Um passado ainda presente pelas ruas de Franca


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RARIDADE - Brasília de quatro portas do jornalista Tiago Songa: modelo “especial” só foi introduzido no Brasil na década de 1980
RARIDADE - Brasília de quatro portas do jornalista Tiago Songa: modelo “especial” só foi introduzido no Brasil na década de 1980
Já faz muito tempo que ela deixou de ser fabricada. Desde 1982 que a Volkswagen interrompeu a produção da saudosa Brasília, o 1.6 concebido por Rudolf Leiding na década de 1970. O sucesso de vendas foi absoluto, com mais de um milhão de unidades vendidas em todo o Brasil, além de circular na África, América do Sul e Filipinas e ser produzido no México entre 1974 e 1981. Mas quem disse que a paixão acabou? “Caindo aos pedaços” ou aparentemente nova, desbotada ou com pintura impecável, a boa e velha Brasília faz parte da vida dos francanos. Histórias para contar não faltam, por exemplo, da Brasília pertencente ao tapeceiro Hélio Barros Ponce, popularmente chamado de “Frei”. Ele tem um modelo bege que foi viatura de reportagem da Rádio Difusora AM nos idos da década de 1980. No currículo estão as muitas coberturas esportivas do Franca Basquete e da Francana. “Todo mundo viajava nela: Jovassi (Correia Dias), Renato Valim e até o finado Alves (de Oliveira, locutor esportivo, já falecido)”, comenta. Hélio está com o carro desde 1992, após ter adquirido de seu irmão, José Ponce, que também trabalhou para a Difusora. “Quando adquiri paguei caro pra caramba, cerca de R$ 3,5 mil”. Para sustentar o “luxo” de circular com o automóvel, Ponce já gastou cerca de R$ 4 mil, incluindo a única pintura que fez em sua carroceria - hoje já desbotada. Por que gosta tanto da Brasília? -questiona a reportagem. “Porque é um carro que uso para trabalhar e para ir ao rancho. Ela aguenta o tranco. Não é muito econômica, mas faz uns oito quilômetros por litro na cidade”, responde, prontamente, aos risos. Como se observa na foto, o veículo está precisando de muitos reparos, do símbolo metálico da Volks na frente do carro ao estofamento interno. Frei está pensando em gastar mais de R$ 2 mil para fazer a reforma. E antes que a reportagem fosse embora da tapeçaria na Avenida Champagnat em que fica locada a histórica Brasília, o pai de Hélio, o senhor José Ponce Ribeiro, 77, confidenciou alguns “causos” a respeito do xodó da família. Como a vez em que o carro ficou atolado numa traiçoeira estrada de terra em Peixoto. “A sorte é que havia uns pescadores passando de canoa na represa por perto que nos ajudaram”. Para finalizar, seu José revelou o apelido que o veículo adquiriu ao longo dos anos: “marmita”. Mas os motivos para tal alcunha o leitor mais curioso só saberá se perguntar ao próprio dono (a explicação é inadequada a este espaço). DIFERENCIADA Se é paixão que está em jogo, nada mais representativo que Tiago Songa, 31, jornalista especializado em automóveis antigos. Além de estar envolvido com a restauração de um Brasinca Uiarapuru, carro difícil de se achar, ele encontra tempo e fôlego para deixar sempre lustrosa sua Brasília azul de quatro portas que comprou em abril de 2007 por aproximadamente R$ 2,5 mil. Pois é, quatro portas... “A Brasília existe desde 1973 e só foi fabricada no Brasil. A carroceria de quatro portas só foi introduzida no mercado brasileiro em 1980 e mesmo assim em pouquíssimas unidades. Além da carroceria, também se difere por ter um só carburador no motor 1600”, explica o jornalista, que também é diretor da FBVA (Federação Brasileira de Veículos Antigos). Até hoje Tiago só teve que retificar o motor, gastando R$ 1,4 mil. Além disso o carro apelidado de “B.R.A. Fordor” ainda precisa de melhorias na parte de funilaria. Como a parte da refrigeração do carro é feita a ar, a preocupação se reserva apenas ao nível de óleo e ao combustível. [FOTO2] Em suas constantes viagens entre Franca e Ribeirão Preto, a Brasília tem um consumo médio de dez quilômetros por litro de gasolina. A troca de óleo é realizada a cada cinco mil quilômetros e custa em média R$ 35. Tanta paixão é despertada pelo fato de a Brasília ter manutenção muito simples e ter sido originada de um projeto brasileiro, “coisa rara de acontecer por aqui”, complementa Tiago. “Automóvel é para o homem o que a roupa é para mulher. É o nosso sapato ‘Scarpin’. É o carro barato que quebra seu galho e ainda te dá a exclusividade de ter algo que ninguém tem”.

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