é a “inteligência” do carro bicombustível. Identificado o combustível, o equipamento toma as providências necessárias para adaptar o funcionamento do motor ao combustível que você escolheu. Chique, não é? E rápido também! Todo o processo leva de dois a quatro milisegundos.
De acordo com o mecânico Milton Dionísio Bonassolli, da Automec, também há desvantagens no processo. “Como o motor é adaptado para funcionar com os dois combustíveis, ele não alcança a potência de um motor exclusivo para gasolina ou para álcool”, disse ele.
Quanto ao desgaste provocado pela combinação de combustíveis, Milton tranquiliza os motoristas. “Muita gente diz que a mistura tende a formar uma goma, que pode obstruir e até entupir o filtro de combustível. No entanto, aqui na oficina, o que a gente vê é um desgaste normal. Nada preocupante”, afirmou o mecânico.
PULO DO GATO
Você já parou para pensar porque não se deve colocar álcool em um carro movido a gasolina? Se você foi maluco o suficiente para experimentar, viu que o carro nem ligou ou então funcionou muito mal. Isso porque ele não estava regulado para trabalhar com o combustível que você colocou.
Resumindo: o motor para gasolina, álcool e bicombustível é basicamente o mesmo, com pequenas diferenças em sua regulagem. Mudam a quantidade de ar e de combustível que devem entrar no cilindro (injeção) e o momento exato em que a vela deve soltar a faísca para fazer a mistura explodir e garantir o máximo de potência para o motor (ignição).
DETALHE
Cerca de 90% dos veículos vendidos nas concessionárias francanas são bicombustíveis. A explicação é simples: desde 2003, as montadoras Ford, Volks, Fiat e Chevrolet fabricam somente veículos bicombustíves no Brasil. Os outros 10% dos carros que rodam com apenas um combustível são importados.
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