Bola Fora


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‘Há algo de podre no reino da Dinamarca’ Marcelo, personagem da peça Hamlet, de Shakespeare, na Cena IV do Ato I Terminou de forma melancólica a parceria mantida entre o Franca Basquete e a Unimed. Atônitos, milhares de torcedores foram surpreendidos pela informação antecipada com exclusividade há dez dias pelo Comércio e, até agora, ninguém é capaz de entender direito o que houve. Pelo menos, o que levou a tão repentina separação já que, neste casamento iniciado em 2005, a “renovação dos votos” havia sido anunciada em julho pelo próprio presidente da cooperativa médica, Elson Rodrigues. “Tivemos uma reunião com a executiva da Federação das Unimeds (...) e a marca Unimed associada ao basquete de Franca é muito forte. Por isso, a Federação vai optar pela manutenção do patrocínio”, dizia Rodrigues, em entrevista no dia 5 de julho, ao confirmar a renovação da parceria com o Franca Basquete para as temporadas 2008/2009. O divórcio viria semanas depois. Num comunicado distribuído pela própria Unimed na noite de 26 de agosto, a cooperativa decretava o fim do contrato de patrocínio. O que houve nos 52 dias que separam o anúncio da renovação do patrocínio da decisão de romper a parceria é mistério. Sabe-se que o presidente do clube, Fransérgio Garcia, reclamava da falta de dinheiro. Em julho, havia apresentado o embrião de um projeto que pretendia acrescentar R$ 100 mil mensais para equilibrar o caixa. O plano previa campanhas para aumentar o número de sócios-torcedores e a utilização intensiva de placas de publicidade no Poliesportivo. Queria ainda mais dinheiro da Unimed para fazer frente à valorização do elenco, que havia conquistado vários títulos durante a vigência da parceria. Quem já negociou com a Unimed sabe que a cooperativa tem um modo bastante particular de conduzir seus interesses. Lidar com um grupo tão heterogêneo de médicos exige paciência. Muitas vezes, adotam posturas surpreendentes. É bastante provável que a Unimed tenha imaginado que a pressão do Franca Basquete por mais dinheiro fosse apenas um blefe. Deu no que deu. Imediatamente, o símbolo da equipe e seu maior troféu, o técnico Hélio Rubens, reproduziu na esfera administrativa o que faz em quadra: assumiu o controle e agiu rápido. O time comunicou a Federação Paulista de Basquete que não poderia estrear em 6 de setembro por uma razão bem específica: o contrato com a Unimed termina só no dia 13 de setembro e, até lá, se jogar, a equipe terá que vestir as cores da cooperativa. Arranjo feito, a estréia ficou para dia 17, quatro dias após o término do contrato. Um novo uniforme já está em produção. Claro, sem as cores da Unimed. Patrocinador parece não ser problema. O mais provável é que a Vivo seja anunciada nos próximos dias. Phillips e Ambev estão na lista. Quem não gostou nada disso tudo foi a Unimed, que insinua “traição” e reclama sequer ter tido chance de fazer uma contraproposta. Para quem vê de longe, o conturbado processo de rompimento da Unimed com o Franca Basquete tem muito das tragédias de Shakespeare. Fransérgio Garcia, o presidente do clube, é irmão de Hélio Rubens. E médico da Unimed. Contou com o decisivo apoio da cooperativa para vencer, no mês de junho, uma tumultuada eleição para presidência do clube contra um candidato tido até então como o preferido pelo Conselho Deliberativo. Foi a primeira disputa em 16 anos. Ironia do destino, seria justamente Fransérgio Garcia quem tomaria, semanas depois, a decisão de romper com a Unimed. É justo que dirigentes lutem por mais recursos e façam as opções que julguem as mais adequadas, mas também é inegável que a Unimed ajudou o clube e garantiu, por três anos, condições mínimas para que a equipe, sob comando de Hélio Rubens, retomasse o caminho das vitórias. Um “obrigado” e “até a próxima” seriam bem-vindos. De preferência, com um jogo de despedida. Infelizmente, tudo indica, não vai dar nem para manter as boas lembranças. CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br

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