Seguro automotivo: o retrato do proprietário


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PERFIL - O corretor de seguros Waldyr Medezani afirma que a vida do condutor é que determinará o valor da apólice
PERFIL - O corretor de seguros Waldyr Medezani afirma que a vida do condutor é que determinará o valor da apólice
Se você tem entre 18 e 25 anos, tem um ritmo de vida, digamos, mais arrojado, levou algumas multas nos últimos anos, pode se preparar: o seguro de seu automóvel será elevado às alturas. Já se, além desse histórico pessoal, seu carro é um Golf, Parati ou um Audi A3, seu bolso vai pesar bem mais. A primeira razão explica-se pelos cuidados que as companhias seguradoras adotam no momento de avaliar o contrato de seguro com um cliente. Tudo é pesquisado, levantado. Idade, sexo, hábitos do motorista, se tem ou não filhos; e se os têm, em qual idade? O imóvel possui garagem ou o carro ficará na rua? É usado para que tipo de atividade: apenas em passeios aos fins de semana ou longas viagens por estradas de terra? Qualquer característica do condutor, extensiva à sua família, que possa evidenciar risco de prejuízo à seguradora será pesada na hora de fechar a apólice. A segunda razão, com aqueles veículos listados acima, está no índice de furtos desses modelos de automóvel em Franca e região. São, segundo um corretor de seguros com quem a reportagem conversou, os mais visados pelos ladrões atualmente. A Delegacia Seccional de Polícia não possui levantamento estatístico por marcas ou modelos, mas afirma que, apenas no mês de setembro de 2008, foram furtados 43 veículos nas ruas da cidade, com predominância da região central. ‘CARA DO CLIENTE’ Encontrar explicação para os cálculos feitos antes de se chegar ao valor final de uma apólice de seguro para carro é uma tarefa difícil. Simplesmente não há regras, muito embora seja a Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, a reguladora do mercado. Assim é comum encontrar clientes com veículos iguais em marca, modelo e ano, mas que pagam prestações diferentes para a mesma cobertura de sinistros. A resposta para este descompasso está na vida pregressa do motorista e todo o seu histórico de ocorrências desde que retirou a tão sonhada CNH (Carteira Nacional de Habilitação). As seguradoras trabalham sobre estatísticas para poder chegar ao preço das apólices. Seguem a estrutura de uma pirâmide com valores estabelecidos conforme o Estado, a região, a cidade, o bairro. Em Franca, a exemplo de outros municípios, empresas já estão consultando o CEP da residência do cliente. Sabendo onde mora, fica mais fácil para as seguradoras se guiar pela quantidade de furtos e roubos. Mas nada interfere mais que o perfil do cliente. O motorista recém-habilitado e com idade até 25 anos é, de cara, o mais visado. Sobre ele recaem todos os cuidados possíveis que a seguradora pode ter na hora de sacramentar o contrato. Algumas dessas empresas diferenciavam homens e mulheres, mas a prática já foi deixada de lado há muito tempo. “Hoje o que vale é conhecer todos os hábitos do motorista. Como vai usar o carro, quem mais pode dirigir (mesmo que não dirija), se é casado, se tem registro de sinistros anteriores, multas, se é vendedor, representante comercial”, disse o corretor Waldyr Medezani. Com isso, um motorista de 50 anos, estabilizado financeiramente, dono de um carro de R$ 70 mil, deve pagar, em média, por um seguro completo (furto, incêndio, colisão, danos contra terceiros) algo em torno de R$ 1,9 mil. Mas se o mesmo motorista não teve envolvimento em acidente nem acionou seu seguro nos últimos cinco anos, esse valor pode cair para até R$ 1,2 mil, perto de 1,5% do valor do automóvel. Se levarmos em conta que o mesmo condutor é pai de um garotão de 19 anos, certamente seu seguro ficará mais caro. É nessa hora que entra a investigação da companhia de seguros. Se o motorista do exemplo acima declarar que apenas ele dirige o carro, a empresa fará a apólice com base nessa declaração. Mas se por algum motivo o filho for flagrado ao volante ou, pior, se envolver em um acidente, certamente o paizão não muito zeloso ficará com o prejuízo, porque a seguradora não pagará um centavo de indenização nesse caso.

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