O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) dá início na próxima quinta-feira, 1º de janeiro, a um novo mandato à frente da Prefeitura de Franca. Reeleito ancorado pela aprovação recorde de seu governo, Sidnei Rocha liquidou a fatura já no primeiro turno e converteu-se, desde outubro, no político francano mais votado de todos os tempos. É um feito que merece respeito na mesma medida das expectativas que gera.
Os 110,4 mil votos conquistados nas urnas renderam a Sidnei, de quebra, um dividendo extra e nada desprezível: a quase total ausência de oposição, restrita aos dois vereadores eleitos pelo PT. Os outros treze, em maior ou menor grau, são todos parte daquilo que se convenciona chamar de base de apoio do governo.
Na prática, votam de acordo com interesses do Executivo, salvo uma ou outra exceção pontual, o que confere ao prefeito de Franca a rara - e perigosa - oportunidade de fazer quase tudo o que bem entender, limitado apenas pelas restrições constitucionais do Tribunal de Contas e pela vigilância do Ministério Público e da Imprensa. Politicamente, não há obstáculos.
Há muitos problemas à espera de Sidnei Rocha e seu terceiro mandato. A começar por uma crise financeira de proporções mundiais contra a qual há muito pouco que o prefeito de Franca, qualquer que fosse ele, pode fazer. Numa crise que derruba bancos, financeiras, montadoras, mineradoras, siderúrgicas e economias de países inteiros, seu campo de ação é restrito.
Localmente, a situação é completamente diferente. Muito se espera daquele que se orgulha de ter controlado as finanças e a dívida da prefeitura e consertado a cidade, definida pelo próprio como “arrebentada” quando assumiu. É inegável que a gestão financeira da prefeitura hoje é feita em outro nível de competência. As principais vias de Franca foram recuperadas, e obras importantes de infra-estrutura estão em andamento.
Mas a competência da equipe de Sidnei veio acompanhada também de uma boa dose de sorte. Houve o dinheiro da renovação do contrato da Sabesp, nada desprezíveis R$ 30 milhões que souberam investir no recapeamento. Houve também um momento exuberante da economia que resultou num volume de investimentos raro - para não dizer único - na história da cidade.
Vieram os hipermercados, os grandes varejistas, as concessionárias de veículos, as lojas de grife, as joalherias, os condomínios, os prédios. É uma outra Franca, de um novo patamar e tamanho, cada vez com mais cara de cidade grande - e com problemas, idem. Congestionamentos, sub-moradias, violência urbana, desemprego e queixas, muitas queixas no sistema de saúde são apenas alguns deles.
Sidnei Rocha disse a seus secretários e tem repetido sempre que possível, quer seja em entrevistas ou conversas informais, que “o jogo começa agora”. É seu jeito de dizer que quer ainda mais empenho da equipe neste novo mandato e de tentar diminuir as expectativas.
Na prática, o que o prefeito deseja pode não acontecer. A partir de quinta-feira, o que começa é o segundo tempo de uma longa partida. Se o resultado ficar aquém do que espera a população, o saldo positivo do primeiro mandato vale nada.
Não faltam exemplos de como o eleitorado pode ser cruel com o legado de governantes. Dois exemplos recentes são bastante elucidativos. Fernando Henrique Cardoso, cuja presidência é tão questionada, foi reeleito em primeiro turno para um segundo mandato. Em Franca, o hoje renegado Gilmar Domini (PT) governou a cidade por dois mandatos, reeleito pelo voto popular. Em ambos os casos, os resultados frágeis do segundo mandato e a disputa ferrenha pela sucessão acabaram eclipsando a força e as conquistas do primeiro.
Sidnei Rocha tem à sua espera uma população que quer respostas a seus anseios e muitos obstáculos a serem superados. Como não tem oposição, colhe os frutos se acertar - mas não terá ninguém a quem culpar se alguma coisa der errado. Sidnei fez um bom primeiro tempo, mas política é esporte injusto. Se jogar mal agora, perde o jogo sem direito a revanche. É hora do tudo ou nada.
CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca
jrneves@comerciodafranca.com.br
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