AM 1030 kHz


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<b>MUITO MAIS QUE CLIENTES</B> - Leitores e ouvintes, bem como, em alguma medida, telespectadores, estabelecem uma relação muito particular e intensa com os veículos que admiram, com os profissionais que neles trabalham, c
<b>MUITO MAIS QUE CLIENTES</B> - Leitores e ouvintes, bem como, em alguma medida, telespectadores, estabelecem uma relação muito particular e intensa com os veículos que admiram, com os profissionais que neles trabalham, c
Toda empresa depende, essencialmente, dos clientes que tem. Há grandes companhias transnacionais com milhões deles espalhados por todos os continentes. Outras, que operam em segmentos específicos, podem sobreviver com um único consumidor dos produtos que oferecem como, por exemplo, as que desenvolvem sistemas militares para determinado governo. Não importa muito, clientes são clientes. Empresas de comunicação não são exceção à regra, mas trazem no próprio DNA do negócio uma diferença fundamental. Seus clientes estão muito mais para sócios e torcedores do que para consumidores. A relação é passional, íntima, profunda. Leitores e ouvintes, bem como, em alguma medida, telespectadores, estabelecem uma relação muito particular e intensa com os veículos que admiram, com os profissionais que neles trabalham, com os valores que estas empresas defendem. É uma relação tão forte que, não raro, é capaz de surpreender - e nocautear - até profissionais tarimbados. Um destes momentos aconteceu na última quarta-feira, 10 de junho, aniversário da Difusora. A rádio comemorava 47 anos e, para celebrar, resolvemos convidar algumas personalidades da cidade - como o prefeito Sidnei Rocha, que é radialista e mantém intacto o orgulho pela profissão que abraçou há décadas - e ouvintes fiéis para que participassem da programação ao lado dos apresentadores titulares. Desde as cinco da manhã até a meia-noite dezenas de ouvintes se alternaram na função de co-apresentadores. Dividiram bancada com Daniel Rodrigues, Leandro Vaz, Éverton Lima, Valdes Rodrigues, Fernanda Bufoni, Cíntia Flávia, Hélio Rodrigues, Romero, Élcio Fernandes, Gilberto Paixão, Marieta Venceslau, entre outros. Foi nas primeiras horas da manhã que o prefeito Sidnei Rocha deu um testemunho capaz de traduzir, em boa medida, o tipo de emoção que une profissionais e ouvintes. "Gosto muito de política, de ser prefeito, mas o que amo mesmo é o rádio". Sidnei parecia absolutamente confortável comentando o noticiário local, nacional e até esporte. Ao final, fez uma declaração emocionada. "Tenho um carinho muito especial pela Difusora, onde comecei minha carreira no mesmo dia em que o Valdes Rodrigues. É um prazer estar aqui". Muitos outros se multiplicaram naquela quarta-feira nas funções que Sidnei Rocha havia assumido no Jornal da Manhã. Nenhum com uma posição política de tanto destaque, mas todos com o mesmo entusiasmo pelo rádio e, especialmente, pela Difusora. Homens e mulheres, octagenários ou crianças, moradores de bairros de classe alta ou da periferia, todos com um traço comum: uma espécie de devoção emocionada pela Difusora, que os faz sintonizar e se manter ligados na programação da rádio de forma quase ininterrupta das primeiras horas da manhã à noite, dia após dia. Conhecem toda a programação da emissora e sabem detalhes da vida dos apresentadores e dos repórteres. Aspectos dos profissionais que só os amigos íntimos conhecem, como a idade de cada um, para que time torcem, o que gostam de comer, onde moram, com quem são casados, quando fazem aniversário e para onde viajam, são de amplo domínio dos ouvintes. Sabem quem são os principais patrocinadores e conhecem ainda uns aos outros, como se fossem todos integrantes de uma grande torcida organizada que reúne mais de 40 mil ouvintes por minuto nos horários de pico. Maria Regina di Maio é uma destas torcedoras entusiasmadas da Difusora. Ouvinte há décadas, levava semanalmente à nossa sede antiga no Centro algum quitute que havia preparado. Amiga de todos, acompanha até hoje a programação inteira. Ouvinte crítica - e leitora idem do jornal - liga sempre para elogiar, discordar e, não raro, debater. Com