O que você acha da combinação mulher e moto? Tá, não vale lembrar apenas da célebre cena da estonteante Megan Fox de shortinho jeans no filme Transformers 2, exibido em Franca há até algumas semanas. Seja como for, voltando ao que interessa, a mulherada vem galgando amplo espaço no segmento, até então considerado machista. Duvida? Olhe então pelo retrovisor de seu carro.
“Não troco minha moto por carro nenhum”, exclama Jaqueline Galeti Camargo, 38, casada e mãe de um filho de 6 anos, uma apaixonada confessa pelas possantes de duas rodas. Atualmente Jaqueline pilota uma Honda CBR 600. O modelo é mais caro do que muitos carros populares: uma CBR 600 zero-quilômetro custa entre R$ 39 mil e R$ 41 mil.
A vendedora começou a andar de moto há 20 anos e de lá para cá colecionou algumas boas histórias. “Já passei por cada situação...”, comentou Galeti. Em uma delas, o motivo seria ela própria. “Parei a moto, peguei meu almoço, estava montando de novo e um outro motoqueiro, que estava me olhando, bateu no carro da frente. O motorista do carro desceu bravo e o motoqueiro falou que a culpa era minha”, contou. “Outra vez, em um semáforo, um cara também ficou olhando e bateu o carro. Um carro foi batendo no outro. Bateu uns cinco carros no semáforo!”, completou, aos risos.
Por causa destas e outras histórias, o marido de Jaqueline, Luís Fernando Camargo, 39, fica um pouco “enciumado”. “Ele detesta andar comigo. Diz que parece atração turística. Pelo meu marido acho que eu não andaria de moto. Mas ela é minha vida, andei de moto a vida inteira”, completou.
Assim como ela, várias mulheres têm optado pela compra de uma moto em vez de um carro. Na Hido Motos, uma das principais revendedoras de Franca, houve um crescimento nas vendas para o público feminino. “Tenho notado um aumento no interesse da mulher pelas motos. A mulher compra para ser independente, não depender do marido ou dos pais”, afirmou Karina Pierri, gerente comercial da Hido Motos.
Nos últimos seis meses a Hido Motos vendeu 426 motos para mulheres, o que representa 36% das vendas totais. O modelo mais procurado foi a Honda Biz. No mesmo período, os homens compraram 754 unidades.
Dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) do início do ano passado revelam que até janeiro de 2008 existiam 2,13 milhões de mulheres habilitadas a pilotar motocicletas em todo o Brasil - o que representava 17,3 % do universo de 12,2 milhões de mulheres condutoras de veículos automotores no País. Em Franca, a Ciretran (Circunscrição Regional do Trânsito) foi procurada para revelar os números locais de mulheres habilitadas, mas informou não ter tempo hábil para a divulgação até o fechamento desta edição.
‘CROTILDE’
O Orkut, principal rede de relacionamentos pela internet do País, é também um importante ponto de encontro para as mulheres apaixonadas por duas rodas. Há 29 comunidades dedicadas ao segmento - sendo a mais a acessada a “Mulheres Motoqueiras”, com quase 2 mil membros.
Os comentários e os tópicos das participantes são bem interessantes, indo da venda de motocicletas à organização de encontros de motoqueiras. Outro, intitulado “Qual é o nome de sua moto”, também chama bastante a atenção. E os nomes são bem curiosos: “Crotilde”, ou simplesmente “Cro”, “Rebeca”, “Jabuticaba”, “Bisteca” (em homenagem à Honda Biz)... O que importa é a criatividade.
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