Tão antiga quanto o cinema, com 113 anos, é a figura do lanterninha. Talvez, por isso, o nome da função faça a gente imaginar um senhor de cabelos brancos e roupa esquisita. Ih... Desencana! O lanterninha de hoje (e acredite ele ainda existe!) é jovem, veste o uniforme da empresa e é multifuncional. A única semelhança com o antigo profissional é o instrumento de trabalho: a lanterna.
Guilherme Rodrigues Dionysio, subgerente da Moviecom, empresa responsável pelas três únicas salas de cinema de Franca, conta que, com a redução do tamanho das salas, o lanterninha passou a ter mais de uma função. Ele agora tem de cuidar do local antes, durante e depois da exibição do filme. “Eles são contratados como porteiros. Têm de receber as pessoas, conferir os ingressos, fazer a limpeza depois de cada exibição e ainda manter a ordem, é claro!”. De acordo com ele, quem se candidata ao emprego geralmente tem menos de 30 anos.
É o caso de Fabrício Eduardo Masson, 21, que há dois anos trabalha no cinema de Franca. Ele lembra que sempre gostou de longas, principalmente os de terror e suspense. “Vinha muito aqui. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar junto aos filmes, não pensei duas vezes”, contou.
Da tradicional função de lanterninha, Fabrício fala com bom humor. “É preciso ter disciplina e sangue-frio porque ninguém gosta de ser chamado à atenção. Já me xingaram de tudo que você pode imaginar”.
No exercício da função, o lanterninha tem de iluminar os namorados mais empolgados, corrigir os folgados que cismam em colocar o pezão na poltrona da frente e, principalmente, acabar com as conversas que ameaçam atrapalhar a diversão alheia. O francano conta que os mais problemáticos são os adolescentes. “As ocorrências mais comuns envolvem celulares e máquinas fotográficas. O pessoal insiste em filmar e fotografar dentro da sala, o que é proibido. Aí, a gente fala uma, duas, três e quantas vezes mais forem necessárias, mas geralmente quando a lanterna chega perto, eles já sabem e desistem”.
Mas a vida de um lanterninha não é feita apenas de broncas... Por causa do contato diário com o público, eles passam a ser quase relações-públicas do cinema. “Ouvimos reclamações, recomendações e principalmente críticas aos filmes. Há até aquelas pessoas que vêm sempre e acabam virando nossos amigos”, disse Fabrício.
Pelo menos os lanterninhas assistem a todos os filmes e “na faixa”, ou não? “Todo mundo pensa que é assim, mas há muito que fazer... Diversão mesmo só nas folgas, uma vez por semana, e olhe lá!”, finalizou Fabrício rindo. A empresa não revela qual o salário pago a um lanterninha.
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