frequência, sugere pautas que se transformam em notícia. Nair Batista é outra veterana. Dizem que acompanhou as primeiras transmissões da emissora, em 1962, quando ainda era rádio Piratininga. Ela mesma não confirma, mas é certo que pelo menos os primeiros passos de um garoto como técnico de som nos mesmos anos 60, ela acompanhou. Era o menino Everton Lima, que Nair ouviu estrear ainda com voz fina aos 12 anos, até transformar-se num respeitado comunicador onde hoje, na mesma rádio, é o diretor artístico, responsável por toda a programação. Nair Batista continua sintonizada nos 1030 khz. Sua voz é tão conhecida que tem vinheta própria para marcar suas entradas na programação. Dieguinho tem 12 anos. Nasceu lutador - e vencedor. Enfrentou doenças e derrotou todas. A última, cuja batalha está em andamento mas que, mais cedo ou mais tarde, também vai derrotar, é um problema na visão que quase tira totalmente sua capacidade de enxergar. Não que isso o abale. Sem poder ir à escola, transformou o rádio em companhia inseparável. E para nossa sorte, a Difusora em sua amiga do peito. Dieguinho ouve a rádio o dia inteiro. Não só conhece a programação e seus apresentadores como sabe até a sequência em que os comerciais são veiculados. Participa dos programas, dá sugestões e hoje é uma espécie de mascote da rádio, querido e admirado por todos. José Carlos Ricci ninguém conhece. Mas "Zé do Arroz" é tão - ou mais - conhecido que qualquer vereador. É um típico self-made man, destes que fizeram das próprias mãos o instrumento para sua vitória pessoal. Literalmente. Catador de papelão, perambulava pelas ruas da cidade em busca do sustento de cada dia, sempre ouvindo a Difusora num radinho de pilha. O apelido é lembrança dos tempos difíceis. A marmita era tão miserável que só comportava arroz. Daí, o "Zé do Arroz". Que hoje tem seu próprio negócio, carro bom e pode dar uma vida bem melhor para sua família. Segundo o próprio, conquistas que só atingiu graças à Rádio Difusora. Foi anunciando na emissora que conseguiu os primeiros clientes para o então incipiente negócio que acabara de montar, um ferro-velho. Zé do Arroz fazia parte de um grupo que participava desde o início da noite do programa Especial Sertanejo, comandado por Élcio Fernandes. Havia mais de dez amantes de música sertaneja, dentro do estúdio, a esta hora. Todos faziam companhia a Augusto da Gaita. Autodidata, Augusto percorre os estúdios das emissoras de rádio desde os anos 60. É outro que visita a Difusora desde que a rádio era Piratininga. Nesta época, acompanhava seu irmão, Joãozinho da Viola, que ao lado de Chico do Violão compunha a primeira dupla caipira a se apresentar nos microfones da rádio, ainda em 1962. Sujeito simples, Augusto da Gaita fala pouco, mas tem coração enorme. Esperava paciente, às 10 da noite, para cumprir a missão a que havia se proposto: entregar ao "dono da rádio" seu presente de aniversário. Foi neste instante que, pela primeira vez desde que o GCN assumiu a Rádio Difusora, há cinco anos, vi Éverton Lima chorar. Junto comigo, recebeu o presente de Augusto da Gaita. Um troféu lindo, personalizado, que este homem simples comprou e no qual mandou gravar sua admiração pela rádio. Augusto entoou então Parabéns a Você na sua gaitinha, acompanhado por integrantes da Difusora/Comércio e ouvintes que participavam da programação. "Gosto demais da rádio". Ninguém duvida. Gente como Augusto da Gaita, Nair Batista, Dieguinho, Zé do Arroz e Maria Regina - entre tantos outros - é que faz a força de uma rádio e a distingue de outras empresas quaisquer. Poucas empresas conseguem estabelecer este nível de relação com seus clientes, muito mais que simples consumidores. Você gosta de um refrigerante, mas dificilmente sabe quem criou a fórmula. Muito menos, para que time torce ou de que prato gosta quem cuida da fabricação. Estes são privilégios quase exclusivos de empresas de comunicação. Um grande prazer - e uma enorme responsabilidade - para quem faz do rádio ou jornal sua profissão. <b>CORRÊA NEVES JÚNIOR </b> <i>é diretor-responsável do Comércio da Franca</i> jrneves@comerciodafranca.com.br

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