Estamos voando no Quasar Lite II, da Aeroálcool Tecnologia Ltda. Uma sensação única. Apesar da instabilidade do tempo, o trajeto é tranquilo e os rasantes são certeiros. O acabamento em fibra de carbono lhe dá a leveza e a resistência necessárias. O tanque de 70 litros permite uma autonomia de pelo menos seis horas de voo ou uma distância garantida de mil a 1,2 mil quilômetros aeronáuticos. Um consumo médio de 12 litros de gasolina por hora de voo - álcool não é utilizado por questões de logística.
O espaço interno é reduzido. Se eu fosse um pouco mais alto não caberia dentro da cabine que suporta até duas pessoas de no máximo 1,85 metro e até 250 quilos. Engenheiros garantem que o cockpit é tão seguro quanto o de um carro de Fórmula 1.
O painel completo conta com altímetro, velocímetro, além de marcadores de razão de subida, pressão do óleo, temperatura do óleo, rotação do motor, temperatura da cabeça do cilindro e combustível. Ao cockpit ainda são agregados rádio, transponder, GPS e piloto automático - este último item é opcional e custa por volta de R$ 6 mil. O principal equipamento de segurança é o pára-quedas, que é capaz de suportar o peso total do avião.
Hoje a Aeroálcool Tecnologia Ltda tem um mercado promissor a explorar com seu “avião-chefe”, que deve ser lançado oficialmente em março. A ideia é que, nos EUA, o Quasar com motor Jabiru substitua o com motor HKS - menos potente - que já era bem aceito nos cursos de formação de pilotos da Força Aérea norte-americana. Sem contar que a procura dentro do Brasil também é grande. São muitos os apaixonados pelos ares que vêm de Tatuí, São Paulo, Bragança Paulista, Ribeirão Preto e Fortaleza só para andar no avião.
A procura se manifesta sobretudo entre fazendeiros que adoram contemplar suas propriedades e monitorar plantações ou então entre os que simplesmente gostam de praticidade em suas viagens. Os percursos de 500 quilômetros aeronáuticos, sempre a um nível máximo recomendado de 6 mil pés (2 quilômetros de altura), são completados em até duas horas e meia. A máquina alcança 230 quilômetros por hora, segundo Omar Pugliesi, que ao lado de James Walter House é um dos engenheiros aeronáuticos responsáveis. Para ele a questão da relação custo-benefício é essencial. “O avião incorpora muita tecnologia, tanto em materiais quanto em processos de fabricação. É o mais leve do mundo”, disse.
Dentre as cerca de 20 empresas que fabricam aviões desse porte no Brasil apenas uma faz maior concorrência. É o “Flyer”, fabricado em Sumaré. Atualmente é colocada no mercado uma média de dois Quasars Lite II - motor HKS 60 cavalos - por mês. Entretanto a expectativa é de que esse número chegue a oito. O preço do Quasar é equivalente ao de um carro de luxo: a partir dos R$ 186 mil.
Mas antes de sonhar em pilotar um ultraleve, além de ter uma dose de habilidade, é preciso tirar o brevê - a carteira de habilitação dos pilotos. Os interessados devem se inscrever na Escola de Formação de Pilotos que será inaugurada em março no Aeroporto de Franca. Na mesma ocasião acontecerá o lançamento oficial do Quasar Lite II Jabiru.
O documento é expedido após 20 horas de voo monitorado, sendo que cada hora custa R$ 280. Além disso é necessário pagar pelo curso teórico (com material didático incluso) no valor de R$ 1 mil.
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