Salto alto


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Foram quase cem dias de uma modorrenta campanha municipal aqui na Franca. Sem grande empolgação popular e com o quadro estagnado desde a primeira pesquisa eleitoral, a disputa transcorria sem sobressaltos. Sidnei Rocha (PSDB), candidato à reeleição, liderava desde sempre, seguido muito de longe por Gilson Pelizaro (PT) e com os outros três homens que pretendem conduzir os destinos de Franca reduzidos à condição de coadjuvantes. Nas pesquisas realizadas o cenário foi, durante todo este tempo, um só: vitória de Sidnei Rocha no primeiro turno, Gilson Pelizaro com cerca de 20% dos votos e apenas 4% de intenções para Cristiano Rodrigues (PV), Jorge Martins (PSol) e Tito Flávio (PCB) dividirem. Nesta sexta-feira, a perspectiva mudou. Os números revelados pela segunda rodada da pesquisa Ibope mostram uma brutal inversão de tendência. Sidnei Rocha não apenas parou de crescer como recuou 6 pontos. Caiu de 57% para 51%. No campo oposto, Gilson Pelizaro acentuou fortemente o ritmo de crescimento e avançou 7%. A diferença que separava Sidnei de Pelizaro despencou 13 pontos percentuais - de 36 pontos na primeira pesquisa para 23 neste levantamento. Há 21 dias, uma montanha de 75 mil votos se colocava entre o tucano e o petista. Hoje, são 48 mil votos, ainda uma folga grande e confortável a favor do prefeito, mas insuficientes para se ter certeza, neste instante, de vitória tranqüila no primeiro turno. Para entender o que houve, é preciso resgatar a última pesquisa Comércio/Datalink, publicada no domingo passado. O levantamento, realizado entre 5 e 9 de setembro, apontava Sidnei Rocha líder absoluto com 65,7% das intenções de voto. Gilson Pelizaro tinha 20,3% e os demais candidatos, percentuais entre 1 e 2,5%. Portanto, os eventos motivadores da mudança de preferência ocorreram muito provavelmente a partir do dia 10 de setembro. Nem é preciso ser Bidu. Foi no sábado, 13 de setembro, que Sidnei Rocha cometeu, certamente, o segundo maior erro de sua campanha: aceitou participar de um comício em Pedregulho, organizado por seu amigo e colega de partido Dirceu Polo, também candidato à reeleição. Animado, Sidnei Rocha não economizou nos ataques: bateu forte no PT, em seu antecessor e, como de hábito, os culpou por todas as mazelas da cidade. Foi saudado por Dirceu Polo como ídolo e único prefeito da região que venceria a disputa “sem sair do ar-condicionado do gabinete”. A exibição de força soou excessiva aos eleitores de Franca. O maior erro estaria reservado, entretanto, para o dia seguinte. O prefeito-candidato cumpriu a promessa feita um mês antes: faltou ao primeiro debate desta campanha, promovido pela TV Record em parceria com o Comércio da Franca e a Rádio Difusora. Durante quase duas horas, foi criticado pelos quatro adversários, nada sutis em suas considerações. Não havia ninguém ali para defendê-lo. Os dois episódios foram intensamente explorados durante a semana no horário eleitoral no rádio e TV. Cenas de Sidnei Rocha em Pedregulho foram exibidas à exaustão, enquanto imagens de sua cadeira vazia no debate da Record/Comércio/Difusora eram reproduzidas na seqüência. Pegou mal para Sidnei Rocha. Eleitor nenhum gosta de salto alto. Os de Franca, acostumados a surpresas de última hora, menos ainda. Por mais que, no discurso, Sidnei Rocha mantenha serenidade e modéstia, suas atitudes nos últimos dias indicavam o contrário. Faltar ao debate com seus adversários um dia depois de fazer campanha para um prefeito da região pareceu arrogante demais. Há que se considerar ainda que foram justamente nestas últimas duas semanas que, além de receber apoio de lideranças nacionais e do presidente Lula, os candidatos petistas a prefeito e vice participaram das sabatinas do Comércio e Difusora. A julgar pelos números do Ibope, a população gostou do que ouviu e leu. Sidnei Rocha segue favorito. O Ibope aponta que os índices de aprovação ao seu governo continuam enormes. Tem 89% agora (entre ótimo, bom e regular), contra 90% da pesquisa anterior. Mas apesar de aprovado e avaliado como excelente administrador, os números trazem um claro recado ao prefeito: para vencer a disputa, vai ter que baixar a bola. E rápido. Bom para Gilson Pelizaro e a apaixonada militância petista. Se faltava aos “companheiros” uma boa razão para lutar, acabam de encontrar. Que venham os números da próxima pesquisa Comércio/Datalink. Não vai faltar emoção. CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